Vários países da América Latina estão cancelando os programas de auxílio médico que recebem de Cuba, após a pressão contínua dos EUA para estrangular a ilha. Enquanto os EUA incendeiam o Oriente Médio, denunciam as ‘atrocidades’ cometidas por uma das principais exportações de Cuba: a saúde.
As missões dos médicos cubanos
Desde a revolução de 1959, Cuba enviou 600 mil médicos para 160 países para aliviar crises humanitárias, emergências e desastres naturais.
Em 1960, a ajuda médica foi enviada ao Chile após o terremoto de Valdivia. Em 1963, uma brigada foi enviada à Argélia para cobrir os serviços médicos após o êxodo dos médicos franceses após a vitória do movimento independentista. Esta foi a primeira brigada médica oficial cubana enviada para o exterior. Hoje, brigadas médicas cubanas operam em 15 províncias argelinas, principalmente para reduzir a mortalidade materna e infantil.
Estima-se que a presença médica de Cuba se estenda globalmente, com mais de 24.000 médicos destacados em 56 países. Essa colaboração abrange a América Latina (incluindo Venezuela, Nicarágua e México), várias partes do continente africano (incluindo Angola, Moçambique e Argélia) e o Oriente Médio, com presença notável no Catar, que atualmente está no fogo cruzado desde o ataque dos EUA ao Irã.
Apesar dos desafios que Cuba enfrenta, que também levaram à deterioração do sistema de saúde, a ilha mantém a maior proporção de médicos de toda a América Latina, nove para cada mil habitantes. Isso é três vezes mais que o Reino Unido!
Pressão imperialista
Além da solidariedade e do prestígio internacional, o programa médico cubano é uma das formas pelas quais Cuba gera renda do exterior. A exportação de serviços profissionais representa 40% da receita externa da ilha. Atualmente, a exportação de serviços médicos é a maior fonte de moeda estrangeira em Cuba, devido à interrupção no setor turístico. A ilha recebe cerca de 5,4 bilhões de dólares anualmente por seus serviços médicos.
Como parte do bloqueio imperialista criminoso, vários governos dos EUA já sabotaram o programa. De Bush em 2006 a Trump em 2017, os EUA implementaram o Programa de Liberdade Condicional dos Profissionais Médicos de Cuba, pelo qual médicos cubanos no exterior obteriam uma permissão de residência nos Estados Unidos caso deixassem seus cargos.
Marco Rubio declarou que o programa dos médicos é ‘tráfico humano’ e ‘trabalho forçado’, já que o dinheiro do programa é enviado ao governo cubano. A administração Trump deve estar muito familiarizada com tráfico humano, considerando a proximidade do presidente com o pedófilo mundialmente famoso, Jeffrey Epstein!
Rubio disse:
“Os programas de exportação de mão de obra de Cuba, incluindo missões médicas, enriquecem o regime cubano e, no caso das missões médicas de Cuba no exterior, privam os cubanos comuns do atendimento médico de que precisam desesperadamente em seu país de origem.”
Ele não mencionou que os Estados Unidos privam os cubanos comuns de cuidados médicos devido à falta de suprimentos e energia causada pelo bloqueio criminoso imposto à ilha por mais de 60 anos. Sem contar que a maioria dos cidadãos americanos têm dificuldades para acessar o atendimento de saúde em seu próprio país!
Após a pressão sobre o México para cancelar o fornecimento de petróleo para Cuba, essa é mais uma medida para isolar e sufocar economicamente a Revolução Cubana até o ponto do colapso. A escassez de energia interrompeu cirurgias eletivas e o transporte de pacientes que necessitam de tratamentos constantess, como a diálise.
A política criminosa dos Estados Unidos é semelhante à dos cercos medievais, quando uma cidade ou castelo era cercado e forçado a se render devido à fome.
Sob ameaça de cancelamento de visto, Bahamas, Granada, Antígua e Barbuda e Guiana anunciaram que vão cancelar ou reduzir seus programas de brigadas médicas cubanas. Jamaica, Honduras, Trinidad e Tobago, Santa Lúcia e Barbados também foram pressionados pelos EUA e, após a agressão imperialista de 3 de janeiro, a missão médica cubana na Venezuela também está em perigo.
Sistema de saúde sem Cuba
Muitos governos da região, completamente servis ao imperialismo dos EUA, decidiram encerrar esses programas e seguir a linha de Washington às custas de sua própria população.
Na Guatemala, uma nota da embaixada dos EUA nas redes sociais foi suficiente para cortar o programa. O governo anunciou em fevereiro que gradualmente substituiria os médicos cubanos por guatemaltecos. Isso não é um ato de benevolência para com o governo cubano, mas uma forma de ganhar tempo para o patético sistema de saúde guatemalteco. A Guatemala tem um dos menores gastos em saúde pública de todo o continente americano. As taxas de desnutrição infantil, mortalidade infantil e mortalidade materna são extremamente altas. Quase 42% da população guatemalteca é atendida por médicos cubanos, principalmente a população indígena.
A profunda corrupção no setor público da Guatemala deixou os hospitais, se é que existem, sem suprimentos médicos ou funcionários. Jovens médicos guatemaltecos não vão aceitar esses empregos, deixando milhares de pessoas sem acesso a cuidados de saúde, especialmente pediatria, oftalmologia e ginecologia.
Em Barbados, a primeira-ministra Mia Mottley, até agora, resistiu à pressão dos EUA, admitindo com razão que Barbados não teria sobrevivido à pandemia de COVID-19 sem a brigada cubana.
Honduras já mandou os médicos cubanos para casa, como parte do que o presidente simplesmente chamou de “uma questão de política externa”. Em apenas dois anos, a brigada cubana em Honduras realizou 10.000 cirurgias.
Algumas semanas atrás, apontamos que a destruição da Revolução Cubana e suas conquistas seriam uma perda para a classe trabalhadora do mundo inteiro. Além do símbolo que Cuba representa para jovens e trabalhadores na América Latina e no mundo, ela também representa uma ameaça direta e iminente ao acesso à saúde em toda a região.
