Que palavra conecta uma das obras teóricas mais famosas de Lênin a cereais de supermercado e microchips de silício; e a um popular jogo de tabuleiro doméstico, desenvolvido no início do século XX? A pista está no título: monopólio.
O capitalismo é frequentemente retratado como o provedor da “liberdade” e da “escolha”. Mas isso é um completo mito. Do minuto em que acordamos até o momento em que vamos dormir, nossas vidas são dominadas por monopólios; por corporações gigantes que controlam grandes fatias de seus respectivos setores.
Como consumidores, por exemplo, podemos “escolher” entre uma variedade impressionante de marcas quando se trata de alimentos e bebidas. No entanto, todas elas pertencem a apenas algumas poucas grandes multinacionais.
Coca-Cola, PepsiCo e Kering Dr Pepper, juntas, respondem por impressionantes 93% das vendas de refrigerantes nos EUA. Apenas uma dessas empresas (a Pepsi) controla 88% do mercado de molhos, sendo proprietária de cinco das marcas de salgadinhos mais populares. Três gigantes do setor de bebidas respondem por três quartos das vendas de cerveja. E, no caso dos cereais mencionados acima, o mesmo número de megaempresas ajuda a preencher cerca de 73% das tigelas do café da manhã.
De fato, em cerca de 80% dos itens de mercearia do cotidiano, quatro ou menos empresas detêm a maioria do mercado juntas. Por sua vez, essas grandes multinacionais dos alimentos, juntamente com as redes varejistas como Walmart e Aldi, ditam a atividade de milhares de pequenos fornecedores, que estão sob pressão.
Mas o poder dos monopólios se estende muito além das prateleiras dos supermercados. No caixa, por exemplo, a maioria das compras será feita com cartões de débito ou crédito fornecidos por apenas duas bandeiras: Mastercard e Visa. Se você pegar um voo, provavelmente estará sentado em um avião produzido por uma de duas fabricantes de aeronaves: Boeing e Airbus. E no Reino Unido, apesar dos supostos esforços dos reguladores de energia para promover a concorrência, cinco empresas privadas fornecem eletricidade para 70% das residências.
O problema não é menos frequente no setor público. No Reino Unido, gigantes da terceirização como G4S, Mitie e Serco têm seus tentáculos em todos os tipos de serviços públicos, sugando bilhões de dinheiro dos contribuintes no processo. O mesmo vale para os monopólios da construção. Nos EUA, por sua vez, 86% dos gastos do Pentágono vão para apenas cinco empreiteiras especializadas em “defesa”.
O domínio dos monopólios se estende até mesmo ao além túmulo. Americanos que optaram por ser enterrados para se encontrarem com seu criador têm mais de quatro em cinco (82%) a chance de serem colocados a dois metros de profundidade em um caixão ou ataúde feito por uma de duas empresas.
Concentração corporativa
Apesar da ocasional afirmação libertária de que “pequeno é bonito”, é óbvio que capitalismo significa GRANDE: Grandes Petrolíferas; Grandes Farmacêuticas; Grandes Tecnológicas – e assim por diante. E elas continuam crescendo.
Ao longo das décadas – em setor após setor, graças a uma série de crises, fusões e aquisições – os mercados tornaram-se cada vez mais concentrados.
Um estudo acadêmico recente, por exemplo, mostrou que as principais empresas dos EUA aumentaram consistentemente seu controle sobre os ativos econômicos americanos no último século.
“Desde o início da década de 1930”, afirmam os autores de um artigo intitulado 100 Anos de Concentração Corporativa, “as participações nos ativos dos 1% e 0,1% das corporações mais importantes, aumentaram 27 pontos percentuais (de 70% para 97%) e 40 pontos percentuais (de 47% para 88%), respectivamente.
Os pesquisadores fornecem evidências de que essa tendência de maior monopolização se acelerou desde a década de 1970. E eles constatam que a consolidação tem sido particularmente notável nos setores financeiro, industrial, de mineração, de serviços e de serviços públicos.
Em sentido estrito, “monopólio” refere-se a casos em que uma única empresa detém o controle sobre um determinado setor, o que é menos comum. No entanto, em muitos casos – como nos exemplos de cartões de crédito, aviões e ataúdes – a maior parte de um determinado mercado é agora controlada por um “duopólio” de duas empresas. E o “oligopólio”, o governo de um pequeno número de corporações poderosas (e dos oligarcas que as detêm), é habitual em vários setores da economia.
No entanto, este não é um fenômeno novo. Por mais de um século, o capitalismo tem sido caracterizado pela dominação dos monopólios.
Lênin descreveu um processo semelhante em 1916. Já nessa época, ele observou como o mercado mundial estava dividido entre um conjunto de trustes e cartéis industriais, e pelas grandes potências capitalistas que os apoiavam.
“O enorme crescimento da indústria e a concentração notavelmente rápida da produção em empresas cada vez maiores são um dos traços mais característicos do capitalismo.”
Assim começa a obra-prima de Lênin, Imperialismo, que ele definiu como o “estágio superior do capitalismo”.
Alguns dos nomes das grandes empresas que Lênin menciona – como Siemens e General Electric – ainda são reconhecíveis hoje. Outras, como a Standard Oil e a US Steel Corporation, foram fundadas pelos infames barões ladrões da “Era Dourada” americana, como JD Rockefeller e Andrew Carnegie, respectivamente.
Capital financeiro
Juntamente com a concentração da produção nas mãos desses monopólios industriais, Lênin também explicou o papel cada vez mais importante do capital financeiro: os grandes bancos que emprestam dinheiro às empresas, direcionam os investimentos para a economia e detêm o controle acionário de muitas grandes corporações.
Naquela época, essa tendência era mais claramente representada na figura de JP Morgan, o chefão de Wall Street.

Morgan personificou a natureza descontrolada do capitalismo. O notório financista aproveitou todas as crises econômicas – como o pânico de 1907 – para abocanhar empresas e bancos falidos. Ao fazer isso, ele conseguiu concentrar riqueza e poder cada vez maiores em suas mãos.
O mesmo pode ser observado nas gigantescas instituições financeiras atuais. O banco de investimento homônimo do JP Morgan, por exemplo, ainda está entre os grandes, com cerca de US$ 3,5 trilhões em “ativos sob gestão” (AUM – Assets under management). O Morgan Stanley, por sua vez, a empresa fundada por seu neto, tem uma fortuna um pouco maior sob seus auspícios.
E o setor bancário não fez mais que se consolidar na esteira de cada crise capitalista.
Cerca de 9.000 bancos americanos faliram entre 1929 e 1933, como resultado da quebra da Bolsa de Valores de Wall Street e do início da Grande Depressão. A crise financeira de 2007/08, por sua vez, acelerou um processo de declínio de décadas em termos do número de bancos comerciais americanos.
Em 2015, a concentração financeira nos EUA atingiu seu pico, com os cinco maiores bancos controlando mais de 56% do total de ativos comerciais. Nesse auge, entre eles, apenas três empresas detinham 42% dos ativos em seus cofres.
Mais recentemente, o JPMorgan Chase (eles novamente) e o UBS, com sede na Suíça, compraram o First Republic e o Credit Suisse, respectivamente, quando o contágio se espalhou após o colapso do Silicon Valley Bank.
No entanto, essas instituições são relativamente pigmeus em comparação com os verdadeiros Golias das finanças.
A Vanguard e a BlackRock são as maiores gestoras de ativos do mundo, com um patrimônio líquido estimado em US$ 10,4 trilhões e US$ 11,6 trilhões, respectivamente. Isso inclui fundos acumulados de poupanças familiares e fundos de pensão, que depois são investidos em coisas como ações e títulos.
“Ao fazer isso”, descreve Lenin, essas empresas financeiras “transformam capital monetário inativo [ou seja, a poupança das pessoas comuns] em ativo, isto é, em capital que gera lucro; elas coletam todos os tipos de receitas monetárias e as colocam à disposição da classe capitalista”.
Com base nisso, continua Lênin, “os bancos passam de modestos intermediários a poderosos monopólios, tendo sob seu comando quase todo o capital monetário de todos os capitalistas”.
Tecnicamente, investidores institucionais como BlackRock e Vanguard não “possuem” diretamente nenhum ativo. Em vez disso, eles administram o dinheiro de outras pessoas. Na realidade, porém, eles exercem uma enorme influência sobre o restante do mundo corporativo.
Pelo menos uma dessas duas empresas está entre os três maiores investidores de todas as grandes empresas do índice S&P 500. Como acionistas majoritários, isso lhes confere representação e poder de decisão nos conselhos de administração de todos os monopólios industriais mais importantes.
Na verdade, estudos mostram que esses gigantescos gestores de ativos estão frequentemente envolvidos em uma prática conhecida como “participação horizontal”: controlar participações significativas em várias empresas concorrentes dentro do mesmo setor.
Em outras palavras, mesmo quando há uma aparência de concorrência dentro de um setor, é provável que a mesma pequena camarilha de bilionários e banqueiros esteja manipulando nos bastidores.
Isso não é nenhuma conspiração, é um fato objetivo.
Em 2011, por exemplo, uma equipe de pesquisadores na Suíça examinou as conexões entre 43.000 corporações multinacionais, extraídas de um banco de dados com mais de 13 milhões de empresas e investidores em todo o mundo.
Eles descobriram que apenas 147 dessas empresas controlavam cerca de 40% da riqueza em seu modelo da economia global. Os 50 principais “pontos nodais” super conectados nessa rede capitalista eram quase todos instituições financeiras de algum tipo.
E, desde então, essa concentração de poder econômico provavelmente aumentou, com a ascensão de gigantescas gestoras de recursos como BlackRock e Vanguard.
Adeus à ideia de que “agora somos todos capitalistas“. Longe de “democratizar” o capitalismo e “distribuir os meios de produção”, ao dar ao cidadão comum uma participação na economia corporativa, o mercado de ações e o sistema de crédito apenas intensificaram o domínio do capital financeiro – isto é, a ditadura dos bancos.
“‘Distribuição universal dos meios de produção’ – isso, do ponto de vista formal, é o que surge dos bancos modernos”, elabora Lênin em Imperialismo. “Em substância, porém, a distribuição dos meios de produção não é de forma alguma ‘universal’, mas privada, ou seja, atende aos interesses do grande capital e, principalmente, do enorme capital monopolista.”
“A ‘democratização’ da propriedade de ações”, conclui ele, “é, de fato, uma das maneiras de aumentar o poder da oligarquia financeira.”
Integração industrial
Outra tendência que Lênin descreve – e que consolida ainda mais a produção sob o domínio dos grandes monopólios – é a da combinação: reunir diferentes processos industriais sob um único guarda-chuva.
“Uma característica muito importante do capitalismo em seu estágio mais elevado de desenvolvimento”, afirma Lênin, “é a chamada combinação da produção; isto é, o agrupamento em uma única empresa de diferentes ramos da indústria”. Estes, explica ele, “ou representam as etapas consecutivas no processamento de matérias-primas… ou são auxiliares entre si”.

Hoje, os economistas costumam se referir a essas tendências como integração vertical e horizontal.
Esta última pode se referir à consolidação que ocorre dentro de um determinado setor como resultado de fusões e aquisições, com um ou outro monopólio comprando seus concorrentes.
Da mesma forma, tendo conquistado um setor específico, as empresas estabelecidas frequentemente se ramificam para mercados adjacentes – usando seu tamanho e escala para se infiltrar em setores relacionados, na esperança de abocanhar uma fatia dos lucros que atualmente vão para outras empresas.
A integração vertical, por sua vez, ocorre quando os monopólios existentes compram seus fornecedores (abaixo deles) e distribuidores (acima deles), a fim de reduzir seus custos e obter lucro em todas as etapas da cadeia de suprimentos.
Em nenhum lugar essas tendências podem ser vistas com mais clareza do que no setor de tecnologia.
Grandes empresas de tecnologia como Apple, Amazon e Alphabet (controladora do Google) são, elas próprias, o produto da reestruturação e consolidação que ocorreram após o estouro da bolha das pontocom na virada do milênio.
Consequentemente, hoje, 90% das buscas na internet são feitas pelo Google; 83% da navegação na web é realizada no Chrome (Google) ou no Safari (Apple); 95% dos sistemas operacionais instalados são desenvolvidos pelo Google (Android), Microsoft (Windows) e Apple (iOS e macOS); e mais de 80% dos e-books são vendidos na Amazon.
Tendo estabelecido um relativo monopólio em uma área, entretanto, todas essas empresas compraram startups e potenciais rivais, ampliando o fosso ao seu redor para afastar futuros concorrentes. E, a partir dessa posição fortificada, invadiram campos próximos para expandir seu território.
Em seu caminho para se tornar a Alphabet, por exemplo, o Google comprou o YouTube (o popular serviço de vídeo) e a DeepMind (uma desenvolvedora líder de IA). Da mesma forma, tendo acumulado seus bilhões com o Facebook, Mark Zuckerberg investiu no WhatsApp e no Instagram para criar a Meta.
Da mesma forma, a Microsoft investiu mais intensamente nos mercados de jogos e redes sociais com as aquisições da Activision Blizzard e do LinkedIn, respectivamente, que totalizaram cerca de US$ 95 bilhões. E o CEO da Amazon, Jeff Bezos, construiu um império corporativo que abrange varejo online, mídia digital e streaming, além de computação em nuvem.
Ao mesmo tempo, todos esses oligopólios estão se esforçando bastante – e gastando somas exorbitantes – para entrar em mercados emergentes e setores de vanguarda, como tecnologia da saúde, carros autônomos, computação quântica e (é claro) inteligência artificial.
O setor de TI também oferece um exemplo moderno de integração vertical. Não satisfeitas em monopolizar o mundo digital, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e outras também buscam controlar a infraestrutura física da internet na vida real: da construção de servidores ao design de software; da instalação de cabos no fundo do mar ao processamento de dados na nuvem.
Silício e ouro
O resultado geral é que as Big Techs agora têm enorme peso na economia mundial, e particularmente no mercado de ações.
Os mercados viveram recentemente uma montanha-russa, graças às ameaças tarifárias de Trump. No início deste ano, entretanto, os pregões ficaram boquiabertos com a notícia de uma nova onda de concorrentes chineses em IA.
Antes de toda essa turbulência, no entanto, o entusiasmo nas empresas de tecnologia dos EUA estava elevando ainda mais os preços das ações. Há cerca de um ano, 20 empresas focadas em tecnologia representavam mais de um terço (35,8%) do “valor” do S&P 500.
Mesmo hoje, no momento em que este texto foi escrito, as “Sete Magníficas” – Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla (em ordem decrescente) – somam um valor de mercado de cerca de US$ 15 trilhões, representando uma fatia quase tão grande do mercado de ações (um terço) quanto as 20 maiores empresas de tecnologia anteriormente.
Além disso, está claro que o Vale do Silício está obtendo lucros extraordinários. Olhando para baixo desde as torres de seus castelos monopolistas, Bezos, Zuckerberg, Musk e companhia têm arrecadado bilhões.
Após a pandemia, com a demanda reprimida se lançando contra os gargalos do lado da oferta, monopólios especuladores em geral lucraram bastante, no que alguns comentaristas apelidaram de “inflação da ganância“.
As receitas e os preços das ações das principais empresas de tecnologia dispararam nesse período. E a mania da IA ajudou a manter esse ímpeto, alimentando uma corrida do ouro contemporânea na Califórnia – só que desta vez com Palo Alto como epicentro.
O setor de tecnologia dos EUA é um gigante entre os gigantes em termos de lucro.
Em um estudo com as 4.000 maiores empresas do mundo, a consultoria McKinsey descobriu que os 500 maiores monopólios aumentaram sua participação nos lucros globais de 81,5% para 91,2% entre 2005-09 e 2015-19. Nesse período, as 100 maiores empresas aumentaram sua participação nos lucros de 45,5% para 48,3%.
Notavelmente, as empresas americanas ganharam grandes quantidades de dinheiro. De acordo com o relatório da McKinsey, as empresas sediadas na América do Norte (principalmente nos EUA) aumentaram sua participação nos lucros globais de 50% para 77% no mesmo período.
Esse salto foi impulsionado, em particular, por empresas de “alta tecnologia”. Elas respondem por quase 28% dos lucros norte-americanos, com um crescimento do “fundo de lucro” de US$ 66 bilhões para US$ 116 bilhões nesses anos.
Monopólios americanos nos setores farmacêutico e médico, industrial avançado (automóveis, aeroespacial, defesa, eletrônicos, semicondutores) e de mídia também viram seus lucros aumentarem. Mas eles estão muito atrás das Big Techs.
Não é de se admirar que capitalistas de outras partes do mundo – apoiados por seus próprios estados imperialistas – estejam tentando derrubar os muros que cercam o mercado de tecnologia, a fim de se apropriar de uma fatia do tesouro atualmente acumulado pelos reis do Vale do Silício.
É por isso que a chegada da DeepSeek e de outras empresas chinesas de IA causou tanto alarme nos escalões superiores da sociedade americana. De banqueiros da Costa Leste a chefes de tecnologia da Costa Oeste, os barões ladrões modernos não desejam compartilhar seus ganhos.
Divisão e redivisão
Como explica Lênin, essa luta entre os principais monopólios para dividir – e redividir – o mercado mundial entre si é uma característica fundamental da era do imperialismo.
“Associações, cartéis, sindicatos e trustes capitalistas monopolistas primeiro dividiram o mercado interno entre si e obtiveram a posse mais ou menos completa da indústria de seu próprio país”, ele descreve. “Mas, sob o capitalismo, o mercado interno está inevitavelmente ligado ao mercado externo. O capitalismo criou um mercado mundial há muito tempo.”
Essa rivalidade imperialista pode ser vista não apenas na IA, mas em todas as indústrias-chave. E, cada vez mais, é o poder crescente do capitalismo chinês que está se destacando.
Como observa Lênin, a divisão de qualquer mercado entre os monopólios existentes “não impede a redivisão caso a relação de forças mude como resultado de desenvolvimento desigual, guerra, falência, etc.”
Além disso, novas tecnologias abrem novos mercados para exploração. E os monopólios chineses, apoiados e nutridos pelo Estado capitalista, conquistaram uma posição firme em muitos deles.
O mercado de veículos elétricos (VE) ilustra graficamente esse processo.
A indústria automobilística era anteriormente dominada por monopólios automobilísticos dos EUA, Europa e Japão, com nomes conhecidos como Ford, Volkswagen e Toyota.
Por décadas, esses fabricantes geralmente concentraram seus esforços em projetar e produzir veículos baseados em motores de combustão interna. Isso permitiu que empresas chinesas dinâmicas – muitas vezes com experiência em baterias e software – avançassem no desenvolvimento de VEs.
A China é o maior exportador mundial de automóveis, enviando quase 5 milhões de carros por ano para fora de suas fronteiras. O país também é responsável por mais de três quartos do mercado global de veículos elétricos, ajudado pelas enormes vendas internas para motoristas chineses.
Beneficiando-se desse enorme mercado interno e auxiliados por subsídios estatais, monopólios automotivos chineses como a BYD consolidaram uma posição forte na indústria de veículos elétricos.
Em volume, a empresa sediada em Shenzhen ultrapassou a Tesla, de Elon Musk, em termos de vendas de veículos elétricos. E está instalando fábricas em todo o mundo para contornar barreiras tarifárias e penetrar ainda mais nos mercados estrangeiros.
Um fator importante na ascensão da BYD foi sua capacidade de dominar a arte da integração vertical.
A BYD começou em 1995 fabricando baterias e só se aventurou na produção de veículos híbridos em 2003. Hoje, além da fabricação de veículos elétricos, a empresa apoiada por Warren Buffett ocupa o segundo lugar na indústria de baterias (atrás da CATL, outra empresa chinesa), com quase 16% do mercado – abastecendo não apenas seus próprios carros, mas também os de seus concorrentes.
Por sua vez, a BYD controla o restante de sua cadeia de suprimentos: da mineração e processamento de lítio para suas baterias à produção de chips de computador para veículos, à distribuição e expedição de seus veículos.
Isso permite que a montadora multinacional controle custos e maximize lucros em todas as etapas do processo de produção. E é isso que torna os veículos elétricos da BYD tão competitivos no mercado mundial – daí as barreiras comerciais que estão sendo erguidas pelos EUA e pela UE para impedir a entrada das exportações chinesas.
Turbulência, tarifas e guerra comercial
A atual guerra comercial é um exemplo da turbulência gerada pelo capitalismo monopolista, à medida que as diferentes multinacionais buscam aumentar seus lucros e expandir seus mercados às custas de seus rivais.
A compulsão econômica da concorrência força todos os monopólios a investir continuamente em novas tecnologias e em capacidade produtiva cada vez maior. O resultado são níveis alarmantes de superprodução em escala mundial – um excesso global de produtos que os mercados saturados não conseguem absorver.
Medidas protecionistas são uma resposta a isso: uma tentativa de impedir que os produtores mais prolíficos despejem seu excedente em mercados estrangeiros.
Veja a indústria automobilística. “As fábricas chinesas poderiam talvez produzir quase 45 milhões de carros por ano, o equivalente a cerca de metade de todas as vendas globais, mas operam com apenas 60% dessa capacidade”, relata a revista The Economist, acrescentando: “O excesso de oferta levou a uma guerra de preços cruel.”
Isso explica as tarifas altíssimas agora impostas aos veículos chineses. E também destaca porque, de acordo com o mesmo artigo, empresas sediadas na China, como Chery, Geely e SAIC, estão cada vez mais buscando entrar em novos mercados no Oriente Médio, América Latina, África e Sudeste Asiático.
Ou vejamos a indústria siderúrgica. A China produz mais aço anualmente do que o resto do mundo junto: cerca de um bilhão de toneladas por ano. Mas o país não precisa de tudo isso internamente. Portanto, exporta uma quantidade considerável de aço – mais de 90 milhões de toneladas em 2023. Isso é mais do que a produção anual dos EUA ou do Japão.
O barato aço chinês está, portanto, inundando o mercado mundial, pressionando os preços para baixo e levando a uma crise para os produtores de aço em todos os lugares. Novamente, isso levou a tarifas elevadas. E é um fator importante por trás dos problemas nas siderúrgicas de Port Talbot e Scunthorpe, onde os trabalhadores estão ameaçados de um corte brutal de empregos.
Além de tarifas e competição por mercados, o imperialismo também significa disputas geopolíticas por recursos.
Para construir veículos elétricos e outras commodities de alta tecnologia, por exemplo, os fabricantes monopolistas precisam ter acesso a diversas matérias-primas vitais. Isso inclui metais e minerais como lítio, níquel e cobalto. E, cada vez mais, a mineração e o processamento desses metais são dominados por empresas chinesas, que respondem por 60%, 65% e 70%, respectivamente, do fornecimento global desses metais.
Da mesma forma, a China detém uma posição de monopólio na extração e no refino de minerais de terras raras. Estes constituem um insumo crítico para tudo, desde painéis solares, turbinas eólicas e baterias até smartphones, câmeras digitais e monitores de computador.
Garantir o controle sobre esses recursos é um elemento importante nas mentes em Washington e Pequim.
No Congo, a competição imperialista por minerais essenciais está alimentando conflitos e catástrofes. Enquanto isso, o desejo de saquear depósitos de terras raras e riqueza mineral — e assim contornar os controles de exportação chineses — é uma consideração significativa envolvida nos “acordos” que Trump está tentando garantir sobre a Groenlândia e a Ucrânia.
Caos nos chips de computador
Igualmente importante é a disputa pelo silício – ou, mais precisamente, pelos microchips de silício. Esses minúsculos dispositivos alimentam os modelos, softwares e algoritmos nos quais a IA se baseia. E são um componente vital em muitas outras commodities.
Mas enquanto titãs da tecnologia como Google, Open AI e DeepSeek se enfrentam na nuvem, várias etapas importantes da produção de chips são altamente monopolizadas.
Estima-se que a gigante americana da computação Nvidia controle cerca de 82% do mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs) autônomas, por exemplo. Metade de sua receita, entretanto, vem de quatro empresas: Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet.
Mais abaixo na cadeia de suprimentos, apenas uma empresa – a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) – responde por quase dois terços do mercado global de “fundição” de semicondutores (a produção, e não o design, de chips de computador).
Isso adiciona uma dimensão extra à disputa entre o imperialismo americano e a China por Taiwan. Afinal, a ilha disputada abriga a produção de mais de 90% dos semicondutores mais avançados.
Da mesma forma, uma empresa holandesa chamada ASML fabrica e fornece, quase com exclusividade, máquinas de litografia altamente complexas usadas para fixar silício no processo de fabricação de chips.
Por um lado, essa monopolização criou negócios incrivelmente eficientes e especializados, capazes de atender à necessidade de todo o planeta por produtos tecnológicos essenciais.
Por outro lado, porém, essa concentração também tornou a economia mundial extremamente frágil; vulnerável a qualquer choque ou interrupção na intrincada rede de produção e distribuição que se desenvolveu nas últimas décadas, com base na globalização e no livre comércio.
A pandemia revelou isso de forma gritante, com as cadeias de suprimentos sofrendo espasmos diante de lockdowns e gargalos. O preço dos microchips oscilou vertiginosamente, com a indústria enfrentando primeiro uma escassez dolorosa e depois um excesso de oferta, demonstrando vividamente a anarquia do mercado capitalista.
A atual e estrondosa guerra comercial está provando o mesmo ponto, com o imperialismo americano pressionando empresas como a AMSL e a Nvidia a restringir suas exportações para a China, na esperança de estrangular a próspera – e rival – indústria tecnológica do país.
No entanto, Washington está brincando com fogo. Os Estados Unidos podem ter um controle rígido sobre certos gargalos no que diz respeito à produção de microchips. Mas não “têm todas as cartas na manga” quando se trata da guerra comercial com a China, como atesta o exemplo dos minerais.
De fato, a monopolização da produção global significa que a fabricação de muitas commodities está concentrada na China. Para mais de um terço dos produtos que o Tio Sam importa da China, o país asiático é o fornecedor dominante, atendendo a 70% ou mais da demanda dos EUA.
Em outras palavras, a Casa Branca terá grande dificuldade em excluir a China do cenário comercial. A monopolização e a globalização se combinaram para criar uma economia mundial extremamente interconectada e interdependente. E isso não pode ser desfeito sem causar danos imensos, na forma de inflação crescente e contração econômica.
Tudo isso demonstra graficamente como a produção se tornou enormemente socializada; como o desenvolvimento das forças produtivas colide cada vez mais com as barreiras da propriedade privada e do Estado-nação.
E revela como, longe de trazer estabilidade, a monopolização sob o capitalismo é uma receita para a instabilidade e para o caos em todos os níveis.
Como Lênin sublinha em Imperialismo, respondendo ao arqui-oportunista Karl Kautsky, “os apologistas do imperialismo” acreditam erroneamente “que o domínio do capital financeiro [e dos monopólios] atenua as desigualdades e contradições inerentes à economia mundial, quando na realidade as aumenta”.
“Ao contrário”, conclui ele, “o monopólio criado em certos ramos da indústria aumenta e intensifica a anarquia inerente à produção capitalista como um todo”.
Estagnação e decadência
Lênin prossegue explicando como a monopolização “inevitavelmente gera uma tendência à estagnação e à decadência”, sufocando o desenvolvimento das forças produtivas – ou seja, a ciência, a tecnologia, a indústria e assim por diante.
“Uma vez que os preços monopolistas são estabelecidos, mesmo que temporariamente”, continua ele, “a causa motriz do progresso técnico e, consequentemente, de todos os outros progressos, desaparece até certo ponto e, além disso, surge a possibilidade econômica de retardar deliberadamente o progresso técnico.”
Até mesmo analistas burgueses estão chegando a conclusões semelhantes hoje, temendo que a monopolização seja um fator-chave por trás do crescimento anêmico da produtividade que tem atormentado o capitalismo globalmente nas últimas décadas.
Como relata a revista The Economist:
“O próprio êxito das gigantes americanas de tecnologia provocou preocupações de que elas se tornaram poderosas demais e que seu domínio está prejudicando a economia e sufocando seu dinamismo.
“Thomas Philippon, da Universidade de Nova York, documentou o aumento da concentração corporativa nos Estados Unidos desde a década de 1980: as grandes empresas têm abocanhado uma fatia cada vez maior das receitas corporativas; os lucros corporativos em geral têm aumentado como parcela da produção econômica; e as empresas, especialmente nos setores mais concentrados, têm transformado menos de seus lucros em novos investimentos e mais em recompras de ações.
“No total, isso ameaça se tornar uma receita para produtividade mais lenta, crescimento mais fraco e maior desigualdade.”
Da mesma forma, em seu livro O que deu errado com o capitalismo?” o autor libertário Ruchir Sharma argumenta que uma combinação tóxica de intervenção estatal e monopolização está por trás do “paradoxo da produtividade” que intriga os economistas burgueses há algum tempo.
“O crescimento anual da produtividade está caindo, em média, nos setores onde as maiores empresas estão reforçando seu controle mais rapidamente”, escreve o financista da Rockefeller.
“A produtividade está caindo em todos os setores, particularmente nas empresas mais atrasadas, mas até mesmo nas líderes, por duas razões básicas. Sem pressão vinda de baixo, as líderes não precisam investir tanto e, se adicionarem mais ou melhores serviços, apenas ‘canibalizam suas próprias fatias de mercado’.”
Em vez de incentivar a entrada de novas startups dinâmicas no mercado, sugere Sharma, os governos capitalistas têm apoiado empresas falidas e protegido as tradicionais e já estabelecidas. O resultado é um exército morto-vivo de empresas “zumbis” improdutivas, combinado com uma manada de gigantes corporativos senis e desajeitados que esmagam qualquer empresa menor e incipiente em seu caminho.
A lógica da competição
Assim como o patriarca do libertarianismo, Friedrich Hayek, Sharma enquadra a questão da monopolização em termos puramente ideológicos ou políticos.
Para esses fanáticos do livre mercado, o capitalismo monopolista é meramente a criação de formuladores de políticas irresponsáveis e de políticos sem princípios, que permitiram que lobistas e advogados manipulassem o sistema em favor dos interesses plutocráticos existentes.
Sem dúvida, o sistema é manipulado, em benefício dos bilionários e banqueiros. Mas isso não explica por que o capitalismo é como é.
Em seus escritos econômicos, Marx, Engels e Lênin demonstraram como a monopolização é o produto de um processo objetivo, não de uma “escolha política”.
A dinâmica da propriedade privada e da produção com fins lucrativos faz com que a competição inevitavelmente se transforme em seu oposto.
Isso é bem ilustrado pelo jogo de tabuleiro Banco Imobiliário. Todos começam em pé de igualdade. E as regras são as mesmas para todos. No entanto, um jogador eventualmente ganha e controla tudo. Essa é a lógica fria e insensível da competição capitalista.
O mesmo ocorre na vida real: pequenos empresários ineficientes fecham as portas e são engolidos por seus rivais maiores e mais fortes. A produção, assim, torna-se mais concentrada em cada vez menos mãos. Com o tempo, acelerado pelas crises, isso leva ao surgimento de monopólios poderosos.
“A ascensão dos monopólios”, afirma Lênin em Imperialismo, “como resultado da concentração da produção, é uma lei geral e fundamental do atual estágio de desenvolvimento do capitalismo”.
Por sua vez, o próprio monopólio se torna uma alavanca para uma monopolização ainda maior.
Empresas maiores criam “economias de escala”: economias de custos decorrentes da organização e do planejamento que são possibilitados por um determinado tamanho de produção e distribuição. E começam a acumular – e a ter acesso a – o capital necessário para investir em novas tecnologias e técnicas, aumentando ainda mais sua vantagem produtiva em relação a concorrentes menores.
Hoje, a vasta quantidade de capital necessária para competir nos setores mais importantes atua como uma enorme barreira à entrada de novas empresas.
De acordo com algumas estimativas, por exemplo, há 50-60 anos, os custos de construção de uma fábrica avançada de microchips (ou “fab”) chegariam a cerca de US$ 30 milhões em valores atuais. As fábricas modernas construídas pela TSMC, por outro lado, custam cerca de US$ 20 bilhões cada.
Isso permite que as maiores potências imperialistas expulsem nações menores. Mesmo a UE, e muito menos países isolados como a Grã-Bretanha, não pode esperar competir com as enormes somas que os EUA e a China conseguem injetar em suas indústrias.
Tentativas fracassadas da Europa e do Reino Unido de entrar no setor de tecnologia verde – como as empresas de baterias Northvolt e Britishvolt, respectivamente – são uma prova disso. Do mesmo modo, como alguém pode igualar as centenas de bilhões que os EUA e a China estão investindo em IA?
Em outras palavras, os muros e fossos que protegem os monopólios estabelecidos estão ficando cada vez mais altos e largos.
Necessidade de socialismo
Para liberais e libertários, a solução para toda essa turbulência é voltar atrás: clamar por “mais escolhas” – por maior concorrência e mercados mais livres; exigir a dissolução dos principais monopólios por meio de leis e regulamentações “antitruste”.
Há outros, entretanto, que clamam por protecionismo e nacionalismo econômico: que o domínio dos monopólios multinacionais seja substituída pela “compra local” e pela promoção de “campeões nacionais”.
No entanto, ambas essas sugestões são completamente utópicas e reacionárias. Como explicado, os monopólios surgiram precisamente porque são mais eficientes e produtivos; em outras palavras, porque representam um desenvolvimento das forças produtivas.
Da mesma forma, a produção tornou-se altamente socializada e globalmente interconectada – novamente, porque isso aumenta a produtividade por meio de maiores economias de escala, divisão internacional do trabalho e especialização.
Propor a dissolução dos monopólios – internacionalmente ou em qualquer país – é, portanto, sugerir uma regressão a um nível inferior de desenvolvimento econômico. Em termos concretos, isso significa tornar a sociedade mais pobre.
“Concentrar esses meios de produção dispersos e limitados, ampliá-los, transformá-los nas poderosas alavancas de produção dos dias atuais – esse foi precisamente o papel histórico da produção capitalista e de seu mantenedor, a burguesia.”
Assim explica Engels em Socialismo: Utópico e Científico, discutindo o papel progressista que o capitalismo desempenhou no desenvolvimento das forças produtivas.
Nesse processo, ele descreve, “toda uma indústria específica se transforma em uma gigantesca sociedade anônima; a competição interna dá lugar ao monopólio interno dessa única empresa”.
“Nos trustes, a liberdade de competição se transforma em seu oposto – em monopólio; e a produção sem um plano definido da sociedade capitalista cede diante da produção com base em um plano definido da sociedade socialista invasora.”
O resultado é a situação contraditória que encontramos hoje, onde a produção socializada e elementos de planejamento coexistem com a propriedade privada e a anarquia do mercado.
A crescente intervenção estatal, com resgates intermináveis dos grandes bancos e monopólios em resposta a cada crise, é um reconhecimento dessa contradição; uma admissão tácita de que as forças produtivas superaram as restrições da propriedade privada e do Estado-nação – ou seja, que a produção se tornou completamente socializada, mas com apropriação privada pelos capitalistas da riqueza criada pela classe trabalhadora.
A solução não é voltar atrás na história, tentando desmantelar os bancos ou monopólios, ou elogiando as maravilhas da “pequena empresa” e da produção paroquiana.
Em vez disso, devemos tomar os imensos níveis de organização e planejamento criados pelo capitalismo e colocar essas forças econômicas sob a propriedade coletiva e o controle democrático consciente da classe trabalhadora.
Vejamos monopólios como o Walmart, por exemplo, com um faturamento anual de mais de US$ 600 bilhões e uma força de trabalho de 2,1 milhões de empregados.
Esta mega empresa é maior do que economias planejadas do passado, como a União Soviética, como destacado pelos autores de A República Popular do Walmart. E dentro desta empresa multinacional, há uma quantidade extraordinária de planejamento – desde as fazendas e fábricas, até as lojas e os supermercados.
Nas mãos de seus proprietários bilionários, tal tecnologia e logística são apenas um meio de encher os bolsos dos acionistas do Walmart. Mas, nas mãos da classe trabalhadora, isso seria a base para distribuir as necessidades básicas da vida entre os continentes e garantir uma alimentação decente para todos.
“A solução”, explica Engels, “só pode consistir no reconhecimento prático da natureza social das forças produtivas modernas e, portanto, na harmonização com o caráter socializado dos meios de produção.”
“E isso”, conclui ele, “só pode acontecer se a sociedade tomar posse aberta e direta das forças produtivas que ultrapassaram todo o controle, exceto o da sociedade como um todo.”
A época do imperialismo, neste aspecto, é uma fase transitória – preparando as condições materiais para uma nova e mais elevada forma de sociedade: o socialismo e o comunismo.
“O capitalismo em sua fase imperialista leva diretamente à socialização mais abrangente da produção”, escreve Lênin. “Ele, por assim dizer, arrasta os capitalistas, contra sua vontade e sua consciência, para uma espécie de nova ordem social, uma ordem de transição da livre concorrência completa para a socialização completa.”
“Isso por si só determina o lugar [do imperialismo] na história”, conclui Lênin, “pois o monopólio que surge do solo da livre concorrência, e precisamente da livre concorrência, é a transição do sistema capitalista para uma ordem socioeconômica superior.”
Mas essa transição não acontecerá automaticamente. Em vez disso, enquanto o sistema capitalista persistir, o incrível potencial da tecnologia e do planejamento modernos será desperdiçado – e, pior ainda, transformado em uma força destrutiva que gera guerras, catástrofes climáticas e miséria.
O único caminho para a humanidade é por meio da revolução socialista mundial.
Para vencer esse jogo real de monopólio, a classe trabalhadora deve se organizar e se mobilizar para dar um chute no Sr. Moneybags, confiscar as propriedades dos bilionários e assumir o controle de todo o tabuleiro, na luta por um futuro comunista.
