Na USP, continua a revolta contra os ataques da reitoria de Aluísio e do governo estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à universidade pública. Os estudantes têm se mobilizado em defesa da autonomia dos espaços estudantis, contra a precarização da permanência estudantil, dos bandejões, das moradias estudantis e da infraestrutura, além de denunciarem o caráter cada vez mais autoritário e antidemocrático da estrutura universitária, na qual estudantes e trabalhadores, na prática, não possuem poder para decidir sobre os rumos da Universidade. Servidores técnico-administrativos e docentes enfrentam ataques à isonomia e à valorização salarial, aprofundando a divisão entre os setores para facilitar a aplicação do projeto de desmonte e privatização da educação pública.

Os metroviários de São Paulo também têm um papel central na luta contra a privatização dos serviços públicos. A categoria enfrenta há anos o avanço do desmonte do Metrô e a entrega das linhas à iniciativa privada. Para a população, as privatizações trazem como consequência imediata a piora da qualidade dos transportes e o aumento das tarifas, para os metroviários, precarização das condições de trabalho, ataques aos direitos e desemprego. A luta dos metroviários se reflete na defesa de um serviço público essencial para milhões de trabalhadores e jovens que dependem diariamente do transporte público para se locomoverem pela cidade.
No mesmo sentido, professores das redes estadual e municipal de São Paulo têm protagonizado importantes mobilizações contra a destruição da educação pública promovida por Tarcísio e Ricardo Nunes (MDB), prefeito da capital. A categoria enfrenta o arrocho salarial, a ampliação de contratos temporários precarizados, o fechamento de salas, a militarização das escolas, além da imposição de plataformas e métodos gerencialistas que retiram a autonomia pedagógica dos educadores e aprofundam o controle burocrático sobre o ensino. Enquanto os governos destinam milhões às empresas de “plataformas de ensino” e às concessões ou terceirizações, professores e estudantes convivem com escolas sucateadas, salas superlotadas, falta de profissionais para realizar o atendimento educacional especializado e condições cada vez piores de ensino e aprendizagem.
Toda essa situação possui a mesma raiz: a submissão dos serviços públicos aos interesses do capital, dos grandes grupos empresariais e dos investidores. Por isso, as diferentes lutas em curso precisam convergir para uma batalha comum contra os governos privatistas e contra o próprio sistema capitalista, cuja lógica é o enriquecimento de uma minoria em detrimento da exploração da maioria, nem que para isso seja necessário destruir e mercantilizar todos os serviços públicos os quais a classe trabalhadora e a juventude tanto necessitam.
A radicalização do movimento estudantil universitário nas últimas semanas – que, aliás, não se concentrou apenas na USP, mas se espalhou pela Unesp e pela Unicamp – tem um significado muito importante. Muitas vezes, a juventude é a primeira camada social a se mover, anunciando grandes mobilizações que virão a seguir. Na história das lutas da classe trabalhadora, é comum que a juventude perceba, antecipadamente, as mudanças no clima político. Não por acaso, a radicalização do movimento estudantil universitário “coincidiu” com a greve dos funcionários públicos de São Paulo e com uma assembleia dos metroviários que também poderia ter levado a categoria à greve.
Não é possível prever quando e como grandes mobilizações vão explodir e tomar as ruas. Por outro lado, as ações estudantis podem ser o prenúncio de que as contradições acumuladas na sociedade com a degradação das condições de vida da classe trabalhadora estão chegando ao limite. Especialmente no caso das privatizações e concessões dos serviços que atendem massivamente a população, como o fornecimento de água e energia e o serviço de transporte, que foram entregues à iniciativa privada. Estamos sentindo na pele o real significado dessa política.
O aprofundamento da crise do capitalismo tem acelerado cada vez mais a necessidade da burguesia reagir contra todos os direitos conquistados pela classe trabalhadora, inclusive os serviços públicos. Muitas lutas começam com demandas econômicas, como um reajuste salarial digno ou condições de permanência estudantil, mas têm potencial de se transformarem em lutas políticas da classe trabalhadora contra a burguesia na defesa de seus direitos conquistados.
As greves, por exemplo, são uma ferramenta de desenvolvimento da consciência de classe, que ajuda os trabalhadores a cessarem a fragmentação e a disputa individual pela sobrevivência, impostas pelo modo de funcionamento do capitalismo, e lutarem em unidade, percebendo que seu inimigo em comum é a classe capitalista como um todo e os governos que a protegem. A luta econômica pode atrair as massas para o movimento, pois cada trabalhador e trabalhadora, individualmente, tende a se sentir isolado e impotente frente aos ataques da classe dominante. Porém, ao perceberem a possibilidade de se unirem a um movimento maior, ganham mais confiança em seu potencial coletivo.
A grave crise econômica que vem se aprofundando tem empurrado a juventude e a classe trabalhadora à luta, isso tem gerado uma profunda instabilidade política para a burguesia governar utilizando os “mecanismos normais” da democracia burguesa. Porém, para proteger seu sistema e seus interesses, a classe dominante ainda pode contar com o apoio dos dirigentes “tradicionais” da classe trabalhadora, muitas vezes, burocratas sindicais e líderes partidários ditos de esquerda, que estão acostumados com a conciliação de classes. O papel dessas direções é “entorpecer” e atrasar a consciência das massas trabalhadoras. Os comunistas são aqueles que buscam combater firmemente essas direções reformistas e burocráticas, defendendo a independência política da classe trabalhadora e construindo uma direção revolucionária capaz de levar as lutas até suas últimas consequências.
Na fase atual dos diferentes movimentos que eclodiram, é importante transformar as lutas espontâneas e fragmentadas da juventude e das diferentes categorias da classe trabalhadora, em torno de melhorias imediatas, em uma luta de classe organizada e unificada, dirigida contra a privatização e os governos privatistas de Nunes e Tarcísio. Existe um enorme potencial para isso, que pode transformar a situação no centro político do Brasil!
Para que essas mobilizações avancem e assumam um caráter verdadeiramente unificado, é necessário romper com a política de conciliação de classes imposta pelos dirigentes “tradicionais” sindicais e partidários ditos de esquerda, que buscam limitar as lutas a pressões institucionais e negociações sem enfrentamento real. Os comunistas dialogam com a juventude e os trabalhadores em defesa da verdadeira unidade na luta, capaz de derrotar os governos de Nunes e Tarcísio, barrar suas políticas de privatização e abrir caminho para uma transformação radical da sociedade. Essa unidade deve se apoiar em um programa de independência de classe e derrubada do capitalismo: um Programa por um Brasil Comunista! Nessa luta, chamamos todos a participarem do “Ato Fora Tarcísio” na próxima quarta-feira (20/05), às 14h, no Largo da Batata em São Paulo!
- Da USP ao metrô, a luta é uma só! Fora Nunes! Fora Tarcísio!
- Abaixo as privatizações, terceirizações e concessões! Serviços públicos gratuitos e de qualidade já!
- Educação não é mercadoria! Vagas e permanência estudantil para todos!
- Reajuste salarial digno e contratação de mais professores!
- Tarifa zero já! Reestatização de todas as linhas do Metrô!
- Abaixo à repressão! Fim da polícia militar!
- Por um calendário de lutas unificado!
