O sequestro de Nicolás Maduro e a subsequente coletiva de imprensa de Donald Trump e Marco Rubio representam uma declaração de guerra contra a América Latina e uma ameaça direta aos governos reformistas eleitos na Colômbia e no México.
Durante a coletiva de imprensa e em declarações posteriores, Trump afirmou que o presidente colombiano Petro deveria “ter cuidado”, pois a Colômbia está sendo “controlada por um louco que envia cocaína para os Estados Unidos”. Fica claro que a Casa Branca quer aumentar a pressão sobre Bogotá como parte de sua estratégia para restabelecer a dominação do imperialismo norte-americano no Hemisfério Ocidental.
As reformas de Petro (especialmente os aumentos salariais) ameaçam os lucros das multinacionais norte-americano que operam em território colombiano. Essas reformas, juntamente com o aumento do comércio entre a China e a Colômbia, são os motivos por trás das ameaças contra o governo.
Ao longo do último ano, a oligarquia colombiana revelou sua submissão ao imperialismo norte-americano. Nesta ocasião, seus mais altos representantes, como Lina Maria Garrido (senadora pelo partido Cambio Radical), declararam seu apoio a um ataque dos EUA, afirmando: “Bem-vindo à #Colômbia, Presidente @POTUS. O povo colombiano o aguarda ansiosamente. Por favor, não demore muito.”
A resposta de Gustavo Petro é louvável. Em 4 de janeiro, Petro declarou que “se prenderem o presidente [da Colômbia]… soltarão a onça-pintada popular” e pediu “ao povo que defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele. A maneira de me defender é tomar o poder em todas as cidades do país.”
Concordamos enfaticamente. Somente as massas colombianas podem se organizar para se defender de um possível ataque do imperialismo norte-americano.
Petro também pediu à ONU que condene esses ataques. Não temos ilusões quanto ao chamado direito internacional ou às instituições multilaterais que o imperialismo norte-americano tem usado há décadas para justificar suas intervenções militares, golpes de Estado e sanções. A ONU não passa de um fórum vazio de debates. Quantas resoluções ela aprovou contra o bloqueio norte-americano a Cuba? Nenhuma foi implementada.
A única maneira de se defender dessas ameaças do imperialismo norte-americano é por meio da organização armada da classe trabalhadora e do campesinato. Para tanto, é necessário organizar conselhos de defesa de bairro, com dirigentes nomeados e eleitos pelas massas, bem como treinar imediatamente voluntários para defender a classe trabalhadora e o campesinato de uma possível invasão militar.
É também imperativo expropriar imediatamente as multinacionais norte-americanas e as empresas de bilionários colombianos que, abertamente (ou clandestinamente), convidaram as forças norte-americanos a invadir a Colômbia. Em outras palavras, esses oligarcas estão dispostos a sacrificar o máximo de sangue colombiano possível para defender suas riquezas e privilégios.
A defesa da soberania colombiana reside unicamente nas mãos da classe trabalhadora e do campesinato colombianos. As massas são a única força disposta a lutar até o fim. A classe capitalista colombiana está atrelada ao imperialismo norte-americano por mil fios. Sua única função é gerir os interesses locais de Washington.
Uma resistência séria e bem organizada contra a intimidação e a agressão imperialista na Colômbia deve ser combinada a um apelo internacionalista às massas de trabalhadores e camponeses em toda a América Latina, apelo esse que certamente encontraria eco. Tal movimento deveria também estender uma mão amiga à classe trabalhadora nos EUA, convocando-a a romper com sua própria classe capitalista.
Como comunistas revolucionários, nosso dever é estar na linha de frente, lutando ombro a ombro com nossa classe. Mas esta luta não é em defesa do status quo ou do sistema capitalista colombiano, cujos representantes acolhem esta invasão de braços abertos. Esta luta é pelo socialismo e pelo poder da classe trabalhadora. Se a classe trabalhadora colombiana assumir o controle dos altos escalões da economia, poderá se defender da invasão e abrir caminho para que as classes trabalhadoras da América Latina lutem abertamente por uma federação socialista das Américas.
Tirem as Mãos da América Latina!
Abaixo a Oligarquia Vende Pátria!
Abaixo o Imperialismo Norte-Americano!
