No último fim de semana, 1.200 comunistas reuniram-se para o Revolution Festival 2025, o maior evento abertamente comunista na Grã-Bretanha em décadas. O otimismo revolucionário e clareza teórica fizeram deste um evento histórico.
O Revolution Festival 2025 foi fenomenal. Este foi o maior evento comunista na Grã-Bretanha em décadas.
A energia da juventude, um desejo ardente de estudar o marxismo, otimismo revolucionário e uma clareza teórica incomparável estiveram presentes na “Escola do Comunismo” do último fim de semana.
Os números falam por si: 1.188 ingressos foram vendidos, resultando em salas lotadas em todas as 33 sessões, e uma quantia recorde de £365.000 foi arrecadada para o fundo de luta do Partido Comunista Revolucionário (PCR).
Além disso, foi anunciado no comício de sábado que o PCR ultrapassou a marca de 1.300 membros na Grã-Bretanha – o nosso maior número de membros até hoje.
Como observou Ash, militante do PCR de Bristol: “Mesmo chegando 10 ou 15 minutos antes de uma sessão, você corria o risco de não conseguir um lugar vazio, porque a sala já estava lotada de pessoas ansiosas para garantir um lugar!”
Esther, de Reading, que participava pela primeira vez, descreveu o fim de semana como “um daqueles eventos que sei que me marcarão para a vida toda”.
“Acho que subestimei a sensação incrível de estar em uma sala cheia com mil camaradas, vendo e conhecendo tantas pessoas que querem lutar pela mesma causa que você.”
Além dos participantes de toda a Grã-Bretanha, recebemos delegações de outras 19 seções e grupos da Internacional Comunista Revolucionária (ICR): da antiga Iugoslávia, do Estado espanhol, do Canadá, da Irlanda, da Dinamarca, do Brasil e de outros países.
Na abertura do Festival na sexta-feira à noite, Alan Woods comentou sobre o quanto avançamos como uma Internacional:
“Ingressei nesta organização em 1960… mas durante a maior parte desse tempo estivemos lutando contra a corrente. Na maior parte do tempo, não conseguíamos fazer nada certo, e os capitalistas não conseguiam fazer nada errado.
“Pela primeira vez na história que me lembro, a maré está virando a nosso favor.”
Todo o fim de semana foi uma comprovação disso.
“Você não encontra isso em nenhum outro lugar.”
Ao longo de 33 sessões, o Festival Revolução deste ano abordou desde os fundamentos da teoria marxista até o papel de figuras como Malcolm X, Mao Tsé-Tung e Fidel Castro, passando por temas históricos como a Reforma Protestante, a Guerra Civil Espanhola e a história da resistência palestina.
Em cada uma dessas sessões, o objetivo das discussões não era apenas recontar detalhes do passado, mas compreender os processos por trás deles – e as lições que eles nos oferecem hoje.
Tasha, de Cambridge, ficou impressionada: “O nível de análise, a profundidade do conhecimento adquirido – eu estava sentada lá e pensava: ‘você não encontra isso em nenhum outro lugar’”.
A ampla gama de tópicos oferecidos foi notada por muitos participantes este ano. Alguns na esquerda tentam reduzir o marxismo a questões “triviais”. Mas isso é alheio ao espírito do marxismo, que considera todos os aspectos da sociedade merecedores de estudo – incluindo as artes e as ciências.
Nossas sessões sobre arte surrealista, sobre a obra pioneira do compositor soviético Dmitri Shostakovich, bem como a crise na cosmologia, tiveram uma participação extremamente alta. Foi uma refutação completa da ideia de que o marxismo é um dogma árido e reducionista em termos de classe.
Ao apresentar a sessão sobre o surrealismo, Will Collins, membro do Comitê Central, citou o surrealista americano Franklin Rosemont:
“Devemos presumir que os trabalhadores não sonham, não amam, não imaginam, não enlouquecem? E que esses problemas devem estar fora da esfera de interesse marxista?”
Em seu resumo, Will refletiu sobre as revoluções burguesas, que levaram a uma explosão artística, apenas com a libertação de 1% da população:
“Imaginem o que seremos capazes de fazer libertando os outros 99%. Poderíamos ter Einsteins, Trotskys e André Brettons em cada esquina. É por isso que estamos lutando.”
Esses talentos artísticos e criativos dos membros do PCR também estavam em exibição nos produtos oferecidos, que incluíam uma pintura a óleo de Ted Grant, um amigurumi (técnica japonesa de crochê ou tricô para criar pequenos bonecos de pelúcia -NdT) de Karl Marx feito à mão, gorros e balaclavas de crochê do PCR, velas de Lenin e pratos de cerâmica artesanais – para citar apenas alguns!

Além disso, o evento social de sábado à noite incluiu duas apresentações incríveis de nossas bandas de rock da casa, Apes e The Vanguard.
Desejo de aprender
O Revolution Festival estava longe de ser uma escola interna do partido. Mais de 100 participantes eram novatos no PCR, e muitos deles compareceram após terem visto cartazes nas ruas. Entre eles, Millie, uma estudante universitária, que nos comentou:
“Eu estava interessada em me tornar mais ativa e me envolver mais, então foi isso que me atraiu inicialmente. Minha experiência com o evento foi realmente muito boa. Percebi que outros partidos são internacionalistas apenas no nome – eles não se aprofundam de verdade. Por exemplo, acabamos de ter uma discussão aqui sobre Ibrahim Traoré, e isso realmente ilustrou o aspecto prático da teoria marxista.”
O desejo ardente de aprender, de conhecer, de se tornar ativo e se envolver também foi mencionado na palestra de Fiona Lali sobre a vida de Malcolm X, que disse de si mesmo que “a leitura despertou um desejo há muito adormecido de estar mentalmente vivo”.
Esse mesmo sentimento era evidente nas páginas de anotações feitas pelos participantes, na corrida para comprar livros e revistas após cada sessão e na agitação de conversas e debates animados nos corredores e pátios.

“Saí do Revolution Festival com uma vontade enorme de ler”, compartilhou Katie, de Lancaster. “Menos de meia hora depois de descer do trem, eu já estava pegando um artigo que estava juntando poeira na gaveta da minha escrivaninha há algumas semanas. E agora tenho um plano bem definido para o meu próprio aprendizado nos próximos meses.”
“Eu achava que sabia tudo sobre marxismo”, disse-nos outro participante de Leeds, “mas agora percebo que existe um nível completamente diferente, do qual apenas me aproximo. Sinto que estou numa corrida contra o tempo. Preciso dedicar o resto da minha vida a entender essas ideias.”
Essa energia e seriedade certamente se refletiram nas vendas de literatura, com centenas de livros, panfletos e exemplares de “The Communist” vendidos durante o fim de semana, resultando em uma receita recorde de £ 9.000 para a Wellred Books, a livraria marxista britânica.
Recrutar, recrutar, recrutar!
Na noite de domingo, Fiona Lali resumiu o incrível fim de semana e destacou o que realmente nos diferencia, como marxistas, de tudo o mais na esquerda. Ela explicou:
“Às vezes, o que se encontra na juventude é uma espécie de cultura pequeno-burguesa que promove o cinismo. É muito constrangedor ou muito cafona se esforçar em alguma coisa. Temos que combater isso. Sem dúvida alguma.
“Na verdade, quando você se junta ao PCR… seremos muito honestos e diretos: vamos pedir que você se esforce pelo resto da sua vida. E não vamos nos desculpar por isso, porque o que estamos buscando é a tarefa mais importante da história.”
Essa mensagem também foi enfatizada aos participantes pelo secretário político do PCR, Rob Sewell, no comício de sábado à noite.
Em resposta a Zarah Sultana, que recentemente admitiu que o seu problemático “Your Party” poderia ser um “projeto de 40 anos”, Rob declarou:
“A classe trabalhadora não dispõe de 40 anos. Os trabalhadores estão com a corda no pescoço. Eles precisam de soluções agora. Nossa tarefa é oferecer um programa revolucionário para abolir a ditadura dos bancos e dos capitalistas.”
A palpável sensação de determinação, esse chamado inequívoco para enfrentar urgentemente os desafios impostos pela história, não foi apenas uma frase vazia.
Encerramento do Revolution Festival 2025 – Temos tudo o que precisamos para dar grandes passos no próximo período / Imagem: The Communist
Nossa confiança e audácia não são de forma alguma infundadas. Elas se baseiam em nossa clara compreensão da teoria marxista, das perspectivas e da história do nosso movimento.
A história avança em nosso favor. Os jovens estão furiosos com este sistema sem futuro e muitos buscam uma alternativa revolucionária. Temos tudo o que precisamos para dar grandes passos no próximo período.
A tarefa imediata imposta a todas as seções do PCR foi a de aproveitar essa onda de entusiasmo para fortalecer o partido, uma tarefa urgente e necessária.
Como Fiona destacou, se cada célula recrutar apenas uma pessoa que compartilhe nosso desejo de mudar o mundo, isso resultaria em 1.400 membros do PCR na Grã-Bretanha, lançando as bases para alcançarmos 2.000 camaradas no próximo ano.
As palavras finais do discurso de encerramento de Fiona resumiram a tarefa pendente:
“Se tivermos essa convicção, então podemos ir muito, muito além disso. O que estamos discutindo é a construção de um Partido Comunista Revolucionário na Grã-Bretanha, uma Internacional Comunista Revolucionária em todo o mundo e a vitória da revolução socialista mundial!”
