Numa extensa Ordem Executiva assinada em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que: “As políticas, práticas e ações do governo de Cuba constituem uma ameaça incomum e extraordinária — cuja origem, total ou em grande parte, está fora dos Estados Unidos — à segurança nacional e à política externa dos EUA.”
Não satisfeito com isso, ele acrescentou: “O governo de Cuba tomou medidas extraordinárias que prejudicam e ameaçam os Estados Unidos”.
Este é o mundo de cabeça para baixo. O imperialismo estadunidense ameaça a revolução cubana há mais de 60 anos, numa tentativa de esmagar sua soberania e destruir sua revolução. Estamos falando de uma pequena ilha caribenha, privada de recursos por um bloqueio imperialista criminoso, com uma economia extremamente fragilizada. Como alguém pode afirmar que Cuba tomou “medidas que prejudicam e ameaçam os EUA”, a maior potência imperialista do mundo, com vastos recursos militares mobilizados no Caribe?
Por mais ultrajante que isso seja, não se trata apenas de palavras.
O desequilibrado homem na Casa Branca quer sangue. Encorajado pelo aparente êxito rápido e indolor (para os EUA) de sua agressão militar contra a Venezuela, e também buscando demonstrar força após enfrentar forte oposição em Minneapolis, ele agora quer derrubar a revolução cubana para adicionar mais um troféu à sua coleção.
Trump está ameaçando impor tarifas sobre as importações para os EUA de qualquer país que venda petróleo para Cuba. Ele já obrigou a Venezuela a interromper o fornecimento de petróleo à ilha e, nos últimos dias, ameaçou o México a fazer o mesmo. A Ordem Executiva é explícita: caso se constate que um país está fornecendo petróleo a Cuba direta ou indiretamente, Trump será informado e tomará a decisão final sobre a imposição ou não de novas tarifas.
A presidente mexicana Sheinbaum, diante da notícia divulgada pela mídia burguesa de que o México havia cancelado um carregamento de petróleo da sua companhia petrolífera PEMEX para Cuba, hesitou, vacilou e se recusou a dar uma resposta direta. “Esta é uma questão de soberania do México e da PEMEX”, disse ela, recusando-se a responder se o carregamento de 700 mil barris — que garantiria um fornecimento vital de 20 mil barris de petróleo por dia para Cuba — havia sido de fato cancelado ou não.
Em um novo “esclarecimento” no dia seguinte, Sheinbaum deixou a situação ainda mais confusa. “Existem duas maneiras pelas quais o México envia petróleo para Cuba”, explicou ela. Uma é por meio de um contrato com a PEMEX, no qual cabe à petrolífera decidir quando e quanto enviar. Ainda não houve resposta sobre se o carregamento havia sido cancelado ou não, nem sobre quando o próximo seria enviado (eles geralmente são despachados mensalmente).
A segunda forma pela qual o México envia petróleo para Cuba é como ajuda humanitária, disse ela, acrescentando: “assim como outros países enviam ajuda humanitária para Cuba, incluindo os EUA” (!!). E o envio de ajuda humanitária para Cuba é uma decisão soberana, enfatizou. Novamente, nenhuma resposta clara.
Sheinbaum encontra-se numa posição difícil. As ameaças dos EUA têm grande peso em um país cujas exportações — cerca de 70% — se destinam ao poderoso vizinho do norte. Sua política até agora tem sido a de tentar negociar com os EUA por meio de concessões. Em particular, o México impôs tarifas de 50% sobre produtos chineses (e de outros países) que chegam ao país.
México, Canadá e Estados Unidos mantêm um Acordo de Livre Comércio — o que significa que qualquer produto fabricado no México pode entrar nos EUA sem tarifas —, e esse acordo será renovado e renegociado em breve. Empresas chinesas têm se instalado no México como forma de entrar no mercado americano, contornando as tarifas. Na prática, o México está atuando como um instrumento da guerra comercial entre os EUA e a China.
A venda de petróleo do México para Cuba é uma política de longa data do governo mexicano, que jamais foi modificada por nenhum governo. Agora, os EUA estão pressionando o México a interromper esse fornecimento.

O objetivo é claro. Está escrito na Ordem Executiva de Trump que, se “o governo de Cuba ou outro país estrangeiro afetado por esta ordem tomar medidas significativas para lidar com a emergência nacional declarada nesta ordem e alinhar-se suficientemente aos Estados Unidos em questões de segurança nacional e política externa, poderei modificar esta ordem”.
Por que um país estrangeiro deveria alinhar-se aos EUA em questões de segurança nacional e política externa dos próprios Estados Unidos? Certamente, os países deveriam ter o direito de defender seus próprios interesses de segurança nacional e de política externa! Mas não no mundo do imperialismo, onde a força prevalece. A mensagem é clara: “ou você se submete a Washington e seus ditames… ou então…”.
O objetivo de Trump é subjugar o México e destruir a revolução cubana. O imperialismo estadunidense acredita que agora, após 60 anos, está em posição de fazê-lo.
A revolução cubana encontra-se em situação crítica. Durante seu primeiro mandato, Trump fortaleceu brutalmente o bloqueio e reverteu todas as medidas de reaproximação implementadas por Obama. Biden manteve intactas todas as 243 medidas adicionais de Trump contra Cuba. O turismo cubano sofreu um duro golpe durante a pandemia de Covid-19 e a crise econômica da Venezuela já havia restringido o fornecimento de petróleo para Cuba. Todos esses fatores, somados a uma reforma monetária mal-sucedida implementada em 2020, agravaram a situação.
Já dissemos muitas vezes que o destino da revolução cubana será decidido, em última instância, na arena da luta de classes mundial. Essa realidade agora se impõe de forma incontestável. Cuba enfrenta um perigo sério e iminente risco. Segundo o Financial Times, o país tem reservas de petróleo para apenas mais 15 ou 20 dias.
Somente uma ampla mobilização de massas em todo o mundo — especialmente no México e nos Estados Unidos — pode salvar a revolução cubana. As massas trabalhadoras no México carregam a responsabilidade mais séria, já que o país é talvez o ponto de onde a ajuda pode ser fornecida da maneira mais rápida. Mas isso significa resistir ao imperialismo estadunidense e estar preparado para arcar com as consequências disso.
Significa fazer um apelo aos trabalhadores e camponeses de toda a América Latina, começando pela Colômbia e pelo Brasil, para que pressionem seus governos até o ponto em que sejam forçados a agir. Significa fazer um apelo aos trabalhadores nos Estados Unidos, e particularmente aos trabalhadores e comunidades latinas, para que se levantem contra a política externa imperialista de Trump, bem como contra a política interna de seus patrões.
Uma derrota para a revolução cubana seria uma derrota para a classe trabalhadora e para os oprimidos em todo o mundo. Não podemos permitir que Cuba fique sozinha. É necessária uma mobilização de massas urgente. Não há tempo a perder.
Tirem as mãos de Cuba! Yankee go home! Imperialismo estadunidense: tire as mãos da América Latina!
