Em 2022, Lula recebeu o voto de 60,3 milhões de brasileiros (38,6% dos eleitores). Quantos desses de fato apoiavam o projeto político da coligação encabeçada por Lula é uma incógnita. O que é certo é que mais de 60 milhões de brasileiros não queriam que Bolsonaro continuasse no posto de presidente da república e foram às urnas com este objetivo comum. Outros 58,2 milhões (37,2% dos eleitores) apoiaram a reeleição de Bolsonaro e 37,9 milhões (24,2% dos eleitores) não apoiaram nenhuma das opções no 2º turno (soma dos eleitores aptos a votar que votaram “em branco”, dos que anularam o voto e dos que não foram votar).
Passados quase 4 anos, novas eleições se avizinham e o circo da democracia burguesa estende sua lona mais uma vez. Qual será o resultado? Jair Bolsonaro, que era o presidente odiado pela maioria da população, agora está condenado e preso, mas ainda tem o apoio de um setor importante do eleitorado. Seu filho mais velho é pré-candidato ao posto que foi do pai e hoje é ocupado por Lula.
Nas pesquisas mais recentes, Lula aparece com leve vantagem sobre Flavio Bolsonaro no 1º turno (Datafolha 11/04: 38% x 32%; Quaest 15/04: 37% x 32%; BTG/Nexus 27/04: 41% x 36%; AtlasIntel/Bloomberg 28/04: 46,6% x 39,7% e 44,2% x 39,3%) e tecnicamente empatado, mas podendo perder no 2º turno (Datafolha 11/04: Flavio 46% x Lula 45%; Quaest 15/04: Flavio 42% x Lula 40%; BTG/Nexus 27/04: Lula 46% x Flavio 45%; AtlasIntel/Bloomberg 28/04: Flavio 47,8% x Lula 47,5%).
Muitos perguntam como é possível que um governo que foi eleito e composto com um leque tão amplo de alianças possa agora correr o risco de perder as eleições para um candidato tão medíocre como o filho do condenado Jair Bolsonaro. E é justamente a amplitude dessas alianças e a política que a acompanha o que ajuda a responder a essa pergunta.
Um governo da ordem burguesa
O governo Lula-Alckmin de frente ampla é o ápice da política lulista de conciliação de classes.
Líder sindicalista e dirigente do maior partido operário da história do Brasil, Lula se apresenta como um representante da classe trabalhadora que prega as boas relações com os patrões. Desde que era sindicalista, Lula já defendia que tudo podia ser resolvido com uma boa conversa. Mas, a luta de classes é uma luta de forças vivas antagônicas. Na maior parte do tempo, a classe dos exploradores impõe seus interesses às classes exploradas. Os explorados podem impor seus interesses à medida em que organizam sua força potencial e a convertem em um poder concreto. Mas, quando o líder dos explorados já avisa de antemão que tudo vai ser negociado e que se chegará a bom termo para “ambas as partes”, ele está jogando para que nada mude, ou seja, para que os interesses da classe dominante prevaleçam.
O Lula governante de hoje não é muito diferente daquele Lula sindicalista. Só que como governante, sob o pretexto de “governar para toda a sociedade” (e não apenas para a classe trabalhadora), Lula não apenas faz valer os interesses dos capitalistas em detrimento dos interesses dos trabalhadores. Lula compõe seu governo com partidos, representantes e membros da burguesia diretamente. Até bolsonaristas ele nomeou para seus ministérios, como André Fufuca, Silvio Costa Filho e José Múcio Monteiro.

A política econômica do governo Lula-Alckmin, desenhada e conduzida por Fernando Haddad, perpetuou a austeridade fiscal em detrimento dos investimentos em áreas sociais. Ou seja, o grande filão da arrecadação com impostos vai para o pagamento de juros da dívida pública em detrimento dos necessários investimentos para dar saúde, educação, moradia, cultura, lazer, etc. para todos.
Submissão aos imperialistas
O Brasil é hoje uma das principais arenas de disputa entre os capitais das burguesias imperialistas mundiais. Em particular, nos últimos 15 anos, a disputa entre os capitais dos EUA e da China se acirrou muito em solo brasileiro, que também é disputado por várias potências europeias.
Os governos Lula e Dilma sempre tiveram uma postura mais aberta a todos os capitais que quisessem explorar o Brasil. Nesse sentido, assim como Lula busca conciliar os interesses de classes antagônicas na luta de classes, podemos dizer que ele também busca conciliar os interesses de capitais rivais na disputa interimperialista.
Toda vez que Lula discursa defendendo o “multilateralismo” ele está de fato defendendo o direito do Brasil ser saqueado por diversas potências imperialistas simultaneamente e não apenas pelos EUA. Com isso, ele pretende ganhar alguma margem de manobra nas negociações com os diversos capitais.
Já os governos de Temer e Bolsonaro se mostraram muito mais servis aos interesses diretamente estadunidenses, inclusive bloqueando investimentos chineses no Brasil, particularmente na construção de grandes ferrovias e nos projetos nucleares brasileiros.
O que ocorre é que a ascensão da China como potência imperialista levou ao fim da ordem mundial estabelecida pelos EUA após a 2ª Guerra Mundial. Isto significa que entramos numa nova época de enfrentamento aberto entre as potências imperialistas como não víamos há 80 anos. As guerras tarifárias são uma primeira expressão disso. O comportamento mais agressivo dos EUA invadindo a Venezuela, pressionando o Panamá, sufocando Cuba, atacando o Irã, ameaçando anexar a Groenlândia, também é sintoma desta nova situação em que a defesa da hegemonia estadunidense está na ordem do dia para Washington. A iniciativa “Escudo das Américas” e a chamada “Doutrina Donroe” são confirmações disso.
Dito isso, então qual foi o real significado do “tarifaço” de Trump sobre o Brasil em 2025? Muito se falou sobre o lobby do clã Bolsonaro para que Trump pressionasse o judiciário brasileiro. Havia também outras questões expressas na carta de Trump, como a defesa dos interesses das Big Techs. Mas é importante lembrar que, naquela carta, Trump mentia descaradamente sobre um suposto déficit comercial dos EUA com o Brasil. Uma coisa foi a tal carta com os motivos alegados, outra coisa era o real principal motivo que não estava escrito na carta, mas foi dito em inúmeras ocasiões pelo próprio Trump: pressionar para que o governo brasileiro se alinhe com os EUA em detrimento da China!
Num primeiro momento, a reação de Lula ao tarifaço de Trump foi de responder com “reciprocidade”. Só de Lula esboçar um enfrentamento contra o imperialismo estadunidense, só de Lula fazer bravatas em prol da soberania nacional já foi suficiente para ele ter uma sutil melhora percentual de aprovação nas pesquisas naquele momento.
Entretanto, depois que Lula abraçou Trump na Assembleia Geral da ONU, depois que Lula disse que “rolou uma química” entre ele e Trump, as ilusões de que Lula poderia jogar um papel antiimperialista foram se dissipando e sua postura passou a pender mais abertamente para a submissão aos ditames da Casa Branca.
A partir de então, o governo Lula fez vários acenos e declarações de que os EUA poderiam explorar as reservas de “terras raras” brasileiras. Algum compromisso a portas fechadas pode ter sido assumido neste sentido entre setembro e novembro, o que explicaria a mudança de postura de Trump e a retirada de uma série de tarifas.
Em fevereiro deste ano, a U.S. International Development Finance Corporation (DFC) concedeu um empréstimo de US$ 565 milhões à mineradora Serra Verde, em Goiás, com cláusulas de “offtake” que priorizam o fornecimento à produção para empresas americanas ou alinhadas, limitando vendas à China, por até 15 anos.
Ainda em fevereiro, foi lançado o “Projeto Vault”, com US$ 10 bilhões do EXIM Bank para reserva de minerais críticos, incluindo projetos brasileiros de terras raras e lítio; fóruns e negociações diplomáticas para acordos bilaterais, com pressão por controle sobre a produção.
Em março, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou um memorando de entendimento com o governo dos EUA (com o encarregado de negócios, Gabriel Escobar), em São Paulo, focado em cooperação para exploração, pesquisa, capacitação e transferência de tecnologia, como parte do financiamento da DFC de US$ 565 milhões à Serra Verde — que Caiado celebrou como “o mais importante acordo geoeconômico” de sua gestão, afirmando que “Goiás já fechou com os EUA”.
Em abril, a USA Rare Earth (com apoio governamental dos EUA, incluindo aporte de US$ 1,6 bilhão e participação acionária de 10%) anunciou a compra de 100% da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. Parlamentares do PSOL protocolaram em 22 de abril uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Ronaldo Caiado, pedindo anulação da venda da Serra Verde à USA Rare Earth, instauração de inquérito civil e criminal, e investigação de sua conduta. Isso porque ele invadiu atribuições exclusivas da União, como relações internacionais e gestão de minerais estratégicos, ao assinar memorando com EUA e entregar o controle da única mina de terras raras em operação fora da Ásia a uma empresa estrangeira, configurando “grave ameaça” e possível perda de autonomia estratégica do Brasil.
Ainda em abril, foram apresentados dois projetos de lei – um pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB/DF) e outro pelo novo líder de bancada do PT na Câmara Federal, deputado Pedro Uczai (PT/SC) – que propõem a criação da TerraBras, uma empresa estatal para gerir a exploração dos minerais de terras raras brasileiras. Entretanto, no dia 22 do mesmo mês, Lula convocou reunião ministerial e decidiu que o governo não apoiará a criação da estatal, priorizando o setor privado.
Com isso, Lula sinaliza que, assim como Ronaldo Caiado, irá atender aos interesses dos EUA que estão correndo atrás da China nesta questão das terras raras.
Mas não é apenas na questão das terras raras que Lula vem cedendo às pressões de Trump. Depois que os EUA sequestraram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e passaram a controlar diretamente o petróleo venezuelano com a colaboração total do governo Delcy Rodríguez, Trump proibiu que qualquer país enviasse petróleo a Cuba, ameaçando que o país que o fizesse sofreria imposição de novas tarifas adicionais sobre importações para os EUA.
Cuba precisa de petróleo para gerar energia elétrica. Sem petróleo, sem eletricidade. Isso pode levar ao colapso os hospitais onde pacientes dependem de equipamentos para sobreviver, o transporte de mercadorias, a produção de insumos farmacêuticos, de alimentos, etc. A refrigeração de alimentos e medicamentos colapsaria e em poucos dias a população poderia se ver enfrentada a uma catástrofe humanitária, com milhões de cubanos sujeitos à fome e escassez de recursos vitais.
Por isso, imediatamente, em 29 de janeiro, iniciamos uma campanha pública para que Lula enviasse petróleo a Cuba. Depois de nossa campanha, a direção do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro e depois as duas federações nacionais de petroleiros – a FUP e a FNP – passaram a exigir de Lula o envio de petróleo a Cuba. Mas, Lula preferiu ceder às pressões de Trump em vez de atender ao pedido dos trabalhadores da Petrobras!

Mesmo depois que a Rússia furou o bloqueio imposto por Trump com o envio de um petroleiro transportando 730 mil barris de petróleo, que chegou a Cuba em 30 de março, Lula ainda não tomou nenhuma medida para socorrer a ilha da revolução de 1959!
Vale lembrar que quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez, em 2002, antes mesmo de tomar posse, organizou com a equipe de transição para que um petroleiro brasileiro fosse enviado para Caracas, para socorrer a Venezuela que enfrentava uma sabotagem golpista na PDVSA, que vinha bloqueando a produção de petróleo para desestabilizar o governo Chávez. Agora, mais de 23 anos depois, Lula parece muito mais suscetível às pressões imperialistas do que antes.
Talvez Lula tivesse alguma esperança de, entregando as terras raras aos EUA e obedecendo aos ditames de Washington na América Latina, obter o apoio de Trump para a sua candidatura nas eleições de outubro. Lula tinha uma visita agendada à Casa Branca em março, que acabou não ocorrendo. Aparentemente foi “adiada para data futura indefinida”, o que é um eufemismo para cancelamento.
Com as recentes pesquisas apontando uma possível vitória eleitoral de Flavio Bolsonaro sobre Lula no 2º turno e o possível apoio de Trump à candidatura do filho de Jair Bolsonaro, restou a Lula buscar radicalizar no discurso para tentar recuperar votos das parcelas mais jovens do eleitorado.
Por isso Lula vem sendo mais crítico às ações dos EUA nas últimas semanas, principalmente em relação à guerra no Irã. Participou da cúpula em defesa da democracia em Barcelona, junto ao presidente da Espanha, Pedro Sánchez. Por isso também esboça uma guinada à esquerda apresentando um projeto de lei pelo fim da escala 6×1. Mas, todo esse discurso contrasta com as políticas que mantém, como a austeridade fiscal ou a sua negativa em apoiar a criação da estatal TerraBras.
Lula fica de olho no tracking (as pesquisas diárias), para avaliar como modular seu discurso. Não se trata de uma mudança real de postura, mas das orientações dos marqueteiros de campanha para ganhar setores do eleitorado. O compromisso de seu governo segue firme com os interesses dos imperialistas – todos eles.
Lula busca servir a todos os donos do capital. Mas, como explicamos, não há mais acordo de cavalheiros entre os imperialistas. Portanto, há cada vez menos margem para que Lula haja assim. Cada vez mais os EUA, a China, os imperialistas europeus exigirão sua parte em detrimento das partes dos outros capitais. Lula será forçado cada vez mais a tomar partido de um ou de outro. Aparentemente, no que diz respeito às terras raras, ele vem cedendo aos EUA.
Agora, os EUA querem que o Brasil cancele os acordos de cooperação científica com a China na Bahia e na Paraíba. Uma “Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos EUA sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês” produziu um relatório em março/2026 com o título “China in Our Backyard, Volume 2: Pulling Latin America Into China’s Orbit” [A China em nosso quintal, Volume 2: Atraindo a América Latina para a órbita da China]. Neste relatório, acusam a China de manter duas bases militares de espionagem em território brasileiro: a Estação Terrestre Tucano, na Bahia, e o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia, na Paraíba.
O governo Lula, através do seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou contundentemente que essas duas parcerias resultem em bases militares e de espionagem da China em território brasileiro.
Lula busca agradar a gregos e troianos, ou melhor, a chineses e americanos. Até quando será capaz de fazer esse jogo? Veremos…
Qual seria a saída para o Brasil?
Esta pergunta que aparece cada vez mais no debate público brasileiro é uma pergunta mal formulada do ponto de vista dos que defendem os interesses da classe trabalhadora.
Sempre que se fala em “interesses do Brasil” ou “interesses nacionais” trata-se dos interesses da classe dominante brasileira. Os interesses da classe trabalhadora brasileira não são os mesmos dos da classe dominante brasileira. Na maioria das vezes, são interesses opostos, inclusive. Entretanto, quando se trata de enfrentar a opressão imperialista, os interesses da classe trabalhadora e da burguesia brasileira podem coincidir, mas nem sempre.
Acontece que pelo menos desde a ditadura militar (1964-1985), a classe dominante no Brasil se colocou abertamente a serviço do imperialismo estadunidense. É uma classe subalterna e que em geral lucra muito com essa subordinação. Por isso boa parte dos empresários brasileiros não vê problema em apoiar um candidato à presidência que bata continência para a bandeira dos EUA.
Então, para um setor grande da burguesia brasileira, principalmente o setor rentista, não há interesse em qualquer projeto de industrialização do Brasil. Para os barões do agronegócio está de bom tamanho o Brasil cumprir o papel de fornecedor de produtos primários para as potências imperialistas e importar os produtos de alto valor agregado.
Mas isso é manter o povo trabalhador brasileiro na escravidão do subemprego. Cada vez mais é inútil para um jovem buscar estudos de mais alta qualificação, pois não há oferta significativa de empregos de alta qualificação no Brasil.
Por isso, hoje, um projeto de industrialização do Brasil é de interesse maior da classe trabalhadora do que da própria burguesia nacional. Mas, justamente por isso, tal projeto só pode ser liderado pela classe trabalhadora. Ou seja, somente um governo dos trabalhadores e para os trabalhadores poderá levar a cabo tal mudança.
E isso seria possível através das eleições burguesas? Só se as eleições burguesas ocorrerem num contexto de uma situação pré-revolucionária ou revolucionária. Algo que não está tão longe de se desenvolver no Brasil.
Os comunistas e as eleições
Nós, comunistas, devemos apresentar candidatos sempre que possível nas eleições burguesas, para disputar a consciência dos trabalhadores com os partidos burgueses que se apresentam de maneira populista e com os partidos operários reformistas e que fazem o jogo da burguesia.
A legislação brasileira dificulta muito que agrupamentos independentes consigam conformar partidos legais para disputar as eleições. Neste cenário, apesar da grande diversidade de organizações que se reivindicam da classe trabalhadora, apenas 7 destas são partidos aptos a participar das eleições no Brasil: PT, PSOL, PCdoB, PCB, UP, PSTU e PCO.
O PT nasceu como um partido operário independente a partir das grandes greves operárias do final dos anos 1970 e da luta pelo fim da ditadura militar. Mas sua direção se adaptou cada vez mais às instituições burguesas e o partido degenerou. Apesar de sua base social ser da classe trabalhadora, sua direção aplica um programa político burguês, capitalista, de subordinação ao imperialismo.
O PSOL, que nasceu como uma dissidência crítica do PT após a contrarreforma da previdência imposta pelo primeiro governo Lula (2003-2006), nos últimos anos cada vez mais vem se subordinando ao PT e, a partir de 2023, ao governo de frente ampla de Lula. Apesar de ter uma ala esquerda composta por algumas correntes políticas e mandatos independentes, como o do deputado federal Glauber Braga, o PSOL como partido não se apresenta hoje como alternativa ao PT e apoiará a candidatura de Lula desde o 1º turno.
O PCdoB, racha maoísta dos anos 1960 do antigo PCB, se adaptou totalmente ao lulismo há décadas e está mais subordinado e integrado ao governo do que o PSOL.
O PCO é uma seita familiar que não pode ser levada a sério pela classe trabalhadora.
Já o PCB, a UP e o PSTU são 3 partidos com pouca expressão e alcance entre a classe trabalhadora e a juventude brasileira. Eleitoralmente são praticamente invisíveis (e são mais invisibilizados ainda pelas regras eleitorais burguesas) e, por isso, não são considerados uma opção real pela classe. Suas candidaturas servem apenas para a sua própria construção e não representam hoje uma alternativa política real para a classe trabalhadora.
É uma necessidade histórica hoje uma candidatura presidencial que se coloque à esquerda da candidatura de Lula, com um programa abertamente comunista para disputar a consciência de milhões de trabalhadores e jovens que, sem vislumbrar uma alternativa séria, acabam caindo no ceticismo ou no discurso populista da extrema-direita.
No último período, todos vimos o desenvolvimento do fenômeno de Jones Manoel como um divulgador das ideias comunistas no Brasil, com milhões de seguidores nas redes sociais. Por mais que possamos ter diferenças com alguns pressupostos teóricos e análises de Jones Manoel, o fato é que no que é central estamos de acordo: só a classe trabalhadora organizada pode abrir uma saída para a atual situação, tomando o poder político em suas mãos e expropriando os grandes meios de produção dos capitalistas. Ou seja, queremos uma revolução socialista para construirmos um Brasil comunista.

Portanto, nos parece óbvio que a necessidade histórica da classe trabalhadora brasileira hoje de ter uma candidatura comunista a presidente, como alternativa à esquerda de Lula, poderia ser suprida com uma candidatura de Jones Manoel a presidente. Foi Mano Brown quem primeiro levantou essa proposta publicamente e imediatamente obteve apoio massivo na internet.
Uma candidatura de Jones Manoel a presidente, com um programa comunista revolucionário, deveria angariar o apoio das correntes da esquerda do PSOL, da militância do PCB, da UP, do PSTU e de uma série de organizações que não estão legalmente aptas a participar do processo eleitoral, inclusive a nossa ICR-Brasil. Até mesmo parte do eleitorado petista mais à esquerda poderia apoiar uma candidatura como esta, aliás como foi declarado pelo deputado Renato Freitas, do PT paranaense. E, mais do que isso, poderia dar esperança a milhões de jovens trabalhadores que buscam hoje uma saída radical para a situação.
A direção do PSOL optou por não apresentar candidatura alternativa ao Lula mais uma vez (a primeira vez que fizeram isso foi nas eleições de 2022). Em 2022, nós batalhamos para que Glauber Braga fosse candidato a presidente da república pelo PSOL, mas a maioria da direção do partido barrou essa possibilidade em favor de apoiar Lula desde o 1º turno.
Diante disso, os partidos que poderiam oferecer sua legenda para que Jones Manoel concorresse às eleições presidenciais (PCB, UP e PSTU) cederam ao sectarismo e se negaram. O PSTU chegou a colocar sua legenda à disposição para que Jones fosse candidato a deputado federal em Pernambuco, mas não a presidente da república.
Além disso, aparentemente, o próprio Jones Manoel preferiu se candidatar a deputado federal em Pernambuco (usando a legenda do PSOL). Algo que é seu direito e que já tem nosso apoio. Mas, entendemos que do ponto de vista estratégico seria mais acertado lançar sua pré-candidatura a presidente e, se nenhum partido emprestasse a legenda (através do que é chamado de “filiação democrática”), aí sim, em julho, ele poderia mudar sua pré-campanha para a de deputado federal. Isso poderia agitar a discussão entre milhões de trabalhadores e jovens sobre um programa comunista para o Brasil durante todo o primeiro semestre de 2026.
Diante da ausência de uma candidatura à esquerda de Lula que seja visível para a classe trabalhadora, nos cabe intervir no processo eleitoral agitando o nosso Programa por um Brasil Comunista e chamar o apoio crítico à candidatura de Lula para derrotar a candidatura de Flavio Bolsonaro ou de qualquer candidato da burguesia.
Mesmo com toda a crítica que fazemos à política aplicada por Lula, na ausência de uma candidatura viável à esquerda da candidatura de Lula, a situação que se coloca é de “classe contra classe”. Votar em Lula, apesar das alianças e da política, para derrotar o candidato da extrema-direita, Flavio Bolsonaro. É assim que a maioria da classe enxerga a situação. Chamar voto nulo ou em uma das candidaturas da esquerda invisível no 1º turno seria incompreensível para a classe trabalhadora.
Mais do que batalhar pelos votos, nosso principal objetivo durante o processo eleitoral deve ser o de ajudar os elementos mais avançados da classe trabalhadora e da juventude a chegarem à conclusão de dedicarem suas vidas a construir o instrumento necessário para levarmos a cabo a transformação socialista do Brasil e do mundo. Por isso, em primeiro lugar devemos agitar o Programa por um Brasil Comunista! Venha lutar conosco para construir a Internacional Comunista Revolucionária e combater por um Brasil Comunista! Organize-se hoje mesmo!
