Expressamos nossa mais firme solidariedade aos estudantes e militantes brutalmente agredidos durante os acontecimentos recentes na Universidade de São Paulo envolvendo o vereador de extrema-direita Lucas Pavanato (PL) e seus seguranças.
O vereador e sua equipe armada tentaram intimidar estudantes por meio da violência e do uso de spray de pimenta, revelando o verdadeiro caráter autoritário desses setores, que recorrem à agressão física quando são confrontados politicamente.
Além das provocações e da algazarra promovidas no campus, difundiram o discurso reacionário de que o aborto seria “assassinato”. Essa posição ignora deliberadamente a realidade brutal vivida por milhares de mulheres e meninas no Brasil. Em um país onde ao menos 87 mil mulheres são vítimas de violência sexual todos os anos — muitas delas crianças que sequer possuem condições físicas ou psicológicas de levar adiante uma gestação — a criminalização do aborto significa, na prática, condenar essas vítimas à violência permanente.
Também é preciso lembrar que a criminalização do aborto não impede que ele aconteça: apenas empurra mulheres, sobretudo as da classe trabalhadora, para procedimentos inseguros. As complicações decorrentes de abortos clandestinos seguem sendo uma causa relevante de mortalidade materna no país, com cerca de uma morte a cada dois dias.
Grande parte da atividade legislativa de Pavanato tem sido dedicada a atacar os direitos reprodutivos das mulheres. Entre suas iniciativas estão projetos que buscam restringir o acesso ao aborto legal, como propostas que exigem a apresentação de boletim de ocorrência para comprovar casos de estupro — um obstáculo adicional para vítimas que já enfrentam enorme dificuldade para acessar esse direito garantido em lei. Também apresentou iniciativas que pretendem impor o sepultamento obrigatório de fetos e natimortos, com emissão de certidão de óbito contendo nome dos responsáveis e causa da morte.
Às vésperas do 8 de Março, data histórica de luta das mulheres trabalhadoras, esse ataque frontal aos direitos das mulheres e das crianças evidencia o caráter profundamente reacionário daqueles que tentam transformar a universidade em palco para a propagação do ódio e do conservadorismo.
Não é a primeira vez que o vereador dirige ataques à classe trabalhadora. Em 2025, chegou a chamar professores em greve de “vagabundos”, ao mesmo tempo em que aprovava para si próprio um aumento salarial de 37%, passando a receber o equivalente ao salário de cerca de seis professores — um contraste revelador sobre quais interesses de fato orientam sua atuação política.
Repudiamos qualquer tentativa de criminalizar os estudantes agredidos. Não aceitaremos que as vítimas sejam tratadas como culpadas enquanto os responsáveis pela violência tentam se esconder atrás de cargos institucionais e do aparato repressivo do Estado. A atuação da polícia durante o episódio evidencia esse problema: aqueles que supostamente deveriam garantir a segurança dos estudantes atuaram, na prática, para proteger os agressores. Não por acaso, Pavanato e seus capangas deixaram o local escoltados, enquanto as denúncias dos estudantes atacados foram ignoradas.

Situações como essa demonstram, mais uma vez, que a juventude não pode confiar na proteção das instituições burguesas. Reafirmamos a necessidade de lutar pelo fim da PM na USP, que em nada contribui para a segurança de estudantes e trabalhadores da universidade, bem como pelo fim da própria Polícia Militar, historicamente voltada à repressão da classe trabalhadora. A única garantia real contra a violência da extrema-direita é a organização coletiva e a mobilização dos próprios estudantes.
A Universidade de São Paulo não pode se omitir diante de ataques dessa natureza. É necessário que a instituição se posicione e garanta a defesa de seus estudantes frente à violência da extrema-direita. Ao mesmo tempo, é fundamental que o conjunto das organizações, coletivos e entidades estudantis, junto à comunidade universitária, se organize para enfrentar esses ataques. A construção de iniciativas de mobilização e autodefesa — como comitês de defesa na Universidade — é um passo importante para impedir que a extrema-direita utilize a USP como palco de intimidação e violência política.
Reafirmamos nossa solidariedade aos estudantes feridos e a todos que estiveram na linha de frente da mobilização. A juventude da USP demonstrou que não aceitará passivamente as provocações e ataques contra a universidade pública. Seguiremos firmes na luta contra a extrema-direita e em defesa da organização da juventude e da classe trabalhadora.
