“Essa decadência intelectual atingiu seu ponto mais baixo nas figuras dos líderes políticos da Europa. Eles conduziram este continente, outrora poderoso, diretamente a um abismo de declínio econômico, cultural e militar, reduzindo-o a um estado de completa impotência.
“Tendo sacrificado tudo em benefício do imperialismo estadunidense por décadas, e acostumando-se ao papel humilhante de serviçais de Washington, agora se veem abandonados por seus antigos aliados e deixados à própria sorte.
“Sua estupidez ficou completamente exposta pela derrota na Ucrânia e pelo colapso de seus sonhos absurdos de derrotar a Rússia e destruí-la como potência. Em vez disso, encontram-se agora diante de uma Rússia poderosa e ressurgente, equipada com um enorme exército, armado com as armas mais modernas e endurecida por anos de experiência em batalha.”
“Nesta conjuntura crítica, eles se veem repentinamente abandonados pelo poder que deveria vir em sua defesa. Agora, correm como baratas tontas, atropelando-se uns aos outros na pressa de expressar seu apoio incondicional e inabalável a Volodymyr Zelensky.
“Eles vociferam e se enfurecem contra o homem na Casa Branca, a quem consideram o único responsável pelo desastre que os atingiu repentinamente.
“Mas todo esse coro histérico é apenas uma expressão de pânico, que, por sua vez, é apenas uma expressão de medo – medo puro, cego, absoluto. Por trás da falsa fachada de desafio, esses líderes estão paralisados de terror, como um coelho cegado pelos faróis de um carro que se aproxima.”
Escrevi essas linhas em um artigo intitulado “O significado de Donald Trump: uma análise marxista“, que publicamos em 21 de março de 2025. Elas descrevem com precisão a situação atual. Não preciso alterar uma única palavra ou vírgula.
O motivo do presente artigo foi a publicação do documento de Segurança Nacional dos EUA e o discurso de Pete Hegseth, em 6 de dezembro, no Fórum Reagan de Defesa Nacional, que, basicamente, tratam da mesma coisa.
Isso confirmou tudo o que vínhamos dizendo, mesmo antes de Trump chegar ao poder, a respeito de sua estratégia fundamental. Escrevemos bastante sobre isso há doze meses, e remeto vocês a esse material. A situação evoluiu desde então e agora chegou a um ponto de virada decisivo. Mas a estratégia básica não mudou.
Trump descreve o documento como um “roteiro” para garantir que os EUA permaneçam “a maior e mais bem-sucedida nação da história da humanidade”. Até aqui, tudo muito alarmante. Mas isso foi apenas o aperitivo. O prato principal ainda estava por vir. Foi a causa de uma grave indigestão entre uma certa classe de políticos.
O ataque à Europa
O novo documento contém críticas à Europa Ocidental – e à sua abordagem em relação à migração, à energia limpa e a muitas outras questões – que ultrapassam em muito os limites aceitáveis da diplomacia e das boas maneiras básicas.
O documento apela à restauração da “identidade ocidental”, ao combate à influência estrangeira, ao fim da imigração em massa e a uma maior atenção às prioridades dos EUA, como “deter os cartéis de droga”.
O homem na Casa Branca considera-se o maior especialista nessas atividades, cujos métodos sutis incluem o afundamento de pequenas embarcações no Caribe, o assassinato de pescadores desafortunados, que se encontrem a bordo dessas embarcações e, por último, mas não menos importante, atos de pirataria em alto mar, envolvendo a captura de grandes petroleiros e o roubo das suas cargas para o enriquecimento da Terra da Liberdade.
O documento prevê, com segurança, que se as tendências atuais continuarem, a Europa degenerada e decadente será “irreconhecível em 20 anos ou menos” e seus problemas econômicos serão “eclipsados pela perspectiva real e mais sombria do apagamento da civilização”.
Nesse sentido:
“Está longe de ser óbvio se certos países europeus terão economias e forças armadas suficientemente robustas para se manterem como aliados confiáveis”.
O documento afirmava ser “mais do que plausível” que, dentro de algumas décadas, alguns membros da OTAN se tornassem “majoritariamente não europeus” e que era “uma questão em aberto” se eles veriam a aliança da mesma forma.
A ameaça à democracia
O documento elogia a crescente influência de “partidos patrióticos europeus” e afirma que “os Estados Unidos incentivam seus aliados políticos na Europa a promoverem esse renascimento do espírito”.
Pior ainda, o documento acusa a UE e “outros organismos transnacionais” de realizarem atividades que “minam a liberdade política e a soberania”.
Afirma que as políticas migratórias estão “criando conflitos” e que outras questões incluem “censura à liberdade de expressão e supressão da oposição política, queda acentuada das taxas de natalidade e perda de identidades nacionais e autoconfiança”.
Isso é um tapa na cara de todos os governos da Europa, especialmente o da Alemanha, onde o governo Trump fortaleceu os laços com o AfD, partido que foi caracterizado como de “extrema direita” pela inteligência alemã. O establishment alemão fez tudo ao seu alcance para demonizar, isolar e, se possível, tornar o AfD ilegal.
De fato, a acusação de que a Europa caminha rapidamente rumo a regimes antidemocráticos e autoritários é bem fundamentada. Com crescente frequência, observa-se uma tendência à discriminação flagrante e à demonização dos partidos que não se alinham às ideias e aos interesses da elite “liberal”.
O caso da Romênia é instrutivo nesse sentido. Nesse país – supostamente democrático – o candidato mais popular nas pesquisas foi impedido de concorrer às eleições e preso sob acusações forjadas que ninguém jamais conseguiu comprovar.
As autoridades romenas chegaram ao ponto de cancelar uma eleição, simplesmente por discordarem do resultado. Essa clara violação das regras mais elementares da democracia não foi condenada pela União Europeia. Pelo contrário, foi justificada e elogiada como uma necessária “defesa da democracia”.
O Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, comentou com acidez que seu país não precisava de “conselhos externos”.
Para a Alemanha, acrescentou rapidamente, “os Estados Unidos são e continuarão sendo nosso aliado mais importante na aliança [da OTAN]”, mas afirmou que “essa aliança, no entanto, está focada em questões de política de segurança”.
“Acredito que questões de liberdade de expressão ou a organização de nossas sociedades livres não pertencem [à estratégia], pelo menos não no que diz respeito à Alemanha”.
Está muito claro que as autoridades alemãs gostariam muito de seguir o exemplo romeno e proibir o AfD. Ora, independentemente da opinião que se tenha sobre partidos como o AfD, é certamente direito do povo alemão – e somente dele – decidir em qual partido votar nas eleições.
Esse é um direito democrático elementar, até então considerado sacrossanto pelas democracias europeias. Mas esse não é mais o caso. Evidentemente, o compromisso da elite liberal com a democracia tem limites definidos.
Eles são a favor das eleições – mas apenas se o partido eleito representar sua própria ideologia e seus interesses. Caso contrário, não veem razão para que tais partidos sequer devam existir.
Por todas essas razões – e muitas outras – o que o documento diz sobre medidas antidemocráticas na Europa é verdade. Mas o que o documento não diz – e precisa ser dito – é que exatamente a mesma situação existe também nos Estados Unidos. Donald Trump, melhor do que a maioria das pessoas, deveria estar consciente disso.
Pânico na Europa
Este documento representa uma ruptura fundamental em toda a política externa dos Estados Unidos. E deixou os aliados americanos na Europa em estado de profundo choque.
Quando esse texto chegou às mesas de seus ministérios das Relações Exteriores, teve o efeito explosivo de uma bomba nuclear. Alarmes soaram furiosamente em todas as chancelarias europeias.
A Europa é retratada como um continente em declínio, uma civilização em declínio. Pior ainda, a União Europeia é vista como antitética ao crescimento, ao desenvolvimento e à criatividade.
Os tremores resultantes continuam a abalar os alicerces da Aliança Ocidental. Mais uma vez, os políticos começaram a correr como galinhas que acabaram de descobrir que a raposa apareceu de repente no galinheiro.
E como essas mesmas galinhas aterrorizadas, encarando a raposa, sua reação inicial foi de paralisia. Por um tempo, permaneceram em silêncio atônito, sufocando a raiva por medo de provocar o maníaco homicida na Casa Branca a ações ainda mais extremas.
Quando finalmente seus sentimentos internos de raiva e frustração não puderam mais ser contidos, os líderes da Europa começaram a protestar veementemente contra esse ato de agressão não provocado contra sua dignidade e honra.
Um alto funcionário da União Europeia alertou os Estados Unidos contra a interferência nos assuntos europeus e afirmou: “somente os cidadãos europeus podem decidir quais partidos devem governá-los”.
Donald Tusk, o primeiro-ministro linha-dura da Polônia, continua repetindo com uma obsessão que beira a histeria a existência de um Ocidente Coletivo, mesmo quando um de seus principais componentes, os Estados Unidos, acaba de declarar publicamente seu fim.
Ele insiste que esse inexistente Ocidente Coletivo é mais forte quando está unido, e quando está unido contra inimigos e adversários (ele se refere aos russos, mas teme até mesmo mencionar seus nomes em público).
Outros líderes europeus têm repetido exatamente as mesmas palavras, como papagaios bem treinados. Isso leva a crer que se trata de um roteiro cuidadosamente elaborado, que todos esses senhores e senhoras são obrigados a repetir, sob a alegação de que, se você repetir algo com frequência suficiente, as pessoas acabarão acreditando.
O problema é que ninguém parece estar dando ouvidos a eles. E o malfadado “Coletivo Ocidental” permanece morto e enterrado, exatamente como estava antes de começarem com seu alvoroço.
Ainda assim, eles são impulsionados a uma atividade frenética (principalmente conferências secretas intermináveis e retórica vazia), encorajados pela crença de que “algo precisa ser feito!”. Infelizmente, esse “algo” acaba sendo… nada.
O problema é que esses líderes perceberam repentinamente que sua influência nos assuntos de Washington não é tão grande quanto imaginavam. Na verdade, é inexistente.
Eles examinam cada frase, cada linha, cada ponto e vírgula do maldito documento, buscando desesperadamente alguma migalha de consolo. Em troca, recebem apenas um golpe atrás do outro.
Um diplomata europeu, falando sob condição de anonimato, disse: “O tom em relação à Europa não é promissor. Pior até do que o discurso de Vance em Munique, em fevereiro.”
Políticos e autoridades europeias se irritaram com o tom vindo de Washington, mas, embora se apressem para reconstruir suas forças armadas negligenciadas para enfrentar uma suposta ameaça da Rússia, ainda dependem fortemente do apoio militar dos EUA. Portanto, precisam ser muito cautelosos em suas declarações públicas, por medo de irritar o homem na Casa Branca, conhecido por ser muito sensível e não tolerar críticas facilmente.
Por todas essas razões, nos corredores do poder de quase todos os países da Europa, um clima de profunda depressão se instalou como uma densa nuvem negra. E logo atrás dessa nuvem, outro clima, ainda mais alarmante, começa a tomar conta. O nome desse clima é pânico – pânico puro, cego, incontrolável, que leva, eventualmente, à paralisia da vontade.
Mas, no fim, os europeus terão que se recompor e elaborar uma estratégia para derrotar o plano de paz de Trump na Ucrânia. Essa é a única maneira, na visão deles, de impedir que os EUA rompam seus laços com a Europa e a deixem arcar com os custos da guerra na Ucrânia.
Por que essa reação?
A primeira pergunta que surge é: como explicar essa súbita explosão de choque, raiva e incredulidade? Afinal, a publicação de tais documentos não é novidade. Longe disso, na verdade.
Uma Estratégia de Segurança Nacional formal é normalmente divulgada pelos presidentes uma vez por mandato. Ela pode servir de base para políticas e orçamentos futuros, além de sinalizar ao mundo quais são as prioridades do presidente.
Portanto, toda nova administração americana publica uma revisão de segurança. É tão normal quanto o café e o jornal da manhã.
À primeira vista, então, o recebimento de tal documento deveria ter provocado pouco mais do que um bocejo e uma expressão de puro tédio. A razão não é difícil de encontrar.
Até agora, cada documento desse tipo, com este ou aquele pequeno ajuste, seguia exatamente a mesma linha, as linhas tradicionais do imperialismo americano: em essência, a dominação mundial, disfarçada sob a bandeira da chamada “ordem internacional baseada em regras”. O motivo é que o documento teria sido redigido apenas de forma muito superficial pela administração entrante.
Os verdadeiros autores seriam membros do governo de fato dos Estados Unidos, que não são eleitos por ninguém e respondem apenas a si mesmo. Paralelamente às formalidades da democracia, sempre existiu uma entidade obscura, que alguns descrevem como o “Estado profundo” (deep state). Mas, seja qual for o nome que lhe deem, ela representa o governo genuíno e permanente dos EUA.
Os homens e mulheres que compõem esse governo secreto e permanente são, em parte, os generais e almirantes que comandam o Pentágono e os serviços de segurança – a CIA, o FBI e o Departamento de Segurança Interna, entre outras entidades burocráticas.
Por outro lado, mantém estreitas ligações com as grandes empresas, os bancos, Wall Street e todos os outros magnatas ricos que constituem o que se conhece como Complexo Militar-Industrial.
Por fim, mas não menos importante, temos o que poderia ser chamado, de forma geral, de ala intelectual desse poderoso grupo. As miríades de think tanks governamentais e semi governamentais que rondam Washington como vespas.
Eles, por sua vez, estão intimamente ligados à mídia contratada, chamada comicamente de “imprensa livre”.
Os professores universitários de Yale e Harvard completam o quadro. E é preciso ressaltar que, para esses indivíduos, o que menos importa é a objetividade acadêmica.
Cada um dos membros desta camarilha de extrema-direita é produto de décadas de propaganda reacionária, transmitida diretamente desde os anos da Guerra Fria.
Profundamente impregnados por um espírito de ódio eterno contra a Rússia e a China, sempre defenderam a noção da supremacia mundial americana.
Eles ainda veem os Estados Unidos como a nação mais poderosa do mundo, à qual todas as outras nações devem se curvar, sob pena de sofrerem consequências terríveis.
Eles enxergam seus “aliados” da mesma forma que os romanos viam os seus: como meros peões no jogo da diplomacia das grandes potências, para serem usados e descartados como lixo inútil.
Durante décadas, os EUA consideraram a OTAN uma defensora ferrenha da “democracia”. Mas a longa experiência nos ensinou que, para o imperialismo estadunidense, a bandeira da “democracia” é apenas um disfarce para ocultar seus constantes atos de agressão contra outros países.
Nos últimos anos, eles começaram a justificar esses atos agressivos alegando a defesa do que chamam de “ordem internacional baseada em regras”. Com isso, entendem quaisquer regras que os EUA busquem impor ao resto do mundo.
Os líderes europeus, por sua vez, aceitaram de bom grado a liderança dos EUA, acreditando (ingenuamente) que os americanos sempre defenderiam seus interesses e os protegeriam em caso de necessidade.
Por muito tempo, esse mito reconfortante se manteve válido. Portanto, os líderes europeus podiam esperar, com confiança, que a mais recente Estratégia de Segurança Nacional dos EUA fosse mera repetição da mesma doutrina.
Mas estavam enganados. Os tempos mudaram. E o conceito de segurança nacional de Washington também.
Suposições equivocadas
Este novo documento, que reflete a posição oficial de um presidente americano e sua administração, era algo que, até muito recentemente, ninguém esperava ver.
Eles percebem que, por baixo da superfície, uma profunda mudança está ocorrendo nos Estados Unidos. Cada vez mais pessoas se tornam céticas em relação à política externa americana tal como foi conduzida nos últimos 80 anos.
Cresce o ressentimento em relação à quantidade de recursos americanos que estão sendo desperdiçados em guerras intermináveis e aventuras estrangeiras. E as notícias de corrupção na Ucrânia, que começam a vazar para a mídia americana, só aumentam as suspeitas e a raiva.
Tudo isso alimenta uma demanda por mudanças na política externa dos EUA. Isso tem profundas implicações para a Europa. Pelo menos nos últimos 30 anos, desde o fim da Guerra Fria, os principais governos europeus basearam sua política em duas premissas. Primeiro, a existência de um “Ocidente Coletivo” – uma empreitada conjunta na qual os Estados Unidos são o parceiro principal, mas na qual todos os governos europeus e as elites europeias têm um interesse comum.
A segunda premissa era a de que não há limites para o poder americano, que os Estados Unidos poderiam alcançar qualquer objetivo que escolhessem. Agora, com uma canetada, todas essas ilusões sagradas foram jogadas sem cerimônia na lata de lixo da história.
De repente, os Estados Unidos, longe de nutrir simpatia pelos governos e líderes da Europa, passam a vê-los cada vez mais não como aliados e amigos, mas como adversários, ou mesmo como inimigos.
Uma situação chocante, sem dúvida! Mas agora, desenvolvimentos ainda mais ameaçadores e assustadores se avizinham.
O papel dos Estados Unidos no mundo
Tudo isso deve ser visto como o pano de fundo do documento que causou tamanha repercussão, cujos motivos agora se tornaram claros.
O presente documento não se assemelha a nenhum outro documento anterior emitido por Washington desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma completa reavaliação do papel dos Estados Unidos no mundo.
Donald Trump compreendeu que o poder americano não é ilimitado. As recentes experiências no Iraque e no Afeganistão foram uma prova inequívoca disso. Agora, essa mesma ideia se torna ainda mais evidente nos campos de batalha da Ucrânia.
Finalmente, ele foi obrigado a encarar a realidade. E a realidade é muito clara. A Ucrânia perdeu a guerra. E não há absolutamente nada que os Estados Unidos, ou qualquer outro país, possa fazer a respeito.
Ele agora pede que os Estados Unidos abandonem sua pretensão de dominar o mundo. O principal interesse de segurança nacional dos Estados Unidos não é mais dominar o mundo inteiro, mas sim consolidar seu controle sobre todo o Hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Terra do Fogo.
Este é o “Corolário Trump” da Doutrina Monroe. Seu principal objetivo é remover elementos estrangeiros do continente – manter o Hemisfério Ocidental livre de incursões estrangeiras hostis ou da posse de ativos estratégicos. Isso significa, acima de tudo, a China.
Em última análise, tudo se resume a uma demonstração de força bruta, com o objetivo de obrigar todos os governos ao sul do Rio Grande a se submeterem ao domínio dos EUA. As recentes ações agressivas contra a Venezuela são uma manifestação concreta do verdadeiro significado dessa doutrina.
Para alcançar esse objetivo, é necessário, antes de tudo, fortalecer os Estados Unidos militar, tecnológica, industrial e economicamente. E a condição primordial para isso é livrar os EUA de envolvimentos estrangeiros desnecessários, em particular da guerra na Ucrânia. Mas isso é mais fácil dizer do que fazer, como ele próprio descobriu.
Trump fora da linha
A impotência de Trump foi revelada por suas constantes oscilações, passando de uma posição para outra, como um bêbado cambaleando de um poste de luz para outro, sem nunca recuperar o equilíbrio.
Após quase um ano no governo, os trabalhadores não veem nenhuma melhora em seus padrões de vida. Não há sinal de recuperação econômica. Pelo contrário, tudo indica que os EUA estão caminhando para uma recessão – se é que ela já não começou.
Sua base no movimento MAGA já está ficando impaciente com a falta de progresso em diversas frentes. Sua política externa está repleta de fracassos.
E a sensação de fracasso só é agravada pela retórica absurda e pela arrogância sem sentido do presidente, criando grandes ilusões que terminam em decepções ainda maiores.
Trump pode ser criticado por muitas coisas. Em particular, sua compreensão da diplomacia é extremamente precária. As habilidades que ele adquiriu com sua experiência no mercado imobiliário de Nova York evidentemente não foram suficientes para guiá-lo pelo traiçoeiro pântano das relações internacionais.
Sua confiança em seus próprios instintos, em vez do cálculo frio e racional, abriu caminho para uma série de erros. Em vez de um touro numa loja de porcelana, ele parece, no âmbito da diplomacia, uma espécie de rinoceronte embriagado, avançando para todos os lados sem jamais se engajar em seus objetivos.
Suas extravagantes promessas de paz estão sendo expostas como mera retórica. Ele alega ter posto fim à guerra em Gaza e que agora haverá um boom de investimentos, que criará prosperidade para todos, num mundo de paz e felicidade.
Mas os acontecimentos provam que o suposto acordo em Gaza está por um fio. Netanyahu não quer a paz e se recusa a retirar suas forças das ruínas devastadas daquela terra infeliz. Por outro lado, o Hamas se recusa a desarmar-se, pois não tem o menor desejo de cometer suicídio voluntário.
Em outras partes do mundo também, as iniciativas de paz de Trump não obtiveram maior êxito. Após um breve intervalo, as hostilidades entre o Camboja e a Tailândia foram retomadas, com ambos os lados atacando com mísseis e artilharia.
E apesar da recente atenção da mídia, a verdade é que seus planos para a paz na Ucrânia não resultaram em absolutamente nada.
Isso era inevitável desde o início, já que sua negociação se baseava em uma premissa falsa: a de que era possível chegar a um acordo entre as exigências da Rússia e as do regime em Kiev.
Os Estados Unidos gastaram enormes quantias de dinheiro para sustentar o regime de Zelensky em Kiev. Eles esgotaram seriamente seu arsenal, enviando grandes quantidades de armas e munições para continuar uma guerra que agora está claramente perdida. Portanto, Trump precisa pôr fim à guerra na Ucrânia, e precisa fazê-lo imediatamente, se não antes.
Crise na Ucrânia
Após considerar todas as opções, Donald Trump concluiu que o principal obstáculo à paz na Ucrânia é precisamente a campanha sistemática de sabotagem contra seu plano de paz, orquestrada por Zelensky e os europeus.
Essa suposição está perfeitamente correta. Zelensky não quer a paz. Pelo contrário, ele precisa que a guerra continue, mesmo sabendo que já a perdeu. A continuação de um conflito sem sentido significará a morte de milhares, provavelmente dezenas de milhares de pessoas. Mas isso não o preocupa.
Muito mais importante para Zelensky do que as mortes e o sofrimento de seu povo é o fato de que o fim da guerra significaria eleições, que ele indubitavelmente perderia. Isso significaria o fim de sua carreira política e, muito provavelmente, resultaria em uma acusação por corrupção.
O escândalo de corrupção na Ucrânia atingiu proporções epidêmicas. Envolve enormes somas de dinheiro doadas, supostamente para o esforço de guerra, mas que acabaram nas contas bancárias de oligarcas ricos e funcionários nas ilhas do Caribe.
Este é mais um sinal claro de desintegração e colapso iminente. Os colaboradores mais próximos de Zelensky estão implicados e fogem do país para evitar a prisão.
A mais recente vítima é seu braço direito, Andriy Borysovych Yermak. Mas a onda de escândalos não dá sinais de arrefecimento e suas águas começam a atingir o próprio presidente. Não é de admirar que ele passe a maior parte do tempo visitando seus amigos na Europa, que podem lhe oferecer algum consolo para seus muitos problemas.
Em meio a esse colossal escândalo de corrupção, Starmer, Macron, Merz, Ursula von der Leyen e outros membros da mesma quadrilha continuam a exigir enormes somas de dinheiro para prolongar uma guerra criminosa e sangrenta.
A pobre e sofrida Ucrânia está de joelhos, seu exército está sendo sistematicamente destruído, inúmeras vidas estão sendo perdidas sem sentido na tentativa de impedir a queda de Donbas, que agora é apenas uma questão de tempo.
Os soldados ucranianos se recusam cada vez mais a obedecer ordens que os enviam para o abate. Muitos desertam ou se rendem. Cem mil jovens fugiram do país para escapar do recrutamento militar.
Todas as noites, as cidades ucranianas são bombardeadas por ataques de mais de 500 drones e mísseis russos, contra os quais há pouca ou nenhuma defesa. O sistema energético foi destruído, fazendo com que muitas famílias ucranianas passem dezesseis horas por dia no escuro, sem aquecimento ou instalações para cozinhar.
Não importa! Quem se importa se pessoas morrem e cidades são destruídas? Quem se importa se as pessoas sofrem com o frio? Quem se importa se o exército ucraniano está sendo sistematicamente dizimado? O importante é continuar lutando! Basta prolongar a guerra por mais um pouco e a Ucrânia, no final, certamente vencerá!
Os Estados Unidos e a Rússia
A Revisão de Segurança representa uma mudança fundamental na atitude dos Estados Unidos em relação à Rússia. Ela não se refere à Rússia como um adversário ou rival, mas como um país com o qual os Estados Unidos devem buscar a restauração da estabilidade nas relações e um país com o qual os Estados Unidos devem trabalhar para estabilizar a situação na Europa.
Mas por que os europeus estão tão determinados a sabotar os esforços de Trump para negociar com os russos? Como explicar a peculiar obsessão (não encontro outra palavra para descrevê-la) dos líderes europeus com a Rússia? Por que demonstram um ódio tão intenso por ela?
À primeira vista, parece bastante irracional. Pois, independentemente do que se pense sobre os méritos e deméritos da guerra na Ucrânia, é absolutamente claro para todos, exceto para os mais cegos, que os russos estão vencendo e os ucranianos estão perdendo.
Sendo assim, o lógico a se fazer é tentar alcançar algum tipo de solução negociada, e isso significa inevitavelmente entrar em negociações com os russos, que são, de fato, o elemento decisivo na equação.
Sem essas negociações, sem reconhecer as legítimas preocupações da Rússia e aceitando que qualquer paz agora terá que ser, em grande medida, nos termos da Rússia, nenhuma paz será possível.
Portanto, opor-se às negociações entre americanos e russos parece, para dizer o mínimo, irracional. Os líderes europeus demonizaram a Rússia, que proclamam ser um país que, por razões nunca adequadamente explicadas, é inerentemente agressivo e expansionista. Evidentemente, eles veem isso como algo profundamente enraizado no DNA do povo russo!
Sendo assim, se os russos conseguirem ocupar a Ucrânia, inevitavelmente avançarão para oeste, até que seus exércitos apareçam diante do Palácio de Westminster e estacionem seus tanques às margens do Sena.
O objetivo dos homens no Kremlin é obviamente conquistar e ocupar toda a Europa. E o apetite, como sabemos, vem com a comida. Essa fábula infantil é constantemente repetida, até mesmo em jornais que se dizem sérios. O fato de não ter absolutamente nenhum fundamento na realidade é mera coincidência. Afinal, por que deixar que os fatos estraguem uma boa história?
Até que ponto essa russofobia tem fundamento real? Essa é uma questão interessante, sobre a qual seria necessário um psiquiatra qualificado para emitir uma opinião. É claro que há uma enorme dose de cinismo e cálculo egoísta em toda essa propaganda.
No entanto, no caso de pessoas como Kaja Kallas e Ursula von der Leyen, parece que o nível de fanatismo cego em sua abordagem à Rússia e a tudo que é russo tem, pelo menos em certa medida, uma base patológica.
Contudo, existe uma razão bastante racional para sua conduta aparentemente irracional. Nas palavras de Shakespeare: “embora isso seja loucura, há um método nisso”.
Os Estados Unidos informam aos europeus que a vitória sobre a Rússia na Ucrânia não é mais possível e que o correto a fazer é buscar com a Rússia uma relação estável com a Europa.
Disso decorre que o objetivo do governo é criar uma situação em que os Estados Unidos possam reduzir gradualmente sua presença na Europa, concentrando-se em outras questões mais urgentes e importantes, particularmente o conflito com a China.
Isso significa não apenas que os Estados Unidos não têm mais interesse em continuar a guerra na Ucrânia. Seguindo seus próprios interesses nacionais, os Estados Unidos terão que buscar uma reaproximação, ou pelo menos algum tipo de estabilização das relações, com a Rússia.
Este é o pior e mais temido pesadelo para os líderes europeus. E eles farão tudo ao seu alcance para impedir que esse plano se concretize. Isso explica seus esforços frenéticos para sabotar todas as iniciativas de Trump para pôr fim à guerra na Ucrânia.
Aqui, ele sempre se depara com o mesmo problema insolúvel.
Zelensky e os europeus
As negociações entre americanos e russos estão em andamento, mas é muito claro que Zelensky e os europeus se opõem a elas. Trump está claramente furioso com a sabotagem constante dos ucranianos e seus aliados europeus e está intensificando a pressão sobre Zelensky, a quem agora ataca publicamente.
A posição de Zelensky está se tornando cada vez mais frágil e insustentável. O enorme déficit orçamentário ucraniano significa que o país está falido. E o dinheiro para o próximo ano, que só pode ser fornecido pela União Europeia, depende exclusivamente da apreensão dos ativos russos congelados, à qual a Bélgica se opõe.
Se não encontrarem esse dinheiro nas próximas semanas, a Ucrânia não terá orçamento para o próximo ano – nem dinheiro para pagar a guerra, nem mesmo para se manter funcional.
A situação está chegando a um ponto crítico. E, para piorar as coisas, o escândalo de corrupção está atingindo seu ápice, no qual muitos dos principais apoiadores e colegas de Zelensky estão envolvidos. É apenas uma questão de tempo até que o escândalo atinja a figura do próprio presidente.
Trump deu uma dica nada sutil, dizendo que achava que seria “uma boa ideia” a Ucrânia realizar eleições. Zelensky, que teme a perspectiva de eleições como o diabo teme a água benta, não se apressou em acatar a dica.
Mas agora, com as costas contra a parede, ele de repente diz que não se opõe à realização de eleições, contanto que os americanos possam “garantir as condições”. Seja lá o que isso signifique!
Na realidade, não haverá eleições. Zelensky percebe que o terreno está se movendo sob seus pés. Um número crescente de pessoas está surgindo do nada para se opor a ele – até mesmo alguns de sua própria fração.
Claramente, a situação está tensa em Kiev. Nos recônditos do poder, discute-se em voz baixa como seu líder já não lhes serve mais e que é hora de encontrar alguém para substituí-lo.
Mas isso é mais fácil dizer do que fazer. O momento ideal para removê-lo provavelmente teria sido há doze meses. Mas, no último período, ele tomou medidas para aumentar seu controle sobre o poder estatal. Pelo menos por enquanto, ele parece ter firme controle sobre o exército e os serviços de inteligência. No entanto, à medida que ele perde o apoio de Washington e o fluxo de verbas começa a diminuir, isso pode mudar. Uma série de sérios reveses na frente de batalha pode facilmente desencadear uma crise governamental, levando à queda de Volodymyr Oleksandrovych Zelensky.
Ilusões sobre a Ucrânia
“Gerir as relações europeias com a Rússia exigirá um envolvimento significativo dos EUA”, afirma o documento, acrescentando que é de interesse fundamental dos EUA que as hostilidades na Ucrânia terminem. O tom é de extrema confiança. Mas o conteúdo é totalmente vazio.
O documento afirma que a Europa não tem “autoconfiança” na sua relação com a Rússia. Isso é um eufemismo absurdo. Não é que os líderes europeus não tenham confiança nas suas relações com a Rússia.
O fato é que eles não têm relações com a Rússia. Eles não querem qualquer relação com a Rússia, um país que encaram com ódio, medo e suspeita declarados. Acima de tudo, eles não querem que os Estados Unidos tenham qualquer relação com a Rússia.
Essa é a principal força motriz por trás de todo o seu pensamento atual. E isso representa o calcanhar de Aquiles fatal de todas as negociações em curso entre a Rússia e o Ocidente.
Quais são os fatos?
O governo Trump propôs um plano para encerrar a guerra, cuja versão original previa que a Ucrânia entregasse parte do território ao controle de fato da Rússia.
No entanto, Moscou afirmou repetidamente que as tropas ucranianas devem se retirar da região de Donbas, no leste da Ucrânia, ou a Rússia alcançará todos os seus objetivos pela força.
E o fato é que os russos agora detêm todas as cartas na manga em qualquer negociação, simplesmente porque estão vencendo a guerra. Consequentemente, não veem motivo para fazer qualquer concessão. Nenhuma ameaça, intimidação ou suborno os fará mudar de ideia.
Zelensky, por sua vez, rejeita obstinadamente qualquer sugestão de fazer concessões de qualquer tipo. Ele defende a vitória da Ucrânia no campo de batalha e é entusiasticamente apoiado em sua loucura pelos lunáticos, palhaços e imbecis que, no momento, detêm os destinos da Europa em suas mãos.
Há muitos meses, as páginas dos jornais ocidentais estão repletas de reportagens sobre as idas e vindas da diplomacia em relação à Ucrânia. Uma infinidade de documentos sem autoria são noticiados e analisados em detalhes, embora ninguém consiga afirmar quem os escreveu ou o que representam.
Cada comentário de Donald Trump, cada encontro fortuito com este ou aquele líder europeu, e a constante, tediosa e totalmente inútil reunião da comicamente chamada “coalizão dos dispostos” são analisados minuciosamente.
E todo esse fluxo interminável de conversa fiada é apresentado como a mais alta manifestação da diplomacia contemporânea a um público que há muito deixou de lhe dar a mínima atenção.
Em contrapartida, quase nenhuma palavra é dita sobre os eventos reais no campo de batalha, que estão muito distantes das manobras sem sentido de uma diplomacia fictícia. O destino de todas as guerras não é decidido por palavras, mas por bombas, balas, tanques e projéteis de artilharia. E a viabilidade, ou não, de qualquer solução diplomática é, em última análise, determinada pelos eventos no campo de batalha, e nada mais.
A questão decisiva, que condiciona tudo o mais, é a situação na frente de batalha, que, do ponto de vista ucraniano, está se deteriorando rapidamente. O New York Times publicou recentemente um artigo que apontava para o colapso de trechos da frente. Obviamente, a situação está se deteriorando rapidamente.
De qualquer ponto de vista racional, Zelensky deveria estar entrando em contato urgentemente com os russos para tentar negociar os termos mais favoráveis (ou menos desfavoráveis) possíveis dadas as circunstâncias.
Mas Zelensky não se guia por nenhuma consideração racional. Ele ainda exige que os russos – que estão vencendo a guerra – se rendam imediatamente e entreguem todos os territórios ocupados (incluindo a Crimeia!) aos ucranianos, que estão perdendo.
Esta seria a primeira e única vez na história em que um exército perdedor ditaria as regras aos vencedores! É como se um homem encurralado com uma pistola apontada para sua cabeça, ao ser solicitado a entregar sua carteira, respondesse: “Não! E você, por que você não me entrega a sua carteira?”
Evidentemente, tal pessoa seria alguém que escapou recentemente de um hospital psiquiátrico ou um homem extremamente cansado da vida que deseja cometer suicídio o mais rápido possível.
Zelensky e sua camarilha parecem ter perdido completamente o contato com a realidade. O presidente, que agora exibe todos os sinais de extrema instabilidade mental, parece viver em um mundo de sonhos.
Diante do espectro crescente da derrota por todos os lados, ele e seu chefe militar, Oleksandr Stanislavovych Syrskyi, emitem continuamente ordens criminosas às tropas sitiadas, cercadas por forças russas superiores, para não recuarem nem cederem um único milímetro de território.
Ordenaram repetidas contra ofensivas com o objetivo de impedir a queda de Pokrovsk, o que levou ao sacrifício insensato de milhares de vidas de homens corajosos para salvar a cidade, cuja queda era absolutamente inevitável.
Tais situações não são desconhecidas na história. Quando um regime está fadado ao fracasso, seus principais adeptos refugiam-se em todos os tipos de delírio insano. Fecha os olhos para a realidade e se isolam em uma bolha fechada, cercados por lacaios servis e bajuladores.
Esse foi o destino de Adolf Hitler. Em 1943, ficou claro que a Alemanha havia perdido a guerra e que o Exército Vermelho Soviético estava prestes a lançar uma ofensiva impossível de deter.
Em vez de buscar algum tipo de acordo diplomático com os americanos (como alguns dos principais nazistas desejavam), Hitler se entrincheirou em seu bunker em Berlim, de onde movimentava divisões fantasmas, inexistentes, e emitia ordens impossíveis para ofensivas que jamais poderiam acontecer.
O resultado foi uma derrota devastadora e a destruição de cidades alemãs. Hitler escolheu o único caminho que lhe restava e cometeu suicídio.
Costuma-se dizer que podemos aprender lições com a história. Mas Hegel observou que qualquer pessoa que tivesse estudado a história só poderia chegar a uma conclusão: que ninguém jamais aprendeu qualquer lição com a história.
Vemos a veracidade dessa afirmação agora na Ucrânia. O povo ucraniano está pagando um preço terrível pela conduta insana de seus líderes e pelo comportamento ainda mais abominável, imoral, cruel e desumano dos chamados líderes civilizados da Europa.
A queda de Pokrovsk
Enquanto isso, a guerra continua. A mídia ocidental está repleta das mais terríveis distorções a respeito da guerra na Ucrânia. Diante do avanço russo imparável e da inevitabilidade da derrota ucraniana, os jornais se refugiam atrás de uma enxurrada de propaganda, buscando minimizar os avanços russos e exagerar as supostas (e frequentemente fictícias) histórias de heroicas contra ofensivas ucranianas.
A narrativa mais recente alega que os russos continuam a fazer apenas progressos graduais. Eles estão avançando passo a passo, sofrendo um número horrendo de baixas. Com base nisso, dizem, levará anos para que tomem posse do restante de Donbas. Mas nada disso é verdade.
Na verdade, o avanço russo, que vem se acelerando constantemente há algum tempo, prosseguirá ainda mais rapidamente após a queda de Pokrovsk – um evento de grande importância que a mídia ocidental tentou ignorar.
A queda de Pokrovsk representa uma mudança importante na situação. Constitui uma derrota catastrófica para as forças ucranianas e abre uma grande brecha na linha de defesa da Ucrânia.
Depois disso, uma a uma, todas as principais cidades de Donbass cairão nas mãos dos russos em rápida sucessão. O caminho estará então aberto para um avanço mais rápido em direção a Zaporíjia, que já começou.
O próximo objetivo serão as cidades-chave de Sloviansk e Kramatorsk, após o que o caminho estará livre para o rio Dnieper.
O exército ucraniano sofreu perdas tão terríveis que agora enfrenta uma grave crise de efetivos. Não possui tropas suficientes para cobrir a extensa linha de frente, enquanto os russos têm soldados mais do que suficientes para atacar em qualquer ponto que desejarem.
Isso obriga os ucranianos a deslocarem suas forças constantemente de uma área para outra, mantendo-os em constante estado de alerta e de crescente exaustão.
O número de deserções continua a crescer, assim como o número de soldados ucranianos que se rendem aos russos. Relatos aparecem regularmente, inclusive na imprensa ucraniana, refletindo o baixo moral das tropas na frente de batalha.
O regime recorre a táticas brutais e coercitivas para forçar os homens a se alistarem no exército. Eles são enviados para a frente de batalha, mal armados e com pouco treinamento. Constantemente, sem desejar uma morte inútil em Donbas, desertam na primeira oportunidade.
Todos os sintomas de um iminente colapso das defesas ucranianas estão agora presentes. É apenas uma questão de tempo até que esse colapso ocorra. Os sinais iniciais aparecem gradualmente, mas acabam se intensificando até o ponto crítico em que a quantidade se transforma em qualidade.
O colapso final pode, portanto, ocorrer a qualquer momento, e será súbito e inesperado, provocando uma crise catastrófica do regime. Tudo indica que Zelensky é muito impopular. Sua queda também pode ocorrer repentinamente a qualquer momento.
Tudo isso é bem conhecido pelos observadores sérios da guerra na Ucrânia. Também é conhecido pela administração dos EUA, e é a principal razão para a mudança repentina na política de Trump.
Apenas os europeus permanecem teimosamente em estado de negação. Cegos por sua identificação obsessiva com o chamado Projeto Ucrânia, como o capitão do Titanic, parecem incapazes de contemplar uma mudança de rumo.
Eles investiram tanto nessa política desastrosa e atrelaram seu destino tão firmemente ao de Zelensky, que são incapazes de encarar os fatos ou a situação real e tirar as conclusões necessárias.
Podem as negociações prosperar?
O único, primordial e crucial objetivo dos líderes europeus é derrotar os planos de Trump, fazendo tudo ao seu alcance para prolongar e estender a guerra.
Os europeus estão instando os ucranianos a não fazerem concessões e a continuarem lutando até o fim. Ah, sim! Eles estão preparados para lutar até o último ucraniano. Eis a questão!
Esses políticos (pelo menos a maioria deles) devem agora perceber que a guerra está irremediavelmente perdida e que, se os ucranianos continuarem lutando, ela terminará inevitavelmente na destruição completa da Ucrânia como nação soberana.
O fato de alegarem apoiar o direito da Ucrânia de existir como um país soberano contradiz flagrantemente essas ações. Mas eles não apenas são indiferentes a esse fato. Na verdade, eles até mesmo acolheriam tal desfecho.
Isso lhes daria a desculpa perfeita para dizer aos americanos: “Vejam! Estamos em sério risco. O exército russo está avançando para o oeste e não vai parar nas fronteiras da Polônia. E a culpa é toda de vocês por não nos ajudarem a derrotar os russos!”
“Agora vocês devem vir nos ajudar, apoiando seus aliados na OTAN e entrando em conflito direto com a Rússia.” O fato de que tal coisa equivaleria a uma Terceira Guerra Mundial, envolvendo as duas maiores potências nucleares da Terra, parece não os incomodar nem um pouco. Eles nem sequer pensam nessas coisas. Mas, na verdade, essas pessoas deixaram de pensar em qualquer coisa já há algum tempo.
Os ativos russos
Um indício do nível de insanidade deles é o comportamento em relação aos ativos russos congelados. A decisão inicial de congelar bilhões em ativos russos em bancos ocidentais, mesmo desde o princípio, foi extremamente duvidosa do ponto de vista jurídico.
Mas Starmer, Macron, Merz e Ursula von der Leyen estão agora exigindo uma medida que é, sem dúvida, ilegal. Trata-se da apreensão dos ativos congelados, que serão então usados como “garantia” para um empréstimo sem juros de 140 bilhões de euros à Ucrânia.
Este seria o maior roubo de toda a história. Que se trata de um roubo é admitido publicamente por muitas pessoas, incluindo o governo belga, o Banco Central Europeu, o FMI, a City de Londres e o Banco da Inglaterra.
Todas essas autoridades alertaram contra a adoção de tal medida, que, segundo elas, é claramente ilegal. Mas parece claro que Ursula von der Leyen e seus cúmplices não estão dando ouvidos.
Incrivelmente, apesar de todos os avisos, estão a exercer forte pressão sobre a Bélgica para que retire as suas objeções e pretendem invocar poderes de emergência especiais para obrigar todos os Estados da Europa a participarem neste roubo e a atuarem como fiadores do dinheiro roubado, que os russos, sem dúvida, tentarão recuperar através de ações judiciais no futuro.
Isto equivale a um empréstimo forçado, que mesmo os países que discordam de todo o processo serão obrigados a aceitar. Representaria um rumo completamente novo, uma medida ditatorial, desconsiderando toda a legalidade existente e as regras mais elementares da democracia.
Se isto avançar, terá consequências desastrosas para a própria União Europeia. Além disso, constitui uma forte justificativa para a acusação feita pelos americanos de que a Europa caminha para um regime cada vez mais autoritário e antidemocrático.
O que é particularmente difícil de entender é a lógica por trás de um comportamento tão assustadoramente surreal. Qual o sentido de entregar bilhões de euros a um regime que já está afundando sob uma montanha de dívidas não pagas e se afogando rapidamente em um pântano de corrupção que atinge os mais altos escalões do Estado e do governo?
Para onde foi todo o dinheiro?
A pergunta que nunca se faz é: quem controla as vastas somas de dinheiro entregues anualmente ao regime em Kiev? Para onde foi todo esse dinheiro? Como é possível que, tendo recebido incontáveis bilhões de dólares e euros nos últimos anos, a Ucrânia esteja agora em estado de completa falência, incapaz não só de financiar a guerra, mas também de arcar com as despesas básicas do governo?
Normalmente, nenhum banco responsável emprestaria dinheiro a um indivíduo ou empresa com tal histórico. Mas, quando se trata de entregar grandes somas de dinheiro a Zelensky, toda a cautela parece desaparecer.
É perfeitamente óbvio que, mesmo que os 140 bilhões de euros sejam finalmente entregues (um resultado que parecia improvável, mas que agora se torna cada vez mais provável), o dinheiro não durará mais do que seis meses – se tanto.
Grande parte dele terá que ser usada para pagar suas dívidas pendentes. Uma enorme quantia adicional acabará em contas bancárias no Caribe, enquanto a quadrilha corrupta de Kiev enche freneticamente os bolsos antes de fugir do país.
O que restar será apropriado pelos fabricantes de armas americanos, que agora esperam ser pagos por cada bala e projétil enviado à Ucrânia.
Em qualquer caso, nenhuma quantia de dinheiro ou armas importadas poderá alterar o resultado final da guerra na Ucrânia. Se os russos conseguirem um acordo que satisfaça suas principais exigências, a guerra poderá terminar muito rapidamente. Essa possibilidade, no entanto, pode ser descartada com segurança.
Todos os esforços de Donald Trump para resolver o impasse inevitavelmente terminarão em fracasso. Cada passo que ele der para chegar a um acordo com os russos será sabotado pela oposição, não apenas de ucranianos e europeus, mas também do establishment reacionário entrincheirado que, nos bastidores, controla todo o poder em Washington.
O que descrevemos anteriormente como o “Estado profundo” está vivo e bem vivo nos Estados Unidos. Para eles, é indiferente qual indivíduo ou partido é eleito. Nos bastidores, os figurões sem rosto continuarão a exercer o controle.
E essas pessoas não têm absolutamente nenhum interesse em obter uma solução pacífica na Ucrânia, nem em melhorar as relações entre os EUA e a Rússia. Donald Trump lançou um desafio a eles. Mas eles simplesmente o aceitaram e o jogaram de volta na cara dele.
Eles podem usar todo o poder e influência que têm para conquistar uma maioria no Congresso que possa bloquear e sabotar todos os planos de Trump. Podem mobilizar a mídia para organizar uma campanha ruidosa, acusando-o de trair a Ucrânia e de se opor aos valores tradicionais dos Estados Unidos.
Será que ele conseguirá resistir a essas pressões? Parece-me altamente improvável. No fim, as negociações não alcançarão absolutamente nada.
De qualquer forma, os russos já descartaram todas essas possibilidades. Eles permanecem extremamente confiantes de que vencerão a guerra, independentemente de os Estados Unidos decidirem ou não suspender o apoio à Ucrânia.
A única diferença será prolongar a guerra por alguns meses, mas não mudar o resultado. As consequências humanas para o povo ucraniano de um prolongamento da guerra serão, obviamente, terríveis.
Muitas mais vidas serão perdidas. Cidades sofrerão ainda mais destruição. E tudo isso para quê?
Mas tudo isso é motivo de completa indiferença para Starmer e Macron, Merz e seus outros cúmplices. Eles se reúnem no ambiente confortável do número 10 de Downing Street, a milhares de quilômetros do matadouro em Donbas, e nos informam, com a mais extraordinária certeza, que a derrota na guerra é preferível a uma “paz ruim“.
Mas os infelizes soldados ucranianos, cercados, em menor número e com armamento inferior em Donbas, não compartilharão dessa visão. Nem as milhares de famílias ucranianas, tremendo no escuro em temperaturas congelantes.
A dura experiência lhes ensina que nunca houve uma guerra boa ou uma paz ruim. Mas suas vozes são abafadas pelo som das explosões. É a voz dos mentirosos e hipócritas que chega às massas através das colunas da nossa maravilhosa “imprensa livre”.
O cinismo dos líderes europeus em relação à questão ucraniana é absolutamente revoltante. Assim como o silêncio covarde e cúmplice da chamada esquerda. E todos esses hipócritas ousaram se autodenominar “amigos da Ucrânia”!
