Toda solidariedade aos estudantes, todo repúdio à violência da polícia de Tarcísio.
Na madrugada deste domingo (10), em pleno dia das mães, os estudantes grevistas que ocupavam a reitoria da Universidade de São Paulo foram surpreendidos, na calada da noite, com uma violenta operação de desocupação da Polícia Militar a mando de Tarcísio de Freitas, governador do estado, e com a cumplicidade de Aluísio Segurado, reitor da Universidade de São Paulo.
A ação violenta da tropa de choque cercou o local com cerca de 50 agentes que utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e um corredor polones feito pelos policiais para agredir os estudantes com cassetetes na saída do prédio. Diversos estudantes ficaram feridos e alguns precisaram de atendimento médico. Foi registrada uma revista e apreensão irregular de pertences dos estudantes. Quatros estudantes foram levados presos arbitrariamente sob a acusação de depredação do patrimônio público e só foram liberados devido a pressão de outros estudantes.
O estudante Rael Brito relata: “Houve estudantes com fraturas, sangramentos, uma estudante desmaiou, fora o trauma psicológico de acordar no meio da noite com uma violência completamente descabida”.
Não há qualquer determinação judicial que respalde a ação realizada, o chefe da operação relatou que a ordem “veio de cima” ou seja do governo do estado e de Tarcísio de Freitas. Entendendo que essa provavelmente é a verdade, significa que a reitoria da universidade não tem culpa nisso tudo? Não! A USP tem considerável autonomia sobre a ação da Polícia Militar dentro da universidade e é extremamente improvável que essa determinação não tenha passado pela reitoria e recebido sua cumplicidade.
Escalada de radicalização: entenda o que levou os estudantes a ocuparem a reitoria da universidade
A greve dos estudantes da universidade de São Paulo que já dura quase um mês tomou novas proporções na última quinta-feira (7) quando os estudantes grevistas iniciaram a ocupação no prédio que é o epicentro da burocracia acadêmica, a reitoria. Muitos foram os motivos que levaram a essa decisão e proporcionalmente muitas são as difamações a respeito da atitude dos estudantes.
É fato que ocupar o prédio da reitoria é uma atitude drástica, mas não é sem razão. No dia 30 de abril aconteceu uma mesa de negociação entre estudantes e a reitoria da universidade onde foram feitas diversas propostas consideradas insuficientes pelo conjunto dos estudantes. Foi proposto um aumento irrisório nas bolsas de auxílio permanência, dedicadas aos estudantes em vulnerabilidade social. Um aumento de 27 reais na bolsa integral e de 5 reais na parcial (para aqueles que moram no CRUSP) é uma afronta, é impossível sobreviver na mais cara metrópole do país com esses valores. Fora isso a situação na moradia estudantil segue precária, os bandejões privatizados estão servindo larva, mofo, palito de fósforo, pedaço de plástico e todo tipo de objeto estranho na comida, nossa universidade está cada vez mais precária pelo projeto de privatizações do governo do estado e nós não aceitaremos isso calados.

Ao final da mesa no dia 30 a reitoria demonstrou não ter interesse em realizar uma nova negociação, os estudantes bateram o pé exigindo que a mesma ocorresse e conseguiram o comprometimento da reitoria de que a negociação seguiria na semana seguinte, entre quinta e sexta-feira.
No entanto, na segunda-feira (4) o reitor Aluísio foi a público dizer que não haveria uma nova mesa, que a negociação estava encerrada e que a greve deveria acabar. Dessa forma descumprindo seu acordo, encerrando a negociação unilateralmente e rompendo abruptamente o diálogo. Por isso, na quinta feira (7), dia em que deveria ocorrer a nova negociação, devido a intransigência da reitoria em manter aberto o diálogo, os estudantes iniciaram a ocupação do prédio da reitoria.
A ocupação é produto do afunilamento da greve e das atitudes da reitoria. Eles subiram o tom, deram migalhas e depois viraram as costas pros estudantes. E por conta disso foi necessário que os estudantes também subissem o tom, pois aceitar a derrota imposta por Aluísio com suas propostas medíocres não era uma opção.
Nesse sentido, a ocupação tinha como principal objetivo aquilo que é mais básico: o diálogo. Os estudantes estavam dizendo que não estavam satisfeitos com as propostas apresentadas e portanto a negociação deveria seguir. Que não iriam aceitar que as negociações fossem fechadas unilateralmente pela reitoria, não iriam aceitar não serem ouvidos.
Contra as difamações: a ocupação era pacífica e nada justifica a violência contra os estudantes!
Por diversas vezes o reitor Aluísio, as redes de comunicação da própria universidade e diversos veículos da mídia afirmaram, numa tentativa de criminalizar a luta dos estudantes, que a ocupação era violenta, que os estudantes estavam vandalizando o patrimônio público e sendo intransigentes com relação à negociação. Tudo isso é falso.
Em primeiro lugar, como já foi demonstrado, quem está intransigente em relação a negociação é a própria reitoria, se negando a dialogar com os estudantes. O propósito da ocupação era justamente o de reabrir a mesa de negociação e o diálogo com a reitoria.
É falso que a ocupação era violenta e objetivava o vandalismo. A ocupação dos estudantes que já contava com 60 horas, era totalmente pacífica e organizada. Os estudantes a partir da auto organização coletiva em grupos de trabalho, vinham garantindo a própria alimentação, a limpeza do espaço e a realização de atividades políticas e culturais.
O prejuízo material causado se restringe, basicamente, a quebra de uma mísera porta de vidro para conseguir adentrar o espaço, ação necessária no contexto como única forma restante de pressionar pelo diálogo e não aceitar a derrota que Aluísio estava querendo impor. Para além do dano causado para adentrar o espaço, o consenso entre os estudantes era muito claro em preservar o ambiente.
Fora isso é necessário ressaltar que a verdadeira depredação do patrimônio público acontece por parte da própria reitoria! Os prédios da moradia estudantil estão caindo aos pedaços, a maioria dos quartos sofre com mofo e infiltração, fechaduras de portas quebradas e os mais diversos problemas de manutenção.
A porta e outros pequenos danos ao prédio da reitoria representam um prejuízo ínfimo para uma instituição que recebe mais de 9 bilhões de orçamento anual. A ação truculenta do dia de hoje deixa muito claro quais são as prioridades da universidade: uma porta é mais valiosa que os estudantes. Acordar estudantes na porrada não pode ser considerado defesa do patrimônio público.
É importante lembrar que o DCE Livre da USP foi forjado na luta contra a ditadura militar e leva o nome de Alexandre Vannucchi Leme, estudante da instituição brutalmente torturado e assassinado pelo regime ditatorial. A escalada de violência no dia de hoje remonta aos tempos mais sombrios da universidade. O movimento estudantil seguirá firme em sua luta histórica contra a repressão policial do estado.
Nada justifica a violência contra os estudantes no dia de hoje, qualquer prejuízo material, qualquer discordância com as pautas defendidas. É absolutamente inadmissível que a força bruta totalmente desproporcional seja usada para reprimir jovens desarmados em uma ação pacífica.
É um escracho que a reitoria da universidade, mesmo tendo diversas oportunidades de reabrir o diálogo e resolver a situação pacificamente, tenha optado pelo uso da violência e repressão policial, tal atitude abre precedente para repressões futuras e nós não podemos e não iremos aceitar isso!
- Todo apoio aos estudantes agredidos!
- Todo repúdio a violência policial a mando do Tarcísio e com a complicidade de Aluísio!
- Pelo fim da Polícia Militar!
