Revoluções, greves gerais, guerras, assassinatos e colapsos de governos. Esses foram alguns dos temas que definiram 2025, um desses anos que parecem concentrar décadas.
O mais dramático de todos foi a onda revolucionária da “Geração Z”, na qual movimentos de massa liderados por jovens tomaram as ruas de países como Nepal, Indonésia, Marrocos e outros. O movimento pela Palestina também atingiu novos patamares, com duas greves gerais na Itália convocadas em protesto contra o genocídio.
Seja provocados pela corrupção, pelo apoio governamental ao genocídio ou por ataques às condições de vida, todos esses movimentos evidenciaram a profunda raiva que se acumula contra o sistema capitalista em todo o mundo. Eles destacam o poder dos trabalhadores quando se mobilizam, o clima de indignação entre a geração jovem e, mais importante, a necessidade de uma direção revolucionária para garantir seu êxito.
Em todo o mundo, camaradas da Internacional Comunista Revolucionária (ICR) assumiram a responsabilidade e se dedicaram a construir uma organização, alicerçada na teoria marxista, capaz de intervir nos acontecimentos, com o objetivo de criar o fator que faltava: o partido da revolução socialista mundial. Aqui, destacamos alguns dos principais acontecimentos do trabalho da ICR durante o último ano.
O primeiro congresso da ICR
Para compreender a crise sem precedentes do capitalismo que estamos vivenciando, na qual toda a ordem hegemônica dos EUA no pós-guerra começa a ruir, mais de 350 dirigentes comunistas da ICR se reuniram na Itália para o primeiro Congresso Mundial da ICR, realizado no início de agosto.
Foi exibido pela primeira vez no congresso “Os Comunistas Estão Chegando: um Manifesto Visual”, um documentário de longa-metragem produzido pela ICR que destacou nosso primeiro ano de existência. O filme foi um êxito estrondoso, acumulando mais de 40.000 visualizações no YouTube e estreando em mais de 20 locais lotados em mais de 15 países.
Dois dias foram dedicados à discussão de perspectivas mundiais, nos quais os camaradas aprofundaram nossa compreensão das questões fundamentais da atualidade: o declínio relativo do imperialismo estadunidense, a natureza do regime Trump, a mudança nas relações entre as potências imperialistas em todo o mundo e a ascensão de novos rivais do imperialismo estadunidense, como a Rússia e, principalmente, a China.
Os números falam por si mesmos. O congresso foi assistido online por mais de 2.500 camaradas e em mais de 60 sessões de transmissão ao vivo realizadas em todo o mundo. Na arrecadação financeira, foram angariados mais de € 500.000, além de US$ 5.000 em livros vendidos, o que demonstra o compromisso e a dedicação dos nossos camaradas em aprofundar o seu conhecimento da teoria marxista.
Foi realizada uma discussão especial sobre a história da Quarta Internacional e, em particular, sobre a vida, as ideias e o legado de Ted Grant, fundador da nossa organização. Após o assassinato de Trotsky em 1940, os líderes da Quarta Internacional mostraram-se incapazes de aplicar o método marxista à nova conjuntura mundial pós-Segunda Guerra Mundial. Consequentemente, mergulharam em erros teóricos e sectarismo.
Em meio às condições adversas da ascensão do capitalismo mundial, somente Ted Grant manteve acesa a chama do marxismo, preservando as genuínas tradições do bolchevismo para as gerações futuras e oferecendo análises inestimáveis do período pós-guerra. Estamos sobre os ombros de gigantes, e por isso é vital que compreendamos essa rica história.
Como parte disso, republicamos o livro de Ted Grant, The History of British Trotskyism [A História do Trotskismo Britânico], ampliado e com nova introdução, e que foi o livro mais vendido no Congresso.
Também estamos publicando um novo terceiro volume das obras completas de Ted Grant, juntamente com novas edições dos dois primeiros volumes. O novo volume abrange os anos de 1945-46, período em que Ted analisou a nova ordem mundial, alicerçada no domínio do imperialismo estadunidense, que se consolidava após o fim da guerra.
Esses escritos adquirem um novo significado hoje, em que o declínio relativo do imperialismo estadunidense se alia ao desmantelamento dessa mesma ordem mundial. Esses volumes representam um tesouro do método marxista, e todos os camaradas devem encomendar a coleção completa para compreender os processos que se desenrolam atualmente. As pré-encomendas podem ser feitas aqui.
Internacionalismo em ação
Pouco antes do Congresso Mundial, em maio, camaradas de toda a Internacional se mobilizaram em uma campanha de solidariedade internacional exigindo a libertação dos dirigentes do Comitê de Ação Popular de Gilgit-Baltistão (AAC-GB), que foram presos pelo Estado paquistanês. Gilgit-Baltistão é tratado como uma colônia pelo governo paquistanês, e a região é saqueada de seus ricos recursos, enquanto seu povo tem seus direitos democráticos básicos negados e vive em condições de pobreza desesperadoras.
O AAC-GB desempenhava um papel de direção nos movimentos de massa contra a repressão do Estado paquistanês na região, lutando por reivindicações como a redução dos preços dos alimentos. Ehsan Ali, um dos principais camaradas do Partido Comunista Inqalabi (Revolucionário), a seção paquistanesa da ICR, foi vítima dessa repressão estatal. Os presos sofreram tortura e ameaças contra suas famílias por vários meses. No final, um total de 16 ativistas foram presos.
Em todo o mundo, camaradas protestaram em frente a embaixadas, escreveram para vozes influentes no movimento operário e aprovaram moções em organizações de trabalhadores para pressionar o regime paquistanês a libertar os prisioneiros.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, camaradas do Partido Comunista Revolucionário (PCR) aprovaram uma moção de solidariedade com o AAC-GB na conferência nacional do sindicato Unite, que representa mais de um milhão de trabalhadores no país.
Toda a Internacional se mobilizou para um dia de ação em 30 de julho, em que camaradas de toda a Internacional protestaram em frente a embaixadas e consulados. Ao todo, nossos camaradas mobilizaram-se em 26 cidades em 15 países diferentes, exigindo a libertação dos presos políticos do AAC-GB.
A campanha foi um êxito e todos os presos políticos foram libertados sob fiança, embora a luta pela absolvição continue. Apesar do nosso modesto tamanho, conseguimos fazer-nos ouvir com muito mais força do que a nossa própria voz, demonstrando o poder que mesmo um pequeno grupo pode ter se estiver corretamente organizado e baseado nos princípios corretos.
De força em força
No ano passado, muitas seções da ICR se refundaram como Partidos Comunistas Revolucionários, a fim de aproveitar a crescente radicalização existente em uma certa camada da sociedade. Como podemos medir o êxito dessa mudança? Bom, o pudim se prova comendo.
Desde 2023, crescemos de 4.551 membros para 7.127 internacionalmente, organizados em mais de 24 seções, e muitos outros grupos estão interessados em se tornar seções oficiais da ICR.
Nos EUA, de maio de 2023 a maio de 2025, o número de membros dos Comunistas Revolucionários da América (RCA) mais que dobrou. Em seu congresso deste ano, realizado de 31 de maio a 1º de junho, 460 comunistas se reuniram na Filadélfia para discutir a situação política nos EUA e as tarefas do RCA. Querendo construir sobre as bases mais sólidas possíveis, mais de US$ 28.000 em livros e panfletos foram vendidos durante o fim de semana.
No berço do Macartismo e do medo ao comunismo, uma organização comunista tão grande e jovem não poderia deixar de provocar uma reação dos bilionários, gerando matérias sensacionalistas em veículos de notícias burgueses como a Fox News e o Wall Street Journal. Com inimigos como estes, os camaradas claramente estão fazendo algo correto.
Logo ao sul da fronteira, nossos camaradas no México lançaram o Partido Comunista Revolucionário nos dias 10 e 11 de outubro. Com a presença de mais de 200 comunistas, vindos de 17 estados do país, este foi o maior evento já realizado por nossos camaradas mexicanos. Demonstrando a determinação dos camaradas, mais de US$ 4.300 foram arrecadados antes do evento para financiar o fim de semana, tudo graças aos esforços individuais e coletivos dos camaradas.
Adicionalmente, foram arrecadados mais US$ 9.220 em doações e US$ 1.460 com a venda de material político, garantindo que o PCR no México fosse fundado sobre bases sólidas. Os camaradas celebraram o lançamento do partido com uma impressionante marcha pelas ruas da Cidade do México. Com essas fortes bases, a seção mexicana cresceu rapidamente e já ultrapassou a marca de 500 membros!
Na Irlanda, os Comunistas Revolucionários da Irlanda realizaram seu segundo congresso nos dias 5 e 6 de abril, tendo sido estabelecidos como organização apenas no ano passado. Em apenas um ano, os camaradas já alcançaram cerca de 80 membros ativos, lançaram seu próprio site, contrataram seus dois primeiros liberados e alugaram uma sede em Dublin pela primeira vez. Mais de € 10.700 foram arrecadados para o partido em sua coleta, além de € 850 em publicações. Agora, os camaradas estão se esforçando para alcançar os primeiros 100 membros da ICR até o próximo congresso, em abril!
No país onde o movimento palestino teve sua expressão mais marcante em outubro, nossos camaradas italianos realizaram seu primeiro congresso em abril deste ano, após fundarem seu próprio partido comunista revolucionário no ano passado. Duzentos e quinze camaradas se reuniram para fazer um balanço do ano anterior, no qual recrutaram mais de cem novos membros para o partido, em escolas, universidades e locais de trabalho, principalmente entre os jovens.
Houve muitos congressos para que possamos mencioná-los individualmente, mas um congresso final que merece destaque é o do Brasil. De 20 a 23 de novembro, camaradas da ICR no Brasil se reuniram para um congresso de emergência com o objetivo de fundar uma nova seção brasileira da Internacional, juntamente com uma escola de quadros.
Isso ocorreu depois que a maioria da antiga direção se separou da ICR alguns meses antes, recusando-se a debater suas divergências com as perspectivas da Internacional. O clima entre os camaradas era de entusiasmo e determinação para construir; eles já cresceram 30% desde a separação e arrecadaram US$ 5.625 na coleta, valor superior ao arrecadado no ano anterior, quando faziam parte de uma organização maior.
Para fundar essa nova seção nos princípios genuínos do marxismo, os camaradas lançaram, pela primeira vez, uma edição em português de A História da Filosofia: uma Perspectiva Marxista, de Alan Woods (que inclui uma introdução inédita). Eles também dedicaram uma sessão inteira ao legado de Ted Grant e ao colapso da Quarta Internacional.
Os camaradas podem ler o relatório completo aqui, pois ele detalha os debates ocorridos na seção brasileira e as tradições de Ted Grant, sobre as quais eles se orgulham de construir atualmente.
Os camaradas da ICR não têm medo de demonstrar seu comprometimento com ações concretas; o zelo com que construímos a Internacional ao longo do último ano pode ser visto nas impressionantes arrecadações financeiras realizadas pelas diferentes seções em seus respectivos congressos.
No congresso nacional britânico, foram arrecadadas £ 140 mil em contribuições e mais £ 4 mil por mês em elevação de cotas dos camaradas. Na Suécia, arrecadaram € 74 mil. Os camaradas iugoslavos arrecadaram quase € 10 mil. Na Finlândia, em seu congresso de fundação, arrecadaram € 2,3 mil. Os camaradas norte americanos arrecadaram mais de US$ 20 mil somente com a venda de livros e superaram a meta de arrecadar US$ 450.000 até o final de 2025. Esses números mostram que nosso crescimento não é apenas numérico. Ele se reflete em toda a comunidade internacional na disposição de fazer sacrifícios e superar todos os obstáculos.
O que também é importante sobre o nosso crescimento recente é que ele se deu principalmente entre os jovens. Como demonstraram eventos como as revoluções da Geração Z, são os jovens que estão liderando o caminho; um número maior do que nunca de jovens está chegando a conclusões radicais e se mostrando aberto a ideias revolucionárias comunistas.
É imprescindível que consigamos conquistar os melhores desses jovens, educá-los nas ideias e tradições do marxismo e transformá-los em quadros comunistas. Recrutar jovens é, portanto, a força motriz de qualquer partido revolucionário que se preze. Estamos transformando esse potencial revolucionário latente em uma força organizada e disciplinada.
Teoria revolucionária
Recrutar é importante, mas não terá valor algum se a organização não estiver alicerçada na teoria marxista. É por isso que nos dedicamos a compreender e defender as ideias genuínas do marxismo e a formar uma nova geração de comunistas alicerçada nelas.
Uma de nossas ferramentas mais eficazes para alcançar esse objetivo é o site da ICR, marxist.com. Buscamos produzir a análise marxista mais precisa possível, tanto sobre os principais eventos que ocorrem no mundo, quanto sobre teoria, história, cultura e muito mais. Para tanto, publicamos mais de 1.000 artigos em mais de 35 idiomas.
Desde setembro, marxist.com registrou um aumento de 30% no número de acessos e de 36% no número de novos visitantes. Isso coincide com a aceleração dos eventos mundiais que ocorreram desde então: do assassinato de Charlie Kirk no início de setembro à agressão dos EUA contra a Venezuela; das revoluções da Geração Z à humilhação do ocidente na Ucrânia. Marxist.com produziu artigos de alta qualidade sobre todos esses eventos importantes – e muito mais – oferecendo uma análise marxista de vanguarda dos principais processos que ocorrem no mundo atualmente.
Ao longo dos anos, temos sofrido com a queda no número de leitores provenientes de resultados de buscas orgânicas (busca não-paga), enquanto o número de leitores que acessam o site diretamente se manteve estável ou aumentou. Há pouco que possamos fazer para controlar os gigantes dos mecanismos de busca ou das redes sociais, cujos algoritmos, naturalmente, não favorecem veículos como o nosso, que defendem uma revolução contra o sistema!
No entanto, o aumento expressivo de leitores que observamos em meio à conturbada conjuntura mundial comprova a autoridade política que nosso site conquistou ao longo dos anos, e a reputação que conquistamos entre dezenas de milhares de trabalhadores e jovens por nossas análises e teorias de grande precisão.
Também avançamos muito este ano com nossos podcasts, “Against the Stream” e “The Spectre of Communism“, que abordam, respectivamente, atualidades e teoria. No final de setembro, os dois podcasts alcançaram um milhão de reproduções no total! Nossas ideias estão atingindo um amplo público como nunca antes.
Mas, quando se trata de formação, nada substitui o estudo aprofundado da teoria marxista, mergulhando de cabeça em um livro. Nossa editora internacional, Wellred Books, portanto, é um pilar fundamental do nosso trabalho.
Este ano, foram publicadas novas versões de “O que é Marxismo?” e dos dois volumes da série “Clássicos do Marxismo” (os três em inglês – nota do tradutor), contendo obras de Marx, Engels, Lenin e Trotsky, com conteúdo atualizado e novas introduções (e novas e impactantes capas). Essas obras são essenciais para explicar a relevância das ideias revolucionárias do marxismo para o mundo atual e para despertar o interesse de novos camaradas a se dedicarem ao estudo dessas ideias.
A republicação do primeiro volume dos Clássicos foi acompanhada por um lançamento do livro em Londres, que foi transmitido online e assistido por camaradas em todo o mundo.
Em maio, publicamos Democracia, Bonapartismo e Fascismo: A Luta de Classes na Década de 1930 (também em inglês), uma coletânea de artigos de Leon Trotsky e Ted Grant, que oferece uma análise científica dos anos turbulentos entre as duas guerras mundiais. O período entre guerras foi uma época de revoluções e contrarrevoluções, na qual a democracia burguesa viveu uma profunda crise. Isso culminou com a ascensão do fascismo na Alemanha.
Os escritos desse período desses dois gigantes da teoria são inestimáveis para os comunistas de hoje, especialmente porque muitos na esquerda – como a fábula do menino que gritava: é o lobo! – veem a ascensão do fascismo em cada esquina. Este livro armará os camaradas com o método correto para compreender o mundo atual.
Também foi publicado no início do ano por nossos camaradas nos EUA, o livro “Colossus: The Rise and Decline of US Imperialism” (Colosso: A Ascensão e o Declínio do Imperialismo Americano), de John Peterson. O livro aborda a ascensão e o relativo declínio do imperialismo americano, aplicando a metodologia do marxismo – em particular os escritos de Lenin sobre o imperialismo – a esse processo. Uma tradução para o espanhol também foi produzida por nossos camaradas mexicanos. O relativo declínio do imperialismo americano é uma das características definidoras da situação atual; este livro é de leitura obrigatória.
Outra importante obra produzida pela ICR no ano passado, Em Defesa de Lenin, de Rob Sewell e Alan Woods, também foi traduzida este ano para o espanhol e o russo. Essas traduções serão inestimáveis para levar as ideias genuínas do marxismo aos comunistas em todo o mundo.
E por último, mas certamente não menos importante, temos a revista Em Defesa do Marxismo, a publicação teórica trimestral da Internacional. A revista deste ano abordou uma ampla gama de tópicos, ilustrando a abrangência teórica do marxismo.
Isso inclui temas históricos, como a Guerra dos Camponeses Alemães e o fim da Segunda Guerra Mundial; questões de filosofia, como a crise da ciência na atualidade e uma crítica ao livro Sobre a Contradição, de Mao; e cultura, com resenhas sobre temas que vão do cinema italiano da década de 1940 ao Fausto de Goethe.
Ao contrário das caricaturas que se fazem dos marxistas, não somos economistas vulgares, interessados apenas em questões “práticas” como greves e reivindicações salariais. Como demonstra nossa produção educacional, os verdadeiros marxistas têm um interesse ativo em todas as facetas da história humana, cultura, filosofia, ciência e muito mais. Nossa tarefa não é dizer aos trabalhadores o que eles já sabem, mas sim ampliar seus horizontes para os muitos campos que lhes são negados pela monotonia da sociedade capitalista.
Escolas de comunismo
A educação não é apenas um ato individual, mas também coletivo. Camaradas de toda a Internacional realizaram escolas de comunismo ao longo do ano, concebidas como campos de treinamento para o desenvolvimento de revolucionários.
A maior escola, ou evento, realizado foi o Revolution Festival na Grã-Bretanha, de 14 a 16 de novembro, em Londres. 1.200 comunistas lotaram salas para 33 sessões diferentes, sobre temas que variaram da história da resistência palestina à Reforma Protestante. O entusiasmo e a dedicação dos camaradas presentes podem ser comprovados pelo fato de que £ 134 mil foram arrecadados na coleta, destinados à construção do Partido Comunista Revolucionário.
Nos EUA, os camaradas da RCA organizaram três escolas marxistas de outono em Los Angeles, Chicago e Nova York. No total, quase 700 comunistas participaram de uma escola da RCA neste outono.
Em meio a difíceis condições econômicas, fortes chuvas e inundações, mais de 300 comunistas se reuniram no Paquistão em meados de agosto para a sua “Escola Comunista 2025“. O camarada Ehsan Ali, que havia acabado de passar meses na prisão e adoecido gravemente em consequência disso, foi libertado um dia antes do início da escola e compareceu diretamente ao evento, juntamente com outros camaradas de Gilgit-Baltistão!
No Canadá, a Escola de Inverno de Montreal reuniu mais de 600 comunistas em meio a uma nevasca para estudar os pilares do comunismo. Mais de 1.000 livros e brochuras foram vendidos ao longo do fim de semana, e US$ 25 mil foram arrecadados na noite de sábado durante a coleta.
Na Suécia, durante o recente curso “Comunismo e Revolução 2025“, os camaradas lançaram a nova edição em sueco do primeiro volume de “Stalin“, de Leon Trotsky. Finalmente publicado em sua versão mais completa, organizada pela ICR, em inglês em 2016, “Stalin” oferece aos camaradas uma obra magistral que analisa cientificamente a degeneração da Revolução Russa e o papel do indivíduo na história. Em sintonia com o entusiasmo presente, os camaradas arrecadaram um pouquinho menos de £32 mil.
Na Suíça, foram realizadas duas escolas em novembro. Uma para falantes de alemão e uma Escola Marxista Internacional para falantes de francês. Juntas, elas receberam mais de 350 camaradas e apoiadores interessados em se juntar a nós, arrecadaram mais de £ 13,5 mil em contribuições e venderam £ 4,3 mil em livros e outras publicações.
Do outro lado da fronteira, na Alemanha, o “Seminário Karl Marx” foi um grande êxito. Com 240 participantes, foi o maior evento desse tipo até o momento!
Não é exagero dizer que você não encontrará eventos como esses – e as inúmeras outras escolas que não foram mencionadas – em nenhum outro lugar do mundo. Em termos de clareza política, de aguçamento de suas ideias e de otimismo revolucionário que as acompanha, são incomparáveis.
Pintando a cidade de vermelho
A teoria marxista não é um dogma sem vida, mas um guia para a ação. Nossos camaradas não apenas se instruíram nessas ideias, mas as levaram para a luta de classes, nas escolas, nos locais de trabalho, nas universidades e nas ruas.
Assim como em 2024, o genocídio israelense em Gaza serviu como catalisador para grande parte da raiva acumulada na sociedade. 2025 testemunhou uma escalada significativa desse movimento, que atingiu seu ápice no final de setembro e início de outubro, com milhões de trabalhadores e jovens nas ruas em protesto. Diversos setores da ICR se mobilizaram com força.
Na Itália, o Partito Comunista Rivoluzionario (PCR) esteve ativo em 40 manifestações por todo o país. Em Roma, onde meio milhão de pessoas participaram da marcha, o PCR formou um bloco com mais de 200 militantes e simpatizantes do partido. Ao longo de duas semanas, no final de setembro, o PCR contactou 350 potenciais militantes para o partido e vendeu mais de 8.000 exemplares de seu jornal, Rivoluzione, o que os obrigou a imprimir uma segunda tiragem.
Na Espanha, onde de 2 a 5 de outubro mais de dois milhões de pessoas foram às ruas (1,3 milhão apenas no dia 4 de outubro), mais de 60 camaradas e apoiadores da Organização Comunista Revolucionária participaram do movimento em 11 cidades diferentes. Ao entrar em contato com nossos camaradas, mais de 60 pessoas nos forneceram seus dados, demonstrando interesse em saber mais sobre como ingressar na ICR.
Na Grã-Bretanha, o Partido Comunista Revolucionário mobilizou um bloco de mais de 400 comunistas para uma manifestação nacional em defesa da Palestina, na qual meio milhão de pessoas foram às ruas de Londres. Seguindo o exemplo dos trabalhadores franceses e italianos, os camaradas carregavam uma faixa feita à mão com os dizeres: “Bloquear tudo pela Palestina! Lutar pela revolução!”.
Você pode ler um relatório completo das mobilizações dos camaradas para esses protestos aqui.
O caráter internacional desses movimentos e a forma como os trabalhadores em cada país claramente aprenderam com as experiências uns dos outros – adotando palavras de ordem como “bloquear tudo”, por exemplo – ressalta a importância de construir um partido revolucionário internacional.
Nossa Internacional orgulhosamente se envolveu com o movimento pró-Palestina desde o início. E, particularmente desde 2023, nossos camaradas têm sido vilipendiados e atacados por diversos estados burgueses por nossa postura intransigente.
Na Alemanha, por exemplo, dois camaradas foram investigados pela polícia no final de 2023 por exibirem cartazes com os dizeres “Liberdade para a Palestina! Intifada até a vitória!”. Mas isso não intimidou nossos camaradas, que conduziram uma campanha que durou cerca de um ano e meio para que as acusações fossem retiradas. Nas universidades e no próprio movimento, nossos camaradas arrecadaram mais de € 9 mil para cobrir os custos legais.
Essa abordagem militante deu frutos, os camaradas foram absolvidos em julho deste ano. Isso demonstra que, apesar de nosso tamanho modesto, somos capazes de causar impacto, com base em uma postura inflexível em relação à teoria e aos princípios. Essa foi uma vitória tanto para nossos camaradas quanto para o próprio movimento palestino, e estabelece o tom de como reagir à repressão estatal.
O dia 1º de maio é marcado pelo Dia Internacional dos Trabalhadores, tradicionalmente usado para demonstrar a força do movimento operário em todo o mundo. Mas, enquanto o mundo é atualmente definido por uma polarização em massa, grande parte da “esquerda” lamenta a virada de camadas da classe trabalhadora em direção a populistas de direita como Trump como uma grande guinada rumo ao “fascismo”.
O que eles não percebem é que essa suposta “guinada à direita” é, na verdade, uma expressão distorcida da raiva acumulada na sociedade, precipitada pela incapacidade desses mesmos “esquerdistas” de lhes oferecer uma voz genuína. Além disso, essa é apenas uma faceta de um quadro mais amplo de polarização. Há uma rejeição generalizada a todos os partidos da classe dominante; ser visto como ligado ao “sistema” de alguma forma é considerado como um veneno eleitoral.
Enquanto a “esquerda” oficial se acomodava, lambendo suas feridas, a ICR interveio decisivamente nas manifestações do Primeiro de Maio em diversos países. A clareza de nossas ideias e nosso tom de otimismo revolucionário, baseado em nossa compreensão científica da sociedade, conectaram-se com muitos dos participantes mais influentes dessas marchas, que já estavam percebendo a necessidade de romper com o capitalismo.
Na Dinamarca, nossos camaradas se propuseram a resgatar as tradições radicais do Primeiro de Maio, já que as direções reformistas e sindicais o esvaziaram de qualquer conteúdo político. Contra a política insípida do restante da “esquerda”, as ideias revolucionárias de nossos camaradas se destacaram como um farol para os trabalhadores e jovens radicais nas manifestações. No total, os camaradas venderam 230 livros – demonstrando a sede por ideias genuinamente revolucionárias – e conseguiram o contato de mais de 100 pessoas interessadas em se juntar a nós!
Na Alemanha, em meio à campanha para limpar o nome de dois camaradas perseguidos, nossos camaradas arrecadaram mais de € 2,5 mil em doações para financiar a campanha, apenas com a manifestação do Dia do Trabalho. Eles também conseguiram o contato de mais de 70 pessoas interessadas em se juntar ao partido.
Na Polônia – um país com fortes restrições legais a qualquer coisa remotamente associada ao comunismo – nossos camaradas encontraram 20 pessoas interessadas em se juntar ao grupo e as convidaram para uma escola de formação.
Na Suécia, os camaradas se mobilizaram por todo o país, vendendo mais de 500 exemplares de seu jornal, Revolution, e obtendo o contato de quase 80 potenciais comunistas.
Nos EUA, outras 75 pessoas se inscreveram para saber mais sobre como participar da ICR e arrecadaram US$ 1,1 mil em poucas horas com a venda de seu jornal e literatura revolucionária.
Os camaradas austríacos se mobilizaram para 19 manifestações diferentes em todo o país, venderam 929 exemplares de seu jornal e arrecadaram € 1.800 a mais para o partido em doações do que no ano passado!
Apenas uma semana antes do Dia do Trabalho, nossos camaradas italianos se mobilizaram em massa em 25 de abril para o 80º aniversário da libertação da Itália do fascismo. Apesar de o governo ter feito tudo o que pôde para sabotar essas manifestações (como prolongar o “período de luto” pelo Papa Francisco para incluir o dia 25 de abril), centenas de milhares foram às ruas naquele dia, e nossos camaradas se mobilizaram em 49 locais diferentes.
Mais de 2.000 exemplares do Rivoluzione foram vendidos em todo o país e mais de € 5.000 foram arrecadados para o partido. Sem dúvida, os camaradas foram incentivados pela edição 49 da revista Em Defesa do Marxismo, que apresentava um excelente artigo sobre o movimento revolucionário que derrubou o fascismo na Itália e como ele foi traído por sua direção.
No Paquistão, onde os sindicatos e os direitos dos trabalhadores estão sofrendo ataques por parte do governo, e serviços como hospitais e escolas estão sendo privatizados em massa, nossos camaradas se organizaram e se mobilizaram para eventos do Dia do Trabalho em 24 cidades do país.
Paralelamente a isso, nossos camaradas paquistaneses estiveram em campo na Caxemira ocupada, lutando pelas demandas dos Comitês de Ação Popular (AAC), que dirigiram um movimento de massa exigindo coisas como eletricidade e farinha mais baratas, além de se manifestarem contra os privilégios da elite dominante. Os AACs provaram ser fundamentais para unir lutas diferentes em toda a região.
Nossos camaradas desempenharam um papel crucial na organização dos AACs por mais de quatro anos e foram os primeiros a tomar a iniciativa de criá-los. Desde então, eles têm lutado para fortalecê-los e armá-los com um programa revolucionário.
Seja no movimento pela Palestina, nas greves, nos movimentos de massa contra a corrupção ou em qualquer outro gatilho de protesto do último ano, nossos camaradas estiveram presentes. A medida do êxito de nossa Internacional no próximo período será se conseguiremos ou não atrair as melhores camadas desses movimentos, em sua maioria jovens, para a nossa bandeira e treiná-las para se tornarem bolcheviques. 2025 demonstrou que já estamos nesse processo.
O mundo virou de cabeça para baixo
Nosso documento de perspectivas mundiais deste ano foi intitulado “O mundo virou de cabeça para baixo – um sistema em crise“, uma frase popularizada por uma balada dos tempos eufóricos da Revolução Inglesa que oferecia “uma breve descrição das modas ridículas destes tempos conturbados”.
Essa foi uma época em que instituições aparentemente eternas, como a Igreja e a monarquia – dizia-se que o Rei agia com a autoridade do próprio Deus – estavam ruindo e sendo varridas do mapa. Príncipes e lordes eram derrotados no campo de batalha por camponeses e trabalhadores, novas religiões que profetizavam o fim do mundo floresciam, e reis estavam, literalmente, perdendo a cabeça.
Em tal situação, a sensação era de que o mundo havia sido virado de cabeça para baixo. Mas, é claro, isso não refletia o fim do mundo, mas sim os últimos dias do feudalismo.
Hoje, nos deparamos com cenas semelhantes: palácios incendiados por operários e jovens, sob uma bandeira de um anime; partidos políticos que governaram por décadas perdendo apoio, cedendo espaço a populistas de direita como Trump e Farage; e pilares da ordem mundial que predominaram por 80 anos sendo desmantelados diante de nossos olhos. Para muitos, o mundo hoje pode parecer ter enlouquecido.
Mas, mais uma vez, o que testemunhamos não é o fim do mundo, mas o aprofundamento da crise do sistema capitalista. Assim como o feudalismo antes dele, o capitalismo também há muito cumpriu seu papel histórico e agora se tornou um obstáculo ao desenvolvimento.
A Internacional Comunista Revolucionária (ICR) existe precisamente para destruir esse sistema ultrapassado, para criar um partido mundial da revolução socialista, capaz de garantir o êxito dos grandes eventos revolucionários que se avizinham, dos quais já estamos testemunhando o prelúdio.
Ao longo do último ano, demos passos importantes nessa empreitada, que estão lançando as bases para avanços ainda maiores no futuro. Mas ainda não somos fortes o suficiente. E, como os recentes eventos revolucionários demonstraram, sem uma direção revolucionária disposta a ir até o fim, esses movimentos, por mais heroicos que sejam, fracassarão.
A ICR está construindo essa direção. Junte-se a nós hoje e, juntos, vamos transformar o mundo.
