O presidente dos EUA, Donald Trump, acusa seus inimigos políticos de “marxistas radicais de esquerda” e declarou que a América nunca será um país socialista. O presidente da Argentina afirmou que o marxismo é como uma teoria satânica e que o Ocidente está em perigo porque seus líderes foram cooptados por uma visão de mundo que inexoravelmente leva ao socialismo. No seu primeiro dia como presidente, Jair Bolsonaro declarou: “Esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha”. Quando tentou se reeleger, alegou que os eleitores deveriam votar nele para impedir a implantação do comunismo no Brasil.

Dois jovens comunistas de 29 e 27 anos constataram uma situação semelhante quando publicaram o Manifesto do Partido Comunista. Karl Marx e Friedrich Engels tiraram duas conclusões de cara: 1) O comunismo já era reconhecido como força por todos os líderes e potências da Europa; 2) Era tempo de os comunistas exporem, abertamente, ao mundo inteiro, seu modo de ver, seus objetivos e suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo. Mal a tinta dessas declarações havia secado, e o capitalismo europeu enfrentou uma revolução social.
RADICALIZAÇÃO DA “GERAÇÃO Z”
Um jovem que nasceu em 2008 — ano em que ocorreu a crise financeira que abalou o mundo — está completando 18 anos agora em 2026. Milhões de adolescentes e de jovens adultos nascidos antes ou depois dessa data conheceram apenas o capitalismo como versão de mundo. Pior ainda: conhecem apenas o capitalismo em crise, e os capitalistas e seus representantes fizeram os trabalhadores e as novas gerações pagarem a conta da crise nestas quase duas décadas. A situação é tão grave que milhões de jovens em todos os países do mundo estão chegando à conclusão de que este modelo de sociedade não é sustentável.
Há aqueles que são atraídos pela demagogia de movimentos e líderes de direita como Trump, Milei e Bolsonaro. Irão compor um campo político que busca perseguir os velhos objetivos da classe dominante por outros métodos. Algumas de suas marcas são o abandono da fraseologia democrática, social e mesmo humanitária sob a qual os representantes tradicionais do sistema costumam encobrir seus interesses. Usam linguagem violenta, elegem inimigos imaginários e metas que, embora dialoguem com os trabalhadores, são impossíveis de cumprir sem romper com os bilionários a quem servem.
Mas também há jovens de outro tipo, que compreenderam que o sistema político e social existente não tem conserto e estão tirando conclusões mais avançadas. Esse setor da juventude intuitivamente tem concluído que, se o marxismo, o socialismo e — especialmente — o comunismo são apontados como “inimigos nº 1” pelos representantes do sistema, na verdade o comunismo deve ser a resposta para a situação que vivemos. Esses novos comunistas estão surgindo em todos os países do mundo.
O Brasil está longe de ser uma exceção a esse movimento mundial, como os leitores poderão conferir no artigo da página 4 desta edição.
POR QUE BRASIL COMUNISTA?
É neste momento que lançamos o Brasil Comunista, um jornal para organizar os comunistas, especialmente os novos comunistas que estão despertando para a luta de classes. Este jornal será uma arma política a ser colocada na mão de cada jovem, trabalhador e militante comunista na luta contra a ideologia dominante e suas variantes que circulam na sociedade e enganam as massas. As análises, notícias, polêmicas, cartas, resenhas e fotografias, tudo será colocado a serviço da verdade. Na luta pelo comunismo, na era das fakenews e das guerras e genocídios, a verdade é nossa munição mais poderosa.
Assine aqui o Brasil Comunista!
A escolha do nome Brasil Comunista expressa aquilo que queremos e o que rejeitamos. O Brasil capitalista falhou — toda pessoa “de esquerda” poderia concordar com essa afirmação. Mais importante do que a constatação é dar consequência a ela. Um grande setor do que se entende por esquerda no Brasil acredita que, se o capitalismo falhou, nossa tarefa é tentar fazer uma melhor gestão do Estado e impor uma certa regulação ao mercado. Outro setor, embora não ache o capitalismo humano possível, acredita que mudanças graduais nos levarão em 50 ou 100 anos a chegar ao socialismo.
Nós queremos um Brasil Comunista para já. “Mas o que exatamente vocês querem dizer com ‘Brasil Comunista’?”, alguém pode sinceramente perguntar. Nossa resposta começa por apresentar os 20 pontos que o leitor encontra na página 2 deste jornal. Imagine se este “Programa por um Brasil Comunista” fosse colocado em prática a partir de 1º de janeiro de 2027. Por que não?
Infelizmente, não há uma candidatura comunista com viabilidade nas eleições deste ano. Mas também não acreditamos que as mudanças profundas pelas quais lutamos virão através das eleições burguesas. Aliás, para conhecer nossa análise sobre as eleições deste ano e nossa avaliação sobre como os comunistas devem se posicionar, os leitores podem conferir o artigo especial das páginas centrais 6 e 7 desta edição.
Brasil Comunista é um jornal para organizar os comunistas em torno deste “Programa por um Brasil Comunista”. Essas reivindicações são as respostas para o sofrimento, a miséria e os problemas que os jovens e os trabalhadores enfrentam hoje. Chamamos os trabalhadores a lutar por essas medidas para que elas se tornem realidade hoje. Não daqui a 30, 50, 100 anos. Hoje. Por quais motivos temos que esperar? Por quais motivos temos que aceitar mudanças menores ao invés de resolver os problemas de uma vez?
REFORMA OU REVOLUÇÃO
Diversos tipos de reformistas dirão que somos maximalistas, sonhadores ou utópicos. Dirão que a ideia de uma revolução não passa de um sonho de uma linda e quente noite de verão. Isso porque essas senhoras e senhores, como muito realistas que se entendem, acham que apenas por reformas se pode chegar a algum lugar. A eles respondemos como Rosa Luxemburgo respondeu aos reformistas de sua época: os revolucionários são os campeões da luta por reformas. Na verdade, demonstrou Rosa, somos nós aqueles que verdadeiramente lutam por reformas sociais.

Imagine do que seriam capazes trabalhadores mobilizados por um programa revolucionário
Aqueles que chamamos de reformistas advogam na verdade por reformas cosméticas, que os capitalistas não gostariam de conceder, mas que até toleram, porque não afetam a estrutura de sua sociedade e sua lógica de existência. Vejamos o “Programa por um Brasil Comunista”: alguma daquelas reformas não atinge em cheio a estrutura e a lógica do Brasil Capitalista? Nosso programa é um verdadeiro programa revolucionário. Um programa de reformas radicais. Radical aqui entendido como Marx entendia, quer dizer, aquilo que vai à raiz das coisas. Contra os reformistas cosméticos, nós opomos reformas radicais.
O revolucionário russo Leon Trotsky explicou que vivemos uma época de transição. Quer dizer que o capitalismo desenvolveu tanto as forças produtivas da humanidade que, ainda que sufocadas pela propriedade privada dos meios de produção e pelos Estados nacionais, o próprio capitalismo vai fazendo surgir vislumbres e traços do socialismo. É como se a atual sociedade estivesse em processo de parto da nova sociedade e já permitisse que fossem visíveis partes dela. Essa época de transição, para ser concluída, precisa da ação consciente da classe operária. Até lá, a humanidade continuará sofrendo com as dores do parto.
O mesmo Trotsky argumentou que a conquista de cada verdadeira reforma social (como as expostas na página 2 do Brasil Comunista) ajuda a sociedade a avançar para a nova sociedade. Como um cabo de guerra, onde de um lado puxa uma equipe liderada pelos bilionários e de outro a equipe liderada pela classe operária consciente. Cada reforma social conquistada, significa um pedaço de terreno a mais ganho pelo time da classe operária, e cada uma destruída é um terreno retomado pelo time dos bilionários. A vitória da classe operária e o fim desse jogo só podem acontecer se ela chegar a tomar o poder.
INTERNACIONALISMO
Um debate entre aqueles que se entendem como comunistas é se seria possível construir um Brasil Comunista enquanto o mundo continua capitalista. Seria possível o socialismo em um só país? Nós respondemos que não. Entendemos que um Brasil Comunista apenas pode existir como parte de um mundo também comunista. Toda a humanidade precisa também ter acabado com a propriedade privada dos grandes meios de produção e passar a viver em harmonia, em prol da felicidade. Este jornal e o “Programa por um Brasil Comunista” são instrumentos em prol dessa construção a ser feita em escala internacional, mas que só pode começar no terreno nacional concreto de cada país.
Por isso, somos radicalmente internacionalistas. Este jornal é editado pela seção brasileira da Internacional Comunista Revolucionária (ICR). Somos um mesmo partido mundial de jovens e trabalhadores que se organizam, atuam e propagam as mesmas ideias em dezenas de países atualmente, em todos os continentes. Desde cada local, defendemos as ideias do marxismo como as armas mais poderosas à disposição da classe operária de todos os países para não apenas entender o mundo, mas também para transformá-lo.
A questão da consciência sempre se tratou de um tema de importância central para os marxistas. A classe operária internacional nunca foi tão numerosa quanto é hoje. O grande problema é que esse grande exército mundial está, em sua maioria, adormecido ou com seus elementos mais ativos enganados por ideias falsas sobre o mundo e as respostas necessárias a seus problemas.
Hoje estamos em luta para chegar a 10.000 comunistas organizados na ICR em todo o mundo. Esse é o tamanho de nosso partido diante dessa enorme classe operária mundial. Nossa tarefa é grande. Queremos ajudar a classe operária a construir um Brasil Comunista, como parte de um mundo comunista. Frente a todos os nossos adversários, seja no campo estudantil, sindical ou partidário, temos uma enorme desvantagem material. Temos apenas uma vantagem: as nossas ideias, as revolucionárias ideias do marxismo.
Nossas ideias têm enorme força porque são verdadeiras. São verdadeiras porque são produto de uma minuciosa aplicação do método marxista de análise. Esse método diz respeito à concepção filosófica desenvolvida por Marx e Engels do materialismo dialético. Foi com base nesse método que eles proclamaram ao mundo em 1848: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”. Foi à teoria por eles iniciada que o grande revolucionário Lênin se referiu quando afirmou que “Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária”.
Essas são as ideias que justificam a existência do jornal Brasil Comunista. São as ideias que levaremos para os trabalhadores e jovens do Brasil e do mundo para ajudá-los a fazer do comunismo uma realidade a ser vivida aqui e agora. São ideias pelas quais vale a pena lutar e dedicar a vida. Por isso, convidamos todos que chegaram à conclusão de que o capitalismo falhou, falha e falhará a se organizarem conosco para lutar por um Brasil Comunista.
