O presidente dos EUA, Donald Trump, quer anexar a Groenlândia. Ele argumenta que trará paz e independência aos groenlandeses, mas isso é obviamente uma mentira.
Quando Trump afirma que os EUA devem possuir a Groenlândia, ele não está apenas expressando um capricho seu, mas sim os interesses do imperialismo norte-americano. Os EUA não podem permitir que nenhum de seus rivais – Rússia e, principalmente, China – ganhe influência na Groenlândia, seja sobre seus recursos naturais ou em termos geoestratégicos. Os EUA precisam do controle da Groenlândia para garantir seus interesses no Ártico em meio ao crescente conflito entre as potências imperialistas mundiais.
[Originalmente publicado em dinamarquês em marxist.dk]
Os EUA não podem mais agir como a “polícia” do mundo inteiro, e o relativo declínio do imperialismo americano levou Trump a concentrar-se no Hemisfério Ocidental. Eles não hesitarão em fazer o que for preciso para garantir seu domínio na região, como vimos no início de janeiro na Venezuela. Os EUA precisam da Groenlândia e, portanto, seu objetivo é tomar o país.
É evidente que o povo groenlandês não pode esperar nada de positivo dos EUA, que os tratam, a eles e ao seu país, como mercadorias que podem ser compradas ou, se necessário, tomadas militarmente. O Partido Comunista Revolucionário, seção dinamarquesa da Internacional Comunista Revolucionária (ICR), condena veementemente a ameaça imperialista dos EUA de tomar a Groenlândia.
Políticos dinamarqueses estão horrorizados com as “táticas de intimidação” de Trump na Groenlândia e apelam para a chamada ordem mundial baseada em regras e para o direito das nações à autodeterminação. Mas sua hipocrisia é gritante.
Onde estava sua crítica ao imperialismo americano antes? Não havia nenhuma. Pelo contrário, o governo dinamarquês apoiou incondicionalmente todos os projetos imperialistas dos EUA nos últimos 30 anos, no Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia e em muitos outros lugares. Apoiaram os EUA e Netanyahu no genocídio em Gaza. E quando os EUA violaram recentemente todas as “regras do jogo” internacionais na Venezuela, não houve qualquer crítica.
A classe dominante dinamarquesa só começou a criticar o imperialismo norte-americano no momento em que seus próprios e mesquinhos interesses entraram em jogo. Mesmo agora, quando a ameaça dos EUA é real, eles fazem tudo o que podem para continuar a apaziguar os americanos. Entre outras coisas, mantêm firmemente o acordo que permite a instalação de bases militares americanas em território dinamarquês. Os políticos dinamarqueses não têm a menor intenção de mover um dedo numa luta real contra o imperialismo estadunidense. Pelo contrário, agarram-se à esperança de retornar a uma era passada, quando podiam viajar para terras distantes e garantir seus interesses capitalistas sob a proteção do imperialismo estadunidense.
O governo dinamarquês se apresenta como a única garantia de independência da Groenlândia, mas isso é tão mentiroso quanto a mentira que Trump tenta fazer os groenlandeses acreditarem. A verdade é o oposto. A Groenlândia é uma colônia da Dinamarca. Os apelos de Trump aos groenlandeses tocam em um ponto sensível quando ele destaca como a Dinamarca oprimiu brutalmente a Groenlândia por mais de 300 anos. O imperialismo dinamarquês é o culpado pela pobreza na Groenlândia, e os políticos dinamarqueses ainda se comportam como senhores coloniais. Eles só se interessaram pelos groenlandeses no dia em que Trump fez suas ameaças. Não têm interesse em conceder-lhes uma independência real, mas apenas em manter o domínio dinamarquês por meio da preservação do Reino da Dinamarca.
O governo dinamarquês defende os interesses imperialistas dinamarqueses, ou seja, os interesses dos capitalistas dinamarqueses em todo o mundo. Isso se aplica ao acesso a matérias-primas, mercados, oportunidades de investimento e esferas de influência. Mas o Estado dinamarquês é muito fraco para defender os interesses capitalistas dinamarqueses globalmente por conta própria e, portanto, prosperou seguindo os EUA.
A Groenlândia é um componente extremamente importante da estreita relação da Dinamarca com os EUA, sobretudo desde a ascensão de Trump ao poder, visto que a participação e o envolvimento dinamarqueses no Afeganistão, Iraque e Ucrânia deixaram de ser vistos com bons olhos pelos americanos. Os políticos dinamarqueses, portanto, estão desesperados para não abrir mão do controle da Groenlândia, pois isso romperia um elo crucial na relação entre a Dinamarca e os EUA. A situação na Groenlândia coloca a classe dominante dinamarquesa num dilema: ela precisa dos EUA, mas os EUA agora ameaçam retirar justamente aquilo que lhes confere uma relação especial com os EUA.
Repudiar as tentativas do imperialismo americano de tomar a Groenlândia não deve nos levar a defender a hegemonia do imperialismo dinamarquês.
Diante da ameaça de Trump, a Unity List (Nota do tradutor: A Unity List foi originalmente formada em 1989 como uma coligação eleitoral de três partidos: Esquerda Socialista; Partido Comunista da Dinamarca, e Partido dos Trabalhadores Socialistas, também conhecida como Red-Green Alliance) declarou seu apoio incondicional ao imperialismo dinamarquês. Com Pelle Dragsted à frente, eles estão entre os mais fervorosos defensores do Reino Dinamarquês, ou seja, da opressão colonial dinamarquesa sobre a Groenlândia. A única diferença entre a posição deles e a do governo dinamarquês é que a Unity List rejeita o imperialismo norte-americano. Mas nem o imperialismo dinamarquês nem o europeu são uma alternativa ao imperialismo norte-americano. Os únicos que têm um interesse real em resistir ao imperialismo norte-americano são as classes trabalhadoras: dinamarquesas, groenlandesas e norte-americanas.
Hoje em dia, um dos pilares mais importantes do capitalismo dinamarquês está titubeante: a instituição tricentenária do Reino da Dinamarca. O governo está extremamente fragilizado, com níveis historicamente baixos de confiança e popularidade. Agora, enfrenta a pior crise de política externa desde a Segunda Guerra Mundial, e neste momento, nossa tarefa é usar essa crise para desferir o golpe mais contundente possível contra toda a ordem capitalista na Dinamarca.
Em primeiro lugar, fazemos isso expondo como a luta por colônias e esferas de influência é parte integrante do sistema capitalista. A luta pelo direito da Groenlândia à autodeterminação só pode ser alcançada por meio de uma luta contra o imperialismo, ou seja, uma luta por uma revolução socialista mundial.
Como comunistas na Dinamarca, essa luta começa com o combate à classe dominante dinamarquesa e ao imperialismo dinamarquês. Fazemos isso como parte da luta internacional contra o imperialismo e a opressão, por uma revolução socialista mundial, lado a lado com nossos camaradas nos EUA e no resto do mundo, por meio da Internacional Comunista Revolucionária.
- Condenamos as ameaças imperialistas de Trump!
- Junte-se à luta por uma Groenlândia livre!
- Junte-se à luta contra o imperialismo dinamarquês!
- Junte-se à luta por uma revolução socialista mundial!
