Ontem, 02 de abril, centenas de comunistas revolucionários se reuniram em frente às missões diplomáticas do Paquistão em todo o mundo para exigir a libertação imediata de Ehsan Ali e de todos os outros membros presos do Comitê de Ação Awami em Guilguite-Baltistão. Não descansaremos até que a justiça seja feita!
Nosso dia de ação foi organizado em um contexto de extrema urgência. Durante o fim de semana, surgiu um relato chocante vindo de Guilguite-Baltistão. Soubemos que Amara Sattar, Subdelegada de Polícia (SDPO) de Danyor, distrito de Guilguite, foi informada sobre o estado crítico de saúde de Ehsan Ali. Disseram-lhe que uma ordem judicial exigia que ele fosse levado ao hospital. Sua resposta foi direta e arrepiante:
“Deixe isso para lá, há ordens superiores [referindo-se à inteligência militar]… deixe-o morrer.”
Essa admissão ultrajante demonstra que nossa campanha de solidariedade é, literalmente, uma questão de vida ou morte. O judiciário e o chamado “estado de direito” no Paquistão são uma farsa, pois os juízes são manipulados pelos generais e pela Inteligência Inter-Serviços (IIS) nos bastidores.
Esses gângsteres esperam que Ehsan Ali morra na prisão, o que seria nada menos que um assassinato sancionado pelo Estado pelo “crime” de defender os trabalhadores e os pobres. Essa é a situação enfrentada pelos camaradas do Comitê de Ação Awami e por todas as pessoas que vivem à mercê do regime criminoso do Paquistão.
Não permitiremos que nossos camaradas apodreçam e morram na prisão! Nós os libertamos uma vez e o faremos novamente, seguindo as tradições comunistas de solidariedade e internacionalismo. Um ataque a um é um ataque contra todos!
Solidariedade internacional
Nossos camaradas compareceram em peso a mais de 20 embaixadas, altas comissões e consulados em mais de uma dúzia de países. Os camaradas do PCR na Grã-Bretanha se mobilizaram em cinco cidades: Londres, Birmingham, Manchester, Bradford e Glasgow. O protesto na capital foi o maior que já realizamos na Alta Comissão do Paquistão, com a participação de 30 camaradas.
Os camaradas no Canadá protestaram em todos os quatro consulados do país, em Montreal, Vancouver, Toronto e Ottawa. Eles também tentaram ligar para a embaixada em Toronto, mas ouviram (com certa arrogância) do funcionário ao telefone que estavam “perdendo tempo”, pois “nada resultaria” da ligação.
Na Áustria, 20 camaradas discursaram em alemão, inglês e urdu e entoaram palavras de ordem internacionalistas pela liberdade de todos os presos políticos. Também tivemos grandes protestos em Copenhague, Estocolmo, Bruxelas e outras cidades. Nos dias que antecederam o dia 02 de abril, muitos camaradas publicaram vídeos e fotos de solidariedade de suas seções locais, escolas e encontros nacionais.
Nossos camaradas do Partido Comunista Revolucionário tiveram que usar a criatividade, pois o Paquistão fechou todos os seus consulados na França, com exceção do de Paris, localizado em um distrito de alta segurança. Assim, os camaradas concentraram seus esforços em encontrar apoiadores para a campanha em barracas de rua e tirar fotos de solidariedade em suas células.
Em alguns casos, os camaradas conseguiram entregar cartas a funcionários diplomáticos, para que pudessem enviar nossas reivindicações a Islamabad. Os comunistas em Chicago e Nova York se reuniram com o Cônsul Geral do Paquistão. Mas muitas embaixadas simplesmente fecharam as portas e se recusaram a falar conosco. Em Los Angeles, acabaram cedendo e aceitaram a carta de nossos camaradas depois de inicialmente trancarem as portas e gritarem para que fôssemos embora.
Outros ainda chamaram a polícia, com os burocratas de terno e gravata se escondendo atrás de homens armados em vez de encarar os crimes cometidos em seu nome. Nossos camaradas irlandeses chegaram a ser ameaçados de prisão depois de entregarem a carta ao embaixador. Em Nova York, a embaixada chamou a polícia contra nossos camaradas nada menos que cinco vezes. Quem sabe por que esses funcionários aparentemente se sentem tão ameaçados por uma carta?
Em todos os lugares onde nos reunimos, asseguramos às autoridades que ainda não tinham visto o último de nós. Continuaremos voltando e levantando nossas vozes pela libertação de Ehsan Ali e de outros dirigentes presos do CAA até que todos eles sejam libertados. Vídeos e fotos de nossos protestos de 02 de abril estão listados no final deste artigo.
Apoio do movimento operário
Na preparação para nossa mobilização, recebemos o apoio de diversos políticos e figuras importantes do movimento sindical. Entre eles, o deputado britânico e ex-ministro sombra da Fazenda do Reino Unido, John McDonnell; o presidente nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Panificação, Alimentação e Afins (BFAWU), Ian Hodson; a ex-vereadora de Seattle e candidata socialista independente ao Congresso dos EUA, Kshama Sawant; e o deputado federal brasileiro pelo PSOL, Glauber Braga.
Glauber Braga enviou uma mensagem em vídeo expressando solidariedade a Ehsan Ali e à CAA, declarando:
“Ehsan Ali é conhecido local e internacionalmente por sua luta… Aqui no Brasil, estamos… exigindo a liberdade daqueles que foram presos injustamente, porque lutar pelos direitos das comunidades e, além disso, confrontar as ações de grandes corporações, ligadas ao poder estadunidense, não é crime. É uma necessidade histórica.”
Recebemos também a seguinte mensagem de solidariedade da filial de Toulouse do Secours Rouge, uma organização humanitária radical na França:
“O Secours Rouge de Toulouse compromete-se a:
- “Acompanhar os desdobramentos deste caso e tomar todas as medidas necessárias;
- “Construir relações com organizações sindicais internacionais para coordenar nossos esforços de solidariedade;
- “Dar visibilidade aos avanços na luta contra o imperialismo e pelos direitos dos trabalhadores no Sul da Ásia;
- “Apoiar mobilizações contra a repressão em todo o mundo.
“Uma ofenda contra um de nós é uma ofensa contra todos nós.”
Outras figuras proeminentes da Áustria, Paquistão e EUA já endossaram nossas reivindicações pela libertação dos camaradas do AAC, e estamos em diálogo com muitos outros. Além disso, nossos camaradas estão se empenhando para aprovar moções em sindicatos e organizações estudantis ao redor do mundo, para que o peso de nossa classe apoie nossos apelos por justiça!
A luta continua!
Fizemos uma declaração contundente em 2 de abril, que certamente foi ouvida até em Islamabad, mas a luta está longe de terminar!
A próxima audiência de Ehsan Ali está marcada para 9 de abril. Sua prisão preventiva já foi prorrogada duas vezes e, de acordo com as disposições absurdas das leis antiterroristas do Paquistão, ele pode ficar detido por 90 dias sem condenação.
Considerando a saúde frágil de Ehsan Ali e as intenções abertamente criminosas do regime, não podemos aliviar a pressão! Vejam o artigo principal sobre nossa campanha, onde você encontrará informações sobre a situação em Gilgit-Baltistão, um modelo de carta/e-mail para enviar às autoridades diplomáticas do Paquistão e um modelo de moção que você pode apresentar por meio de sindicatos e associações estudantis.
Por favor, entrem em contato também com figuras proeminentes da esquerda, ativistas ou membros importantes do movimento trabalhista e peça-lhes que se juntem à nossa causa. Vocês podem relatar qualquer êxito para o nosso e-mail oficial da campanha: aacgb-solidarity@marxist.com.
E, por fim, ajude-nos a aumentar nossa visibilidade nas redes sociais compartilhando publicações sobre nossas atividades de solidariedade e atualizações das contas oficiais da ICR!
Libertem Ehsan Ali! Tirem as Mãos do Comitê de Ação Awami!
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