Meta, a gigante das redes sociais proprietária do Facebook e do Instagram, começou a bloquear todas as notícias em suas plataformas no Canadá em agosto. A proibição de notícias ocorreu após a aprovação, pelo governo federal, do Projeto de Lei C-18, a Lei de Notícias Online, que exige que as grandes empresas de tecnologia paguem aos veículos de comunicação pelo conteúdo que utilizam ou reutilizam em suas plataformas. O Google também planejava começar a bloquear notícias no Canadá até o final do ano, quando o Projeto de Lei C-18 entraria em vigor. Para os comunistas, a proibição de notícias em plataformas pertencentes a bilionários ressalta a necessidade de uma imprensa operária independente, por meio da produção e distribuição de um jornal impresso.
[Publicado originalmente em marxist.ca em setembro de 2023]
Fightback e La Riposte socialiste, as seções canadense e quebequense da Corrente Marxista Internacional (CMI), sempre organizaram suas atividades políticas em torno da publicação de um jornal regular. Mas a importância de podermos imprimir nosso próprio jornal tornou-se mais evidente do que nunca após a proibição de notícias da Meta, quando nossa página em francês no Facebook foi completamente apagada para usuários canadenses. Nenhuma publicação ou outro conteúdo pode ser visualizado na página do La Riposte socialiste. Os links para nosso site internacional, Em Defesa do Marxismo, também foram desativados. Embora nossa página em inglês permaneça visível no Facebook enquanto este artigo estava sendo escrito, é apenas uma questão de tempo até que ela também seja apagada.
À medida que a crise do capitalismo se aprofunda, a classe dominante — completamente incapaz de resolver os problemas mais prementes da sociedade — tem recorrido cada vez mais à censura contra qualquer voz dissidente, especialmente aquelas que desafiam o próprio capitalismo. A eliminação de conteúdo das redes sociais que ameace os interesses dos capitalistas sempre foi inevitável. A proibição de notícias da Meta foi simplesmente o acidente através do qual essa necessidade se revelou, para usar a expressão de Hegel.
Felizmente, os marxistas de Fightback e La Riposte socialiste têm em seu arsenal uma arma capaz de resistir à censura das grandes empresas de tecnologia: um jornal impresso. Financiado inteiramente por nossos próprios apoiadores, vendido e distribuído por nossos camaradas, o jornal age como um organizador coletivo e como a ferramenta mais poderosa para a construção de um partido revolucionário de massas capaz de liderar a classe trabalhadora na derrubada do sistema capitalista.
Combatendo a censura capitalista
A ideia de uma organização comunista vender um jornal tem sido frequentemente atacada por muitos sectários da esquerda, até mesmo por aqueles que se consideram “marxistas”. A linha básica de ataque é sempre a mesma: os jornais, ao que parece, são ultrapassados, antiquados, uma relíquia do século XX. Por que produzir um jornal no século XXI, perguntam esses críticos, quando todos obtêm suas notícias pela internet? Por que não simplesmente manter um site ou uma presença ativa nas redes sociais?
A Meta respondeu veementemente a essas alegações. Se o Facebook era uma importante fonte de notícias para muitos usuários — uma pesquisa do Pew Research Center de 2020 revelou que 36% dos adultos nos Estados Unidos afirmavam obter notícias regularmente pelo Facebook —, essa opção deixou de existir no Canadá. Qualquer pessoa no Canadá que se informasse pelas plataformas da Meta agora precisa recorrer a outras fontes. Mas quais fontes? A mídia tradicional pertence a bilionários e representa os interesses da classe capitalista. Isso inclui também emissoras públicas como a CBC, já que o Estado representa os interesses da classe dominante. Além disso, os ricos financiam diretamente veículos de mídia de extrema direita, como o Rebel News.
E quanto a migrar para outras redes sociais? Elas também pertencem a capitalistas ricos, que sempre determinarão qual conteúdo é aceitável com base em seus próprios interesses. Basta apontar para o Twitter/X, que, sob a propriedade do autoproclamado defensor da liberdade de expressão Elon Musk, suspendeu contas de esquerda e impulsionou neonazistas. Enquanto isso, o YouTube censurou, reprimiu e desmonetizou muitas contas de esquerda. O jornalista Chris Hedges viu todo o seu arquivo de seis anos dos programas que apresentava desaparecer do YouTube. Mesmo ter um site não protege contra a censura capitalista, já que os capitalistas também são donos dos principais sistemas de gerenciamento de conteúdo da web, dos registradores de nomes de domínio e dos provedores de infraestrutura em nuvem. Essas empresas podem interromper o serviço a qualquer momento.
Como os marxistas gostam de falar, não se pode controlar o que não se possui. Os bilionários que controlam os meios de comunicação, em determinado momento, não permitirão que nenhuma voz que represente uma ameaça material direta aos seus interesses encontre espaço. Da mesma forma que a legislação de retorno ao trabalho se tornou rotina no Canadá assim que uma greve ameaça se concretizar, o martelo da censura cairá sobre qualquer um, mais particularmente sobre as organizações de esquerda, assim que suas ideias encontrarem eco suficiente para ameaçar a classe dominante.
Ao produzir um jornal impresso, os revolucionários podem continuar a se organizar e a alcançar trabalhadores e jovens com suas ideias, independentemente da censura. É claro que, em uma situação revolucionária ou pré-revolucionária, o Estado capitalista pode recorrer à destruição física da capacidade das organizações operárias, socialistas e comunistas de imprimir um jornal. Foi o caso na Rússia em 1917, quando o Governo Provisório destruiu a gráfica dos bolcheviques; e no Canadá durante a Primeira Guerra Mundial, após a Revolução de Outubro ter desencadeado uma onda de revoluções em todo o mundo. O Estado canadense, em 1918, proibiu muitas publicações socialistas sob ameaça de multa e prisão.
Mas, como disse Victor Hugo, nenhuma força na Terra pode deter uma ideia cujo tempo chegou. Como vimos na Rússia em 1917 ou na Espanha na década de 1970, nem mesmo os regimes mais tirânicos conseguem impedir a distribuição de material impresso revolucionário quando essas ideias correspondem às necessidades das massas, que consideram a ordem vigente intolerável e buscam uma saída.
O jornal como organizador coletivo
Em seu panfleto “Por Onde Começar?“, publicado em 1901, Vladimir Lênin explicou o papel central do jornal na construção da organização revolucionária:
“Um jornal não é apenas um propagandista coletivo e um agitador coletivo, mas também um organizador coletivo. Nesse último aspecto, pode ser comparado ao andaime em torno de um edifício em construção, que marca os contornos da estrutura e facilita a comunicação entre os construtores, permitindo-lhes distribuir o trabalho e observar os resultados comuns alcançados por seu trabalho organizado. Com o auxílio do jornal, e por meio dele, uma organização permanente tomará forma naturalmente, a qual se engajará não apenas em atividades locais, mas também em um trabalho geral regular, e treinará seus membros para acompanhar atentamente os eventos políticos, avaliar seu significado e seu efeito sobre as diversas camadas da população, e desenvolver meios eficazes para que o partido revolucionário influencie esses eventos. A mera tarefa técnica de fornecer regularmente o conteúdo ao jornal e de promover sua distribuição regular exigirá uma rede de agentes locais do partido unificado, que manterão contato constante uns com os outros, conhecerão o estado geral das coisas, se acostumarão a desempenhar regularmente suas funções específicas no trabalho pan-russo e testarão sua capacidade na organização de diversas ações revolucionárias.”
Todos esses pontos são igualmente relevantes e aplicáveis aos revolucionários de hoje. O ato de produzir um jornal regular obriga os camaradas a estudar cuidadosamente os acontecimentos atuais, a aprimorar seu conhecimento e compreensão da política, a aplicar a teoria marxista às necessidades práticas do movimento e a apresentar demandas transitórias que conectem as reivindicações imediatas dos trabalhadores e dos oprimidos à luta pelo socialismo.
Nossos críticos podem objetar: “Isso não seria possível com uma publicação puramente online?” Mas, como já demonstramos, os capitalistas controlam a internet e as plataformas de mídia social e podem bloquear o acesso a uma organização revolucionária a qualquer momento. A única maneira de garantir a publicação de nossas ideias é por meio de um jornal impresso, produzido e distribuído de forma independente.
Um jornal não apenas constrói a organização revolucionária: ele constrói revolucionários, de uma forma que nenhum site ou presença nas redes sociais consegue igualar. Ele exige que os camaradas divulguem o jornal pessoalmente: participando de comícios e protestos, marchando em piquetes e falando diretamente com trabalhadores e jovens. O jornal oferece uma personificação física da organização revolucionária e de seu programa. Ele força os revolucionários a saírem de sua zona de conforto e os obriga a defender as perspectivas comunistas — a “explicar pacientemente”, como disse Lênin — e a conquistar os trabalhadores para as ideias revolucionárias.
Para vender o jornal com eficácia, os marxistas precisam ter um sólido conhecimento do seu conteúdo, estar cientes dos acontecimentos atuais, compreender a teoria e ser capazes de explicá-la aos outros. Isso significa intervir ativamente no movimento a cada passo, apresentando as ideias marxistas que podem levar os trabalhadores e os oprimidos à vitória e construindo uma organização comunista de massas capaz de derrubar este sistema corrupto.
Construindo o partido revolucionário
O ato de vender o jornal, no entanto, leva a uma pergunta frequente: “Se vocês são comunistas, por que vendem jornais em vez de distribuí-los gratuitamente?”
A triste realidade é que ainda vivemos sob o capitalismo. Imprimir um jornal exige dinheiro e recursos. Como organização marxista revolucionária, não temos patrocinadores corporativos nem benfeitores ricos. Dependemos inteiramente do financiamento de nossos membros e apoiadores. A venda de jornais é um componente essencial desse financiamento, ajudando a cobrir os custos de impressão. Ela também permite que a organização marxista alcance um público mais amplo e contribua para a construção da infraestrutura do partido revolucionário.
A venda de jornais ajuda a custear o espaço para escritórios, a contratação de organizadores em tempo integral, a impressão de literatura marxista e viagens para conectar camaradas de diferentes áreas. Também exige que os camaradas que vendem o jornal convençam os trabalhadores de que o conteúdo vale o seu dinheiro. Trabalhadores e jovens comprometidos com a mudança política verão o valor de comprar um jornal para ajudar a sustentar uma organização revolucionária. Pagar por um jornal faz com que a pessoa se interesse mais por sua leitura. Por outro lado, entregar um jornal a alguém gratuitamente não exige esforço, conhecimento ou habilidade de mobilização. Convencer alguém a pagar por um jornal exige convencê-lo do valor das ideias revolucionárias.
Ao organizar nossa atividade política em torno da publicação e distribuição de um jornal revolucionário, a CMI segue uma orgulhosa tradição comunista, dos bolcheviques ao Partido dos Panteras Negras e à Tendência Militante na Grã-Bretanha. Parafraseando Lênin: sem um jornal revolucionário, não pode haver movimento revolucionário. Em vez de ficarmos à mercê de proprietários bilionários que controlam o acesso à mídia tradicional e às redes sociais, estamos construindo uma imprensa operária independente baseada nos ideais do marxismo. Os jornais impressos são a única maneira de garantir o jornalismo revolucionário feito pela classe trabalhadora para a classe trabalhadora. Convidamos você a apoiar a construção de um partido revolucionário juntando-se a nós e assinando solidariamente o Fightback e La Riposte socialiste.
