Apesar de ser um dos principais meios de transporte da Região Metropolitana, o metrô do Rio de Janeiro ainda é pequeno diante da demanda da cidade. Com apenas 3 linhas em operação, o sistema está longe de atender plenamente áreas densamente povoadas, deixando evidente a necessidade de expansão. Em contraste às críticas sobre a qualidade do serviço, superlotação e atrasos, a concessionária responsável pela operação segue registrando lucros enormes. Segundo o Relatório da Administração de 2024, o MetrôRio registrou lucro líquido de R$ 338,3 milhões neste ano de referência. Soma-se a isso a situação dos trabalhadores do sistema, que frequentemente denunciam salários atrasados e ausência de reajustes compatíveis com a inflação. Obras estratégicas, como a expansão na Gávea, permanecem paralisadas há anos, reforçando a sensação de estagnação de um serviço essencial.
O anúncio de um novo aumento da tarifa do metrô de R$7,90 para R$8,20 despertou uma reação negativa da população. A decisão de elevar o valor da passagem foi autorizada pela Agetransp, mas horas depois foi suspensa pelo governo do estado. Por meio de um vídeo nas redes sociais, o governador Cláudio Castro anunciou que o valor da tarifa será mantido. O pronunciamento parece surgir como resposta a possíveis manifestações sociais, evidenciando a sensibilidade do tema. O transporte público pesa de forma significativa no orçamento familiar da classe trabalhadora, especialmente das camadas mais pobres, que dependem diariamente do metrô para trabalhar, estudar e acessar serviços básicos. Além do descontentamento popular, o recuo expõe a insustentabilidade do atual sistema de mobilidade.

Paralelamente ao recuo do reajuste da tarifa, o estado anunciou a liberação de cerca de 37 milhões de reais em subsídios para a empresa que administra o metrô. A medida reacende o debate sobre o uso de recursos públicos para sustentar uma concessionária privada, sobretudo quando o dinheiro investido tem origem nos impostos pagos pela população. Diante disso, o que os comunistas reivindicam é a necessidade de uma empresa pública de transporte metroviário, com prioridade na qualidade do serviço e no interesse da população, e não apenas no lucro. É inaceitável que o dinheiro público continue sustentando lucros privados ao invés de estar vinculado a uma gestão pública transparente e comprometida com o direito da população a um transporte digno, acessível e de qualidade.
O episódio do aumento da tarifa do metrô revela um problema estrutural mais profundo, a fragilidade do modelo atual de gestão, ou seja, o modelo capitalista. O recuo do governador mostra que ele teme que a população não aceite arcar com os custos de um sistema sucateado e caro, enquanto subsídios públicos garantem a rentabilidade de empresas privadas e fazem parecer que o governador está preocupado com nosso bolso. Repensar o metrô como um serviço público essencial, com a expansão da rede e a valorização dos trabalhadores, é um passo fundamental para garantir mobilidade urbana justa para todos.
Portanto, os comunistas defendem que se a empresa não consegue se sustentar e precisa de investimento público, então, que o Estado assuma logo o serviço e que ele seja controlado pelos trabalhadores.
