Vivemos em uma era de revolução e contrarrevolução; tanto de reação quanto de radicalização. Nas famosas palavras de Rosa Luxemburgo, o futuro da humanidade é o socialismo ou a barbárie.
[Publicado originalmente em Communist.red]
Os horrores do capitalismo estão se desenrolando em tempo real. Nosso mundo está sendo devastado por guerras, crises e catástrofes climáticas. Os mega-ricos e seus representantes, enquanto isso, vivem em um planeta diferente do restante de nós.
Na Ucrânia, os líderes europeus estão ajudando a prolongar a carnificina, enviando cada vez mais bombas e mísseis para Kiev, apesar de todos os indícios de que o regime de Zelensky, apoiado pela OTAN, foi derrotado.
No Oriente Médio, Netanyahu prossegue com sua campanha assassina contra o povo palestino. E, apesar de suas ocasionais demonstrações de consternação, os políticos em Londres e Washington continuam a ajudar e a instigar esse massacre: financeira, militar e diplomaticamente.
Essa agressão imperialista no exterior se traduz em intensificação da austeridade e da repressão em casa.
O Estado de bem estar social está sendo mutilado para custear a guerra, com o Partido Trabalhista de Starmer tentando fazer com que aposentados e pessoas descapacitadas paguem a conta da campanha de rearmamento do establishment britânico.
E milhares de ativistas pró-Palestina estão sendo presos e rotulados como “terroristas” por ousarem se opor ao genocídio. Enquanto isso, os verdadeiros criminosos – os belicistas em Westminster e na Casa Branca – continuam impunes.
Grã-Bretanha à beira do abismo
Na Grã-Bretanha, anos de cortes nos serviços públicos e ataques aos padrões de vida estão sendo realizados em meio a décadas de decadência e declínio.
As listas de espera do NHS continuam inchadas. Os conselhos locais estão com o orçamento esgotado. Hospitais, escolas, infraestrutura e serviços públicos estão desmoronando. Universidades em todo o país estão à beira da falência.
E enquanto os aluguéis e os preços continuam subindo para as famílias comuns, os proprietários e patrões enriquecem como nunca.
Os trabalhadores e suas famílias já estão arcando com o fardo da crise sem fim do capitalismo. No entanto, a situação só tende a piorar.
Martelo e bigorna
Todos os esforços de Keir Starmer e Rachel Reeves para revitalizar o capitalismo britânico fracassaram.
Os últimos números oficiais mostram que a economia do Reino Unido não cresceu em julho. O desemprego e a inflação se recusam teimosamente a cair. E o fechamento de fábricas continua em ritmo acelerado, com a instabilidade e a incerteza decorrentes da guerra comercial global apenas agravando os problemas crescentes da indústria britânica.
Os bilionários e banqueiros estão, portanto, pressionando o governo de Starmer, exigindo que os líderes trabalhistas se comprometam com cortes ainda maiores em seu próximo Orçamento de Outono, a fim de “equilibrar as contas” e garantir que os investidores recebam sua parte.
No entanto, Starmer e seus ministros já tiveram dificuldades para fazer com que suas draconianas medidas de austeridade sejam aprovadas pelos parlamentares trabalhistas, que temem enfrentar a ira dos eleitores locais.
Qualquer tentativa de implementar novos cortes fará com que este governo em crise seja esmagado entre o martelo dos mercados financeiros e a bigorna de uma classe trabalhadora enfurecida.
A podridão do sistema
O Primeiro-Ministro reorganizou seu gabinete, antecipando-se às tempestades que se aproximam. Mas isto é algo semelhante à rearrumação das cadeiras no convés do Titanic.
Todos esses elegantes senhores e senhoras são feitos do mesmo material: seja o criminoso de guerra David Lammy, a sonegadora Angela Rayner ou o Blairista Peter Mandelson, o ex-embaixador dos EUA e amigo próximo do pedófilo bilionário Jeffrey Epstein.
Charlatães cínicos como Nigel Farage estão capitalizando o ódio contra o corrupto establishment político britânico, juntamente com a raiva crescente das comunidades da classe trabalhadora contra a austeridade, a desigualdade e a desindustrialização.
Isso levou o Reform UK ao topo das pesquisas. As últimas pesquisas apontam o apoio ao partido de Farage em 31%, em comparação com 20% para o Partido Trabalhista e 16% para os Conservadores. Embora isso tenha mais a ver com a aversão aos partidos e políticos tradicionais britânicos do que com qualquer entusiasmo mais amplo por Farage e pelo Reform UK.
As próximas conferências dos partidos Trabalhista e Conservador, portanto, prometem ser eventos sombrios. Em contraste, houve um espírito de celebração no recente encontro do Reform em Birmingham, com Farage e companhia prevendo com confiança sua ascensão ao poder nas próximas eleições gerais.
“Eles não estão aptos a governar”, afirmou Farage em seu discurso principal, referindo-se a Starmer e sua cabala. “Somos o partido que defende os trabalhadores decentes e somos o partido em ascensão.”
A reação nas ruas
As pressões na sociedade, combinadas com a ausência de qualquer válvula de escape real na esquerda, levaram a raiva acumulada a encontrar uma expressão distorcida e reacionária na direita.
Isso se revelou graficamente no sábado, 13 de setembro, quando centenas de milhares de apoiadores de Tommy Robinson, agitando bandeiras, tomaram as ruas de Londres, superando em número os contra manifestantes em pelo menos vinte para um.
A composição da manifestação de direita era uma mistura heterogênea: um núcleo endurecido de bandidos fascistas, em busca de briga; outros elementos de extrema direita, na esperança de incitar o racismo contra migrantes; e uma massa mais ampla – frustrada com o status quo, desencantada com o governo e o establishment, e iludida pela retórica da guerra cultural de Robinson, Musk e outros.
Farage será, sem dúvida, o principal beneficiário político desses eventos. O fundador do Reform UK está mais do que feliz em explorar essas tensões, capitalizando oportunisticamente o clima de descontentamento com promessas demagógicas de consertar a “Grã-Bretanha quebrada”, “parando os barcos” e deportando migrantes.
Isso apenas destaca o papel lamentável dos dirigentes de “esquerda”. Dos sindicatos a Corbyn e outros reformistas proeminentes, passando pelo SWP e sua campanha “Enfrente o Racismo”: todas essas figuras e organizações falharam completamente em oferecer uma solução clara, baseada em classe, para os males do capitalismo – e, consequentemente, foram totalmente incapazes de mobilizar os trabalhadores e os jovens.
Isso deixou o campo aberto para Robinson e Farage canalizarem sua indignação contra os requerentes de asilo amontoados em hotéis, quando deveria estar direcionada contra os patrões, banqueiros e bilionários que ocupam os arranha-céus e apartamentos de cobertura da City.
Juventude em revolta
A visão deste grande protesto reacionário “Unificar o Reino” sem dúvida deixou muitos abalados e com medo.
No entanto, é importante que não nos deixemos ofuscar e paralisar por estes sinais de alerta. Em vez disso, tais choques devem ser um estímulo para nos organizarmos como revolucionários, a fim de derrubar o sistema que gera todo este caos e miséria.
Acima de tudo, em vez de nos centrarmos nos movimentos da direita, devemos reconhecer o enorme potencial inexplorado que existe na esquerda.
Centenas de milhares de pessoas se inscreveram para apoiar a iniciativa de Jeremy Corbyn e Zarah Sultana de lançar um novo partido de esquerda. Nos últimos dois anos, milhões de pessoas na Grã-Bretanha se manifestaram contra o genocídio em Gaza e contra a cumplicidade do “nosso” governo nesta atrocidade. E outros milhões estão organizados nos sindicatos, prontos para a ação nas fábricas.
Entre os jovens, o clima é ainda mais radical. De acordo com pesquisas recentes, quase um terço dos jovens de 18 a 24 anos na Grã-Bretanha tem uma visão positiva do comunismo. Entre os de 25 a 34 anos, esse número sobe para 40%. E em outros lugares, pesquisas sugerem que quase metade da Geração Z quer uma revolução.
Essas mudanças de consciência fazem parte de um fenômeno global. As mesmas condições e eventos que estão radicalizando a próxima geração na Grã-Bretanha estão levando jovens no Nepal, Indonésia e França a se manifestarem em massa contra suas próprias elites políticas; a incendiar prédios governamentais e bloquear estradas; a se revoltarem e se rebelarem.
Junte-se à revolução!
Se estes recentes movimentos te inspiraram ou se a barbárie da guerra imperialista, a devastação da crise capitalista e a ameaça da extrema-direita te impelem à ação, então deverias ser comunista.
Centenas de pessoas já se juntaram aos comunistas do PCR nos últimos meses, como parte da nossa campanha “revolução contra os bilionários”. E centenas de outras seguirão o exemplo neste outono em universidades, faculdades e escolas por todo o país.
É hora de se organizar. É hora de revidar. É hora de se juntar a nós na luta pela revolução mundial.
